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Primeiras daily builds do Ubuntu 17.10 já estão disponíveis para download

Seguindo a tradição, logo depois de um lançamento como o do recente Ubuntu 17.04 Zesty Zapus, que finalizou o alfabeto, temos as primeiras construções diárias da próxima versão, o Ubuntu 17,10 que sairá em Outubro.

Ubuntu 17.10 Artful Aardvark


O Ubuntu 17.10 de codinome "Artful Aardvark" (isso mesmo, voltou no início do alfabeto), já está recebendo as suas primeiras construções diárias, chamadas em inglês de ""daily builds", assim como seus repositórios já foram abertos para o recebimento dos softwares deste ciclo.

Esta versão está muito longe de estar pronta para a utilização do usuário comum, como comentei, ele será lançado somente em Outubro e não é recomendado para pessoas que não tenham a intenção a ajudar a desenvolver o sistema.

As primeiras ISOs estão disponíveis aqui.

O que podemos esperar do Ubuntu 17.10?


A disponibilidade das primeiras ISOs do ciclo 17.10 é um gancho perfeito para falar sobre as coisas que deverão chegar com esta nova versão.

Como você bem deve saber, a Canonical resolveu descontinuar o Unity como interface padrão do Ubuntu, além disso, outros projetos acabaram ficando de lado, pessoas foram demitidas da empresa e setores reformulados.
O local onde essas mudanças serão mais sentidas é justamente o Desktop, que para mim é a parte mais sensível do projeto, não financeiramente falando, mas no aspecto de relação com o usuário final de computador.

Na versão 17.10 nós teremos o Gnome Shell como interface e o Wayland como servidor gráfico, abraçando a maior parte das soluções colocadas pelo projeto Gnome. 

Até o momento, pelas informações que se tem, nós teremos um Gnome puro no Ubuntu 17.10, o que do ponto de vista do usuário final não seria a melhor escolha, pois o Gnome necessita de uma série de complementos para conseguir ter os mesmos recursos que o Unity anteriormente tinha.

Falando em Unity, ele ainda estará nos repositórios caso alguém deseje instalar. Até o momento, não sei de nenhuma comunidade que queira continuar desenvolvendo funções para ele, ou desenvolvendo ele em si, entretanto ele estará disponível. Apesar desta informação deixar os fãs do Unity menos preocupados, é bom alertar que ele não será tão "bem integrado" ao Gnome como antes, a Canonical costumava aplicar vários patches e modificações para fazer com que os Apps do Gnome funcionassem de forma integrada ao Unity, como o Nautilus por exemplo, algo que deixará de acontecer, então os aplicativos poderão ficar "estranhos" no Unity do 17.10, para quem for utilizar.

É provável que o Ubuntu 17.10 chegue com o Gnome 3.26, mas ainda não foi confirmado, outra coisa que ainda não foi definida é se o Ubuntu passaria a utilizar o GDM ou continuaria utilizando o LightDM como gestor de login, particularmente acho o LightDM mais belo, porém, com essa ideia de "all GNOME" de Mark Shuttleworth, não me admiraria se o GDM fosse o padrão também.

O calendário de lançamentos para o Ubuntu 17.10 Artful Aardvark é o seguinte: 

- 29 de Junho - Alpha 1
- 27 Julho - Alpha 2
- 31 Agosto - Beta 1
- 28 de Setembro - Beta final
- 19 de Outubro - Versão final

O que você espera do Ubuntu 17.10? Pretende utilizar? Sei que é muito cedo para qualquer comentário mais técnico, mas será um lançamento importante, pois é onde teremos uma prévia da próxima LTS que sai em Abril de 2018.

Até a próxima!
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quinta-feira, 27 de abril de 2017

United - O tema para KDE Plasma que transforma a sua interface no Unity

É curioso de se observar que tantos projetos com o intuito de copiar a funcionalidade do Unity tenham aparecido depois da notícia da Canonical descontinuar a interface, parece que mais pessoas gostavam dele do que se imaginava, enfim, mostrando o quanto o KDE pode ser personalizável mais uma vez, a comunidade criou um tema para o Plasma que imita a funcionalidade e aparência do Unity.

KDE Plasma Unity Theme




O KDE Plasma é incrivelmente personalizável e versátil e praticamente consegue imitar o funcionamento de qualquer outra interface gráfica, neste aspecto ele é simplesmente imbatível. Os usuários de Plasma que querem uma experiência semelhante ao Unity através desta interface, seja qual a distro que utilizem, poderão fazê-lo através de um tema chamado United.

Confira o vídeo do canal Livre Software que ensina você a fazer esta customização:


Bacana não é? Claro que esta é somente uma das possibilidades que o Plasma nos oferece, como você gosta de utilizar o KDE no seu computador? Coloque os prints nos comentários e até a próxima! :)
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domingo, 23 de abril de 2017

Como criar e embutir legendas em vídeos usando Linux

Você gostaria de legendar algum vídeo e além de gerar o arquivo da legenda, também gostaria de embutir o arquivo no vídeo final? Então confiras as nossas dicas para você conseguir fazer isso utilizando Linux.

Como criar legendas para vídeos no Linux




Recentemente eu recebi este pedido nos comentários de um dos vídeos no canal, a dúvida consistia em quais ferramentas que poderiam ser utilizadas para criar legendas para vídeos e também como embutir as legendas, depois de finalizadas, em um arquivo final.

Eu tenho certeza que existem muitas outras ferramentas além das que eu vou sugerir aqui, então se você conhece alguma bacana e que não faz parte da minha lista de indicações, fique à vontade para adicionar os nomes através dos comentários do blog.

Programar para redigir legendas no Linux


Primeiro, vamos falar sobre os programas que você pode usar para criar as legendas, neste caso eu tenho 3 sugestões.

1 - Gnome Subtitles

Gnome Subtiles

Todos os editores de legendas que eu pude testar são semelhantes, tanto em aparência, quanto em recursos, então o melhor a se fazer é testar e ver qual você gosta mais.

Este programa está repositório de praticamente todas as distribuições Linux e você encontra mais informações sobre ele, incluindo links para download para todas as distros no seu site oficial.

2  - Gaupol

Gaupol Legendas no Linux

Outra alternativa interessante é um software chamado Gaupol, ele é bem parecido com o Gnome Subtitles, apesar de eu ter achado um pouco mais confuso a adição das legendas, com alguns minutos você se acostuma e depois o trabalho que se segue é quase que automático.

O Gaupol também é encontrado nas centrais de aplicativos e repositórios da maioria das distribuições Linux, mas ao contrário da opção anterior, este programa também tem versão para Windows, então se você gostaria de fazer este trabalho através do sistema da Microsoft, também será possível. Consulte o site oficial para downloads e mais informações.

3 - Aegisub

Aegisub legendas no Linux

A interface é simples também, mas o Aegisub coloca várias coisas interessantes diretamente na frente, como a opções de formatação do texto da legenda, com cores, tamanhos e tipo de fonte bem  à mostra. Se comparado com os outros dois, a sua interface não parece tão simples, mas não se assuste por isso.

O Aegisub também está disponível nos repositórias oficiais da maioria das distribuições Linux, entretanto, caso você use Windows ou macOS, há versões para eles também, basta acessar o site para ter mais informações.

Bônus: Kdenlive

Editando legendas no Kdenlive

Claro, poderia ser qualquer outro editor de vídeo. Diferente dos demais, o Kdenlive não é feito exatamente para legendar, apesar de ser possível. Se a sua intenção é legendar um episódio de uma série, anime ou filme, ou mesmo uma palestra, enfim, vídeos mais longos, certamente o Kdenlive, ou qualquer outro editor não será a opção mais produtiva, porém, para legendar pequenos trechos ele pode ser muito eficaz, especialmente porque você pode renderizar o vídeo com a legenda diretamente dele.

Avidemux - Embutindo legendas em vídeos


Normalmente depois da trabalheira de legendar um vídeo extenso, salvamos o arquivo em formato comum de players de vídeo, comumente .srt, mas podem existir outros também. 

Você, obviamente, pode reproduzir o vídeo em um player e carregar a legenda como um arquivo sem maiores problemas, mas se a sua intenção é disponibilizar o vídeo já com a legenda, por qualquer motivo que seja, você terá de inserir ela no vídeo e renderizá-la junto.

Para fazer isso, o melhor programa que eu conheço é o Avidemux, isso não significa que ele é efetivamente o melhor para fazer o trabalho, é o melhor que EU conheço, mas ele faz muito bem seu trabalho. Se você conhecer outro bacana, fique à vontade para comentar.

Avidemux legendas

O Avidemux é também um editor de vídeos simples, mas tem a função de carregar legendas, o que permite que a gente consiga juntar o texto que produzimos antes no formato .srt com o vídeo em questão.

Provavelmente você vai achar o Avidemux na Central de Programas da sua distribuição, ou no repositório em si, sendo qual seja a sua ferramenta para instalar pacotes, contudo, neste caso eu recomento utilizar a versão disponibilizada no site através do formato AppImage, ele já vem com alguns codecs e possivelmente é uma versão mais atualizada que a do seu repositório.
Leia também: Como usar Apps no formato AppImage
Com o Avidemux aberto, você primeiro deve abrir o vídeo no qual a legenda deverá ser embutida. É importante que seja o mesmo vídeo que você usou como base na hora de criar as legendas com o Gaupol, Gnome Subtitles, Aegisub ou qualquer outro, pois assim os tempos estarão corretos e você não terá tanto trabalho para sincronizar as coisas.

Avidemux - Adicinando legendas

Para abrir o vídeo, basta ir no menu "File>>Open" e escolher o arquivo do vídeo, simples. Você também pode clicar na pastinha logo abaixo de "File".

Para adicionar o seu arquivo de legenda salvo antes, quando você o criou com um dos programas, clique no menu "Video>>Filters", a janela da imagem acima vai se abrir, selecione a opção "Subtitles" no painel da esquerda, no painel central haverá apenas uma opção, dê dois cliques nela e selecione através do gerenciador de arquivos o seu arquivo de legenda .srt (ou outro), se a importação e conversão deu certo, você verá o arquivo no painel da direita.

Só isso! Agora é só exportar o vídeo, vá até o menu "File>>Save", escolha o nome do arquivo final e a pasta de destino, também é possível mudar o formato e usar diversos encoders diferentes.

Agora você já tem o seu vídeo com legenda e tudo mais. 😀

Até a próxima!
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terça-feira, 18 de abril de 2017

Ubuntu Gnome deixará de existir e se fundirá com o Ubuntu

Essa é uma notícia que era de se esperar, eu até sugeri isso no vídeo sobre o fim do Unity, mas como ainda não haviam informações oficiais eu apenas especulei, porém, agora é diferente, sabemos o que vai acontecer com ambos os projetos.

Ubuntu Gnome




Ontem o Ubuntu 17.04 Zesty Zapus foi lançado, entretanto, seu lançamento foi completamente ofuscado pela notícia de descontinuidade do Unity, ainda assim, junto com ele todas as demais flavors da distribuição também foram lançadas simultaneamente, incluindo o que pra mim se torna a mais interessante de prestarmos atenção, o Ubuntu Gnome.

Juntamente com as notas de lançamento do Ubuntu Gnome, nós tivemos um comunicado muito relevante que nos dá a noção de como as coisas vão funcionar daqui pra frente por conta das futuras versões do Ubuntu Desktop voltarem a usar Gnome como interface padrão.

Como era de se esperar, a equipe do Ubuntu Gnome será integrada com a do Ubuntu Desktop (os remanescentes, pelo menos) e o Ubuntu Gnome deixará de existir como flavor oficial e passará a ser "o Ubuntu".

Uma das coisas comentadas por Mark Shuttleworth, criador do Ubuntu e da Canonical, é que o Ubuntu passaria a entregar um desktop "All Gnome", isso, como comentei em outro post, ficou ambíguo, pois será que o Ubuntu iria apenas empacotar o Gnome Shell default, assim como o Fedora faz, ou será que o Ubuntu voltaria a fazer customizações visuais como fazia na época do Gnome 2?

Eis uma grande questão, não? Até porque, identidade visual de um sistema é um ponto crucial para o marketing e branding da marca, certo? Bom, os nossos amigos e desenvolvedores do Ubuntu Gnome deram a entender que haverão sim, pequenas customizações para atribuir ao o Ubuntu, agora com Gnome, uma aparência "Ubuntu", talvez com cores e temas e possivelmente algumas extensões.

Como você acha que o Ubuntu com Gnome deveria ser?

Até a próxima!

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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Lançado Ubuntu 17.04 Zesty Zapus, confira as novidades faça o download!

O Ubuntu 17.04 Zesty Zapus está disponível para download, incluindo as flavors oficiais: Xubuntu, Lubuntu, Ubuntu MATE, Ubuntu Gnome, Kubuntu e Ubuntu Budgie. 

Veja como fazer o download!

Ubuntu 17.04 Zesty Zapus




O lançamento de Abril de 2017 será para o Ubuntu tão marcante quanto o lançamento de Abril de 2011, quando o Unity apareceu pela primeira vez no sistema, isso porque, dadas as notícias recentes, este será o último lançamento que terá a interface Unity por padrão na versão principal do sistema.

Ubuntu 17.04 Zesty Zapus


A versão 17.04 é uma versão intermediária do Ubuntu, neste ano ainda teremos a 17.10, que são duas das 3 releases que aparecem entre duas LTS. A versão LTS mais recente é o Ubuntu 16.04 Xenial Xerus que tem suporte até 2021, então, tecnicamente, você poderá utilizá-lo até o referido ano com o Unity, o suporte de segurança será mantido, ainda que a interface não seja aprimorada.

Assim como qualquer outro lançamento deste tipo, eu sempre recomendo as pessoas em geral a optarem pelas versões LTS, elas sempre terão pacotes mais estáveis e estarão mais debugadas, contudo, este lançamento novo pode servir para você fazer um "test drive" no Ubuntu Gnome e ver o que você acha da interface que deverá ser padrão do sistema em 2018. Claro, você também pode baixar o Ubuntu Gnome 16.04 LTS, se preferir.

Mediante a tanta coisa acontecendo, existem algumas implementações que virão juntamente com o novo Ubuntu, por exemplo, o arquivo SWAP, no lugar da partição, como noticiamos aqui, que acabaram passando despercebidas.

Os focos voltados para o Ubuntu Gnome


Como era de se esperar, a "grande estrela" do lançamento é o Ubuntu Gnome que nos dá um vislumbre do futuro, apesar de trazer o Shell mais recente, ele ainda terá pacotes mesclados por conta compatibilidade com o Ubuntu Unity, então existirão alguns programas "misturados", com versões 3.20 e 3.22, enquanto a maior parte será 3.24. Esse tipo de coisa deverá deixar de acontecer nos lançamentos futuros e o Ubuntu trará sempre a versão mais recente disponível do Gnome até a época de "freeze" do sistema.

Ubuntu Gnome 17.04

As outras flavors


As demais flavors do Ubuntu, como comentei neste artigo, receberam apenas atualizações dentro dos pacotes já presentes, menos o Ubuntu MATE que está à pleno vapor e criando novas soluções para o ambiente, e claro, temos o Ubuntu Budgie também, como caçula da família "buntu" que chega como uma flavor oficial.

Faça o download do Ubuntu 17.04 Zesty Zapus e também das Flavors


Todos estão disponíveis em 32 e 64 bits por download direto ou torrent, divirta-se!

Ubuntu 17.04


Diz aí! Você vai atualizar para essa versão do sistema? Já está usando? Compartilhe a sua opinião através dos comentários. Uma coisa interessante para se observar, ainda que não tenha relação técnica, é que o "ZZ do Zesty Zapus" encerra também o alfabeto, qual será o nome da próxima versão? 

Até a próxima!
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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Comunidade de usuários cria o Yunit, um fork do Unity 8

Agora que a "poeira" causada pela notícia bombástica de encerramento de grandes projetos como o Ubuntu para Smartphones e interface Unity pela Canonical está baixando, como todo bom projeto de código aberto, os projetos iniciados pela Canonical ganham continuidade pela comunidade de usuários.

Yunit Ubuntu




O projeto parece não ter avançado em absolutamente nada ainda, além de forkear o projeto da Canonical e disponibilizar em um repositório próprio no GitHub, mas também não era de se esperar muito mais que isso, dado o fato do abandono por parte da Canonical ser recente.

Ainda assim, além de informar que que o Unity8 continua, ou melhor, o "Yunit", continua, vale ressaltar o poder que um projeto de código aberto tempo. Desde que hajam pessoas capacitadas e com vontade de continuar, projetos de código aberto são praticamente "imortais".

Não posso julgar um trabalho que nem começou ainda, mas espero para ver o que vai acontecer, se esse pessoal vai se focar na convergência também ou vai se focar em criar uma experiência para Smartphones e Tablets apenas ou ainda focar no Desktop.

Querendo ou não, eu fiquei curioso para testar um Unity 8 com desenvolvimento completo no Desktop.

Até a próxima!
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terça-feira, 11 de abril de 2017

Mark Shuttleworth dá mais detalhes sobre o Gnome no Ubuntu 18.04 LTS e critica os críticos

Logo depois do anúncio feito por Mark Shuttlworth de que o Unity estava sendo descontinuado pela Canonical, tanto o Unity 8, quando o 7, assim como o Ubuntu para Smartphones e Tablets, a comunidade Ubuntu começou a debater o assunto, especialmente sobre a volta do Gnome, em sua conta no Google Plus ele conversou com os usuários do Ubuntu e explicou os motivos que o levaram a isso e o que podemos esperar do Ubuntu 18.04 LTS e versões futuras.

Mark Shuttleworth - Canonical Ubuntu




Um dos pontos que eu tinha levantado em um post recente era se o Ubuntu 18.04 LTS que foi prometido com a interface Gnome realmente iria trazer um Gnome Shell puro, semelhante ao que o Ubuntu Gnome atual nos traz ou se iria implementar novas funcionalidades ou até mesmo entregar um shell diferente para o Gnome.

Eu disse que caso isso acontecesse realmente - entregar o GNome puro - seria uma forma da Canonical dizer que o Desktop ficou em segundo plano e que as implementações para facilidade do usuário comum de desktop ficariam à cargo do Gnome mesmo, isso pra mim significa, mais do que uma troca de interface, a morte de um objetivo, que é um Desktop mais fácil por parte da Canonical, uma vez que este trabalho seria delegado.

Lendo os argumentos e comentários de Mark Shuttleworth eu consegui perceber várias coisas e tirar algumas dúvidas aparentes e é isso que vou compartilhar com você. Já quero adiantar que enquanto eu lia os comentários dele eu pensava: "Realmente concordo com tudo, mas não deixa de ser uma pena."

O fim do Ubuntu como o conhecemos?


O Ubuntu 18.04 LTS voltará ao Gnome, voltará ao Gnome Shell e será exatamente como o Ubuntu Gnome atual, ou seja, a Canonical de certa forma irá prover apenas o "back end" do sistema, sendo que toda a interação com o usuário ficará ao encargo do Gnome Destkop Enviroment, para obem ou para o mal. Como Mark comentou, a futura LTS do Ubuntu será "All Gnome".

Ele comentou que a intenção é apoiar mais fortemente o projeto Ubuntu Gnome e não criar nada que compita com qualquer outro ambiente ou no caso, com o Gnome puro, ele pareceu estar muito cansado de tentar criar algo diferente e ser criticado, e acabou falando mais sob estes temas.

Gnome e KDE poderiam ter participado ativamente do projeto de convergência


Apesar do Gnome voltar a ser o padrão, Mark disse esperar que a equipe de desenvolvimento da DE leve em consideração algumas ideias criadas para o Unity. Ele deu a entender algo que eu nunca tinha ficado sabendo e que nem tinha ouvido falar.

Segundo seus comentários, antes de iniciar o projeto de convergência com o Unity 8, ele teria procurado desenvolvedores do Gnome e KDE para trazer esta ideia de convergência onde poderiam trabalhar juntos, nos dois projetos eles disse que foi "grosseiramente rejeitado", ou seja, ele queria inicialmente trabalhar com uma destas interfaces para trazer o Desktop convergente para as distros GNU/Linux, mas não houve diálogos muito grandes, segundo ele.

No caso do Gnome a Red Hat mesmo deu a entender algo como: "Quem é você para dizer o que o Gnome tem que ser sendo que você não está colaborando com código", Mark comentou que achava até justa a posição, apesar de grosseira, e no caso do KDE, disse que não houve avanço neste sentido por conta do "medo" do líder do projeto na época que não parecia ser uma pessoa segura o suficiente para entender um projeto desta magnitude.  Claro, não sabemos realmente o que aconteceu, mas eu realmente não sabia que havia acontecido essa tentativa, o que me faz pensar no que aconteceria se um deles estivesse à favor, talvez o Ubuntu tivesse abandonado o Unity muito antes e adotado Gnome ou KDE Plasma, mas como isso não aconteceu, a Canonical resolveu bancar e levar o projeto sozinha até onde foi possível.

O que posso dizer? Independente do que aconteceu, admiro pessoas que batem no peito e realizam as coisas, admiro muito mais do que as que só falam e, literalmente, "cagam" regras.

Para aqueles que amam o Unity 7


Com um corte de praticamente metade dos funcionários, o Unity 7 como o conhecemos será mantido no repositório "universe" provavelmente, pelas informações de Mark, a Canonical não iria mais tocar o projeto, mas como qualquer outro projeto de código aberto, as pessoas interessadas estão convidadas a trabalhar sob ele e aprimorá-lo.

Isso significa que se você gosta do Unity 7 poderá utilizá-lo no Ubuntu 18.04 LTS, mas terá de instalá-lo por conta própria pois, pelo menos por enquanto, devido a notícia ser recente também, não existe qualquer iniciativa de criar um flavor oficial do Ubuntu com Unity.

O Mir não será utilizado no ambiente Gnome, mas a empresa pretende manter ele em desenvolvimento discreto, visto que ele já é muito bem utilizado em diversos projetos de Internet das Coisas, onde funciona muito bem, assim como os Snaps, que são uma forma muito simples e funcional de distribuição de software.

Problemas com a comunidade, especialmente os defensores de Software Livre


Essa é uma parte que eu me identifiquei pensando, "você não está sozinho", claro, guardadas as devidas proporções.

O ódio que o Ubuntu gerou dentro da comunidade de Software Livre é algo que ele disse que não entendia. Quando ele tentou criar uma nova interface marcante - que atingiu seu objetivo, diga-se de passagem, para o bem ou para o mal, o Ubuntu foi amplamente reconhecido visualmente por conta do Unity - criou um servidor gráfico novo (Mir), criou novos formatos de pacotes a comunidade ficou furiosa.

"Eu tentei criar coisas novas, coisas boas e as dei para comunidade totalmente de coração e código aberto sem custo algum e fui recebido com crítica imensas!

O conjunto de 'festa do ódio' em relação ao Mir confundia a minha mente, o Mir é um software livre e que faz algo que é invisível para o usuário muito bem. Mas as discussões em torno dele se tornaram tão irracionais quanto brigas políticas ou por mudanças climáticas, onde estar de um lado significaria obrigatoriamente ser contra qualquer outra iniciativa livre fazendo mais parecer que as pessoas tinham que escolher um lado e ser leal a ele sem entender que todos os projetos de código aberto podem trabalhar e aprender juntos.

Existe um grande problema na comunidade de Software Livre quando você percebe que existem membros que preferem odiar outras pessoas que trabalham muitas vezes com as mesmas coisas e objetivos, pessoas que escolhem odiar a amar o que alguém que se importa o suficiente para levar o seu trabalho como o sentido de sua vida e torná-lo disponível gratuitamente no intuito de levar a tecnologia para todos.

Todo esse ódio que aguentamos nos últimos anos, especialmente sobre o Mir, fez com que eu mudasse a minha opinião sobre a comunidade de Software Livre, questionando o que a palavra 'comunidade' significa para essas pessoas.

Eu costumava pensar que era um privilegio poder servir as pessoas que adoravam tanto quanto eu o que era servido, mas agora acho que muitos membros da comunidade de Software Livre são apenas pessoas anti-sociais que amam odiar o que é mainstream. Quando o Windows era mais popular do que qualquer outra distro Linux as pessoas focavam seu ódio nele, racionalmente, o Windows faz muitas coisas bem e merece o respeito por aqueles que o odeiam simplesmente por não estar no lado que eles mais gostam."

Eu mesmo não consegui entender pessoas comemorando o fim de um projeto como o do Ubuntu Phone ou o Unity, comemorando o fracasso de uma empresa que investiu em software livre deste a sua criação como se fosse um inimigo caindo.

Provavelmente são pessoas que nunca tentaram fazer algo desde tamanho devido ao seu pensamento estreito. O código pode ser aberta, mas a mente nem tanto.

Pessoas dizendo que "agora sim poderiam considerar usar o Ubuntu", apenas porque o Gnome voltaria a ser a interface padrão, como se o Ubuntu Gnome não existisse desde 2013 e o Gnome Shell pudesse ser instalado nele desde SEMPRE. Hipocrisia? Me diga você.

Quem precisa se preocupar com Microsoft e Apple quando a própria comunidade consegue ser mais tóxica do que qualquer manobra de mercado de uma das gigantes da tecnologia?

Alguns usuários de Linux (ops, GNU/Linux), gostam realmente de se sentir no clubinho dos especiais, talvez ele até realmente sejam, mas não da forma com que imaginam, if you know what i mean.

"Quando o Ubuntu se tornou Mainstream o foco do ódio mudou um pouco e recaiu sobre nós com muito mais força do que qualquer um gostaria, quando a Canonical se tornou mainstream o  ódio irracional recaiu sobre nossos projetos. Eu vi os mesmos "muppets" que reclamavam da dualidade de mercado que Android e iOS possuíam dizendo que eles precisam de uma concorrência e em seguida dizerem o quão terrível foi a Canonical estar investindo neste mercado (usando software livre!), então foda-se essa merda."

E este foi o desabafo feito por ele, só queria dizer que eu realmente entendo o que se passa. Com toda a modéstia que me cabe e toda a que você conseguir interpretar perante um texto, acredito que a maioria dos queridos leitores e leitoras não consiga imaginar o que significar estar "no mainstream", popularidade tem dois lados, um bom e um ruim e é preciso ter cabeça fria para lidar com críticas estúpidas, mas cansa, ô se cansa, por vezes você se pega perguntando até onde pode chegar a estupidez de julgamento de pessoas que nunca nem se quer te viram pessoalmente.

Pegando carona no depoimento de Mark Shuttleworth, eu sei o que significa tentar empreender sem apoio, sei o que é ver os ditos "líderes das comunidades" simplesmente não entenderem o que você está fazendo e te acusarem de todo o tipo de atrocidades, ainda que em sentido prático, é possível que tenhamos feito mais coisas boas paras as pessoas que eles mesmos.

Esquecem que gostamos e defendemos as mesmas coisas, talvez de formas diferentes, mas para algumas pessoas realmente "pensar diferente" significa inimizade, ódio, ser um adversário a ser combatido, mais do que qualquer outra pessoa que realmente tem ideias contrárias e sabe se lá o que mais. Isso me lembra mais intolerância religiosa do que programas de computador.

Mark deu a entender que o objetivo da Canonical é entregar o melhor software que for possível dentro do mercado onde eles são mais fortes e além disso, com o tempo abrir o capital da empresa para investidores e por isso projetos como o Unity que ainda não deram lucro não poderiam estar presentes e servir de argumento para convencer investidores a trabalhar com eles, por isso do corte de custos e do foco.

O Ubuntu acaba se tornando mais um "Fedora .deb", como eu vi um de vocês comentarem no nosso grupo no Facebook, e com objetivos semelhantes inclusive.

Mark parece estar simplesmente cansado de ter que lidar com pessoas que nunca foram além do seu mundo especial. Assim como um certo alguém que eu conheço.

O texto dele (e o meu) tem muitas generalizações, então certamente não são todos que se encaixam nestes parâmetros, falando por mim pelo menos, posso dizer que me sinto privilegiado de ter construído um público mais tolerante, compreensivo e otimista, que pensa de forma prática e objetiva, que compartilha do meu sentimento de poder levar tecnologia (de qualquer tipo) de forma acessível para quem estiver interessado, se não fosse por vocês eu já teria desistido. Por sorte eu amo o que faço.

Então, para o pesar de alguns "Xaatos", até a próxima! ;)
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domingo, 9 de abril de 2017

Como será o futuro do Ubuntu SEM o Unity?

Pois é pessoal, essa foi sem sombra de dúvidas as notícias mais "bombástica", por assim dizer, do ano no mundo Linux. Nós falamos e noticiamos o fim do Unity 8 e do Ubuntu Phone nesta semana e muitas pessoas se interessaram pelo assunto, foram mais de 60 mil acessos apenas neste artigo, mas algo que eu percebi na maior parte dos comentários foi uma dualidade entre pessoas que já não gostavam muito do Unity e/ou preferiam o Gnome e pessoas que gostavam do Unity e ficaram chateadas com a notícia.

O futuro do Ubuntu sem o Unity




Eu vou tentar brincar de "olho de Tandera" com você e te dar a "visão além do alcance", pois o fim do Unity (ou quase) pode mudar os rumos do Ubuntu como conhecemos, então, eu quero falar sobre as possíveis consequências desta decisão.



Uma grande surpresa!


Apesar dos mais pessimistas acharem que o Ubuntu Phone nunca teve realmente chance, para mim, a "causa mortis" do projeto foi ver o que a Samsung fez com o novo Galaxy S8 (não que tenha sido isso mesmo, mas o conceito que o envolve), além da necessidade de focar onde dá lucro. Sei que nem todos se encaixam aqui, mas se você já tentou empreender algum negócio sabe que esse tipo decisão difícil é sumariamente fundamental.

Convergência do Galaxy S8
Samsung Galaxy S8 no modo "convergente"

A Samsung trouxe para o Android a dita "interface convergente", uma marca forte, com Android, o sistema operacional mais utilizado do mundo, trouxe para o mercado exatamente o conceito que o Ubuntu Phone estava brigando para trazer, claro, com algumas diferenças, pois o Ubuntu com Unity 8 tinha a intenção de rodar aplicativos convencionais de Desktop nos Smartphones também, mas quando se olha em sentido prático, realmente o Android sai na frente, não há nem sequer competição.

Ainda assim, o anúncio de Mark Shuttleworth, criador da Canonical, pegou todos de surpresa, até então não havia sequer um indício de que o projeto fosse efetivamente acabar, ao menos, não de forma tão drástica.

Particularmente, como eu já tinha falado neste vídeo, a versão 18.04 LTS, que deve ser lançada daqui a um ano aproximadamente, faria o sucesso ou o fracasso do Ubuntu e do Unity 8, parece que Mark resolveu não apostar.

Desde que foi anunciado, o Unity 8 chamou a nossa atenção, o conceito de convergência, a nova aparência, novas funcionalidades, tudo isso despertou um interesse extremo no sistema.

Com o tempo e promessas adiadas, depois de pouco mais de 3 anos de espera, tivemos os primeiros aparelhos com Ubuntu, mas a versão destkop nunca ficou realmente pronta. Ao mesmo tempo que ansiedade pela nova interface aumentava no Desktop e os esforços eram concentrados nela, o Unity 7, versão utilizada no Destkop até então, acabou deixando de receber grandes upgrades como o Ubuntu teve outrora, deixou de incrementar funcionalidades, algo que é quase fatal para um sistema que busca mais e mais usuários, especialmente domésticos.

Paradoxalmente, o Ubuntu neste meio tempo ganhou mais popularidade do que nunca, tornou-se a distro Linux mais utilizada do mundo depois do Android, virou sinônimo de Linux na internet  e para a indústria, abarcou cerca de 40 milhões de usuários ao redor do mundo apenas na versão Desktop, ainda assim, as versões para servidor, cloud e IoT do Ubuntu fizeram ainda mais sucesso, Dustin Kirkland, gerente de produto da Canonical, chegou a afirmar que juntando todas as plataformas em que o Ubuntu estava presente, mas de 1 bilhão de pessoas eram usuários do sistema, de forma direta ou indireta e o Unity era facilmente reconhecido em fotos mundo à fora.

Realmente, fomos pegos de surpresa.

O Unity realmente acabou?


Neste momento eu gostaria de me atentar para um detalhe que pode ser divisivo e acabar com o Ubuntu da forma que o conhecemos, a distro simples e para usuários comuns no Desktop, então você precisa prestar atenção.

Tirando a Canonical, as outras duas principais empresas que mantém distros Linux de forma direta são a SUSE e a Red Hat, e o que ambas tem em comum? O foco empresarial em servidores e suporte. E o que mais elas tem em comum? Não tem um foco no usuário doméstico. Sacou?

Mark comentou em seu anúncio que o Ubuntu 18.04 LTS voltaria a usar Gnome e que o Unity 8 e o Ubuntu para Smartphones, assim como a convergência e o servidor gráfico Mir, tinham acabado, ainda que ele continuasse acreditando que esse é o futuro, a Canonical provavelmente não estaria nele. Aqui é que entram os detalhes das lacunas deixadas por ele.

Voltar a "usar o Gnome" não significa que o Ubuntu 18.04 LTS vá usar o Gnome Shell necessariamente, tecnicamente isso são coisas diferentes, ou ainda, não quer dizer que o Ubuntu vá ter o mesmo Gnome que o Fedora tem, por exemplo.  

Seria possível a Canonical criar uma interface em cima do Gnome Shell que tenha a mesma funcionalidade do Unity? Até porque ele disse que o Unity 8 tinha acabado, mas não falou nada sobre o 7 ou o que iria acontecer com ele.

Ontem eu estava brincando com o Ubuntu Gnome 17.04 Beta, que ainda receberá um vídeo para o canal, e com algumas extensões e temas eu fiz um "Unity" do Gnome, a usabilidade fica bem parecida até, dá uma olhada na aparência:

Ubuntu 18.04 Fake com GUnity?
Ubuntu 18.04 Fake com GUnity?

Não estou dizendo que é isso que vai acontecer, mas seria coerente pensar desta forma para não impactar os usuários de Unity demais e manter a usabilidade do sistema.

Por outro lado, se a Canonical estiver se tornando uma nova Red Hat ou SUSE eu tenho más notícias pros usuários comuns, me incluindo aqui.

Isso significaria que o Ubuntu para Desktops receberia um Gnome Shell "puro", assim como é o Ubuntu Gnome hoje em dia, e a preocupação com os usuários de Desktop diminuiria, de certa forma, desperdiçando o bom nome no mercado consumidor comum que o Ubuntu tem atualmente, coisa que até agora nenhuma outra distro conseguiu.

O Ubuntu para Desktop será o mesmo Ubuntu para Desktop que nós conhecemos? Ou será algo mais parecido com o Fedora que é um "campo de testes" comunitário do Red Hat Enterprise Linux?

Isso realmente só o tempo nos dirá, confesso que torço para que seja a primeira opção, caso contrário, não vejo mais motivos para usar o Ubuntu como sistema de Desktop indicando-o para qualquer tipo de usuário. Ele vai continuar sendo simples, fácil e tudo mais, como é agora, mas ferramentas facilitadoras e a preocupação com a experiência do usuário de Desktop mais básico não seriam mais preocupação, fazendo do Linux Mint, elementary OS, Deepin e do Manjaro (dependendo da evolução) opções mais interessantes para "arrastadores de mouse".

O que sobrará depois do Unity?


Existem muitas coisas importantes que irão se acabar com o final do Unity, isto é, do Unity 7 especialmente. Podemos lamentar pelo Unity 8, Mir e pelos Ubuntu Phones, mas ainda assim é algo que nós nunca realmente tivemos, então a sensação de perda é muito menor, não se pode dizer o mesmo da versão 7.

Como tanto o Unity 7, como o Unity 8, são projetos abertos, não seria de desacreditar uma continuação por uma comunidade interessada, como aparentemente já está acontecendo com o Unity 8, mas sinceramente, certos recursos do Unity 7 não estão presentes em nenhuma outra distro de forma nativa atualmente.

O HUD por exemplo, a ferramenta que permite que você pesquise dentro dos menus das aplicações apenas pressionando a tecla "Alt" é algo que eu não vi em nenhum lugar, o aproveitamento de espaço que o Unity tem é incomparável, afinal, não é somente "esconder as barras" e pronto, com o Unity além de ter todo o campo de visão você ainda tem todas as ferramentas do sistema a sua disposição, as barras das janelas que se integram com a barra superior e os menus globais são coisas muito boas também. Concentrar as ações no lado esquerdo da tela faz com que você precise mexer menos o mouse também.

Tirando isso, que são recursos que podem se implementados em outras interfaces, talvez no próprio Ubuntu mesmo com Gnome, o que se perde mesmo caso do Unity 7 e seu conceito de usabilidade e aparência deixem de existir completamente, é a grande marca que ele criou.

Veja bem, a maior parte das distros utiliza um ambiente gráfico que outras distros também utilizam, o Gnome do Fedora não é muito diferente do Ubuntu Gnome, do Gnome do SUSE ou do Manjaro, visualmente falando, e isso vale para qualquer outra interface, mas o Unity, além de ter um visual peculiar, remetia diretamente ao Ubuntu, do mesmo jeito que quando você vê uma barra em cima com uma dock embaixo você lembra do Mac, ou um painel inferior com um "menu iniciar" você lembra do Windows (ou do KDE), quando você via um sistema com barra na esquerda você associava ao Ubuntu, abandonar isso é ruim pra marca, ruim pro marketing, ruim pro Ubuntu. 

Para você ter uma ideia, tem gente que acha que qualquer Gnome é o Kali Linux, isso é um problema de falta de identidade mercadológica que fará muita falta pra qualquer sistema que queira atingir o usuário comum... a menos que essa não seja mais a intenção.

O meu receio e o meu anseio


Independente do que aconteça, o meu respeito pelo Ubuntu e pela Canonical continuam. Graças a eles (e talvez ao Google) é que eu posso trabalhar com tudo o que trabalho hoje em dia, eu tenho uma relação enorme de gratidão com o Ubuntu pelo que o Diolinux se tornou, foi falando do Ubuntu que as coisas começaram a acontecer na minha vida, foi quase uma retro-alimentação.

Meu receio é que com o abandono deste projeto (Unity) o Ubuntu deixe de receber incrementos de ferramentas para facilitar a vida do usuário comum. Antigamente, quando a Canonical lançou uma Central de Aplicativos no Ubuntu isso foi revolucionário, quando adicionaram uma opção para instalar drivers facilmente, isso foi igualmente revolucionário, criar o HUD e novas formas de interação foram diferenciais, mas nos últimos anos, desde 2014 aproximadamente, isso deixou de acontecer (muito em parte pelos esforços da equipe de engenheiros sobre o Unity 8), será que isso voltará a acontecer?

Meu anseio é para que sim! Além de torcer para que o sistema volte a ser revolucionário como sempre foi no Desktop, é bom ver que algumas coisas tomaram definição. Com o Mir fora da jogada finalmente o Wayland tem apoio de todas as distros mais famosas e quem sabe ele se desenvolva mais rápido, será mais fácil até mesmo para as empresas que desenvolvem drivers, além disso, os Snaps vieram pra ficar, de todos os projetos que iniciaram por conta da convergência, este foi o que deu mais certo.

Os pacotes Snaps são uma forma simples de distribuir softwares para Linux (isso mesmo, qualquer distro) e podem permitir que mais desenvolvedores tenham interesse em liberar programas para o sistema graças a existência deste padrão. Sei que existe o formato FlatPak também, mas particularmente acho que os Snaps, além de um nome melhor (marketing é tudo), possuem maior facilidade de operação e manuseio, além de já possuir um grande repositório se comparado com a iniciativa concorrente.

O fim do Unity pode significar um recomeço ainda mais forte para o Ubuntu nos Desktops ou a sua despedida de vez, deixando o trono para outras distros derivadas provavelmente.

Vale lembrar que o Unity 7 permanecerá ativo com o Ubuntu 16.04 LTS até 2021 pelo menos, que é quando o seu suporte deve terminar, então, caso você queira continuar usando a interface, você ainda tem bastante tempo desde que mantenha esta versão do sistema sempre atualizada.

Eu continuarei a usar o Ubuntu, talvez com menos intensidade no futuro dependendo do que aconteça, mas o Ubuntu sempre será a distro que consegue sacudir o mundo Linux e o Mark Shuttleworth sempre será o cara que não tem medo de sonhar, tentar, arriscar, errar, voltar atrás e fazer tudo de novo. Talvez falte um pouco dessa gana na gente mesmo, não é?

É como se diz, se você nunca falhou em nada, talvez nunca tenha tentado fazer algo realmente grandioso.

O que você acha de tudo isso? Até a próxima!
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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Adeus Unity! Canonical abandonará interface e Ubuntu voltará à interface Gnome!

O fim de uma era se encerra meus amigos! Pelas palavras do próprio Mark Shuttleworth, criador do Ubuntu e da Canonical, "é hora de crescer e olhar para o futuro" e aparentemente, o futuro é sem o Unity, tanto o 7, quanto 8. A próxima LTS do Ubuntu que sairá em 2018 já trará a nova "velha" interface no sistema, o Gnome Shell.

Ubuntu 18.04 LTS virá com Gnome




Espera! Espera! Primeiro coloca tocar essa música e depois continua lendo!


O chefão da Canonical, Mark Shuttleworth, publicou no site de Insights do Ubuntu uma notícia que abalou o mundo open source, o fim do Unity, o fim do Mir e o fim do Ubuntu para Smartphones!

Exatamente! Depois de praticamente 7 anos de desenvolvimento, a interface Unity que causou tanta controvérsia está deixando o Ubuntu. A mudança é mais radical e corajosa do que se possa pensar.

Mark informa em seu texto que o Ubuntu é líder em servidores, internet das coisas e é o sinônimo de Linux para o mercado consumidor final, disse que ainda acredita que a convergência seja realmente o futuro, mas que neste campo provavelmente a Canonical não estará atuando. Existiriam vários fatores de mercado que dificultariam essa investida e dinheiro gasto em desenvolvimento que não tratá retorno tão cedo não parece ser uma boa ideia.

Mark Shuttleworth

É preciso muita coragem para parar todos os projetos, respirar e dizer: Vamos deixar quase uma década de trabalho para trás e focar nos resultados. Recentemente eu diz um vídeo comentando os pontos que eu acredito serem os principais responsáveis pela popularidade do Linux (ou a falta dela) no mercado, no vídeo eu comentei que acreditava que a Canonical iria "tomar um rumo" em breve, caso o Unity 8, Ubuntu Phone, etc dessem certo no mercado mobile seria A VITÓRIA, ou simplesmente abandonando o barco e focando onde dá mais lucro, servidores e internet das coisas, resumidamente, assim como Red Hat e SUSE fazem hoje em dia, o que aumenta o meu receio sobre como será o Ubuntu para desktops daqui pra frente. Bom, o "titio" Mark resolveu parar tudo antes que muito dinheiro fosse gasto em algo que levaria anos para ser funcional e perderia completamente o timing do mercado.

E o "Dionatan Diná" estava certo, só não pensei que teríamos a confirmação tão cedo.

Junto com o abandono do projeto Unity, vão embora também o projeto do Ubuntu para dispositivos móveis, o que remove um setor inteiro da empresa praticamente, assim como o servido gráfico Mir, Mark comenta que a próxima LTS do Ubuntu, o Ubuntu 18.04 que sairá em Abril do próximo ano já conterá a interface Gnome Shell como padrão, voltando às raízes.

Coisas que não ficam claras


O motivo da Canonical se voltar para o mercado que lhe dá mais lucro não chega a ser segredo, é um tanto quanto óbvio que essa seria uma manobra esperada de qualquer empresa que preze pelo seu patrimônio, contudo, será que estaremos vendo o Ubuntu para Desktops morrer?

Mark diz que não: O Ubuntu Desktop é parte importante do projeto, entretanto, colocar o Gnome de volta como interface padrão também trará uma menor carga para o desenvolvimento da interface, uma vez que ela é comunitária, deixando a Canonical focar mais onde lhe interessa, a questão para mim é, será que ainda teremos investimentos nesta área por parte da empresa? 

Quando digo "investimentos", quero dizer recursos facilitadores de configuração que tornaram o Ubuntu mais fácil de ser utilizado, ou ele simplesmente "seguirá o fluxo" ficando mais parecido com o projeto Fedora em relação ao Red Hat?

O que acontecerá com o projeto Ubuntu Gnome? Com essa decisão, o projeto parece perder a sua utilidade e membros da equipe poderão integrar a nova equipe de desenvolvedores do Ubuntu Desktop?

O que podemos tirar de bom disso tudo?


Eu sou um otimista, ainda que o Unity tenha sido a minha interface preferida durantes os últimos anos, a volta do Gnome como interface padrão pode resolver alguns "problemas", como por exemplo: Agora todos sabem que o novo servidores gráfico será o Wayland e ponto final, Mir está fora da jogada e os esforços podem ser concentrados em um padrão novamente, o que eu acho ótimo, no entanto so Snaps do Ubuntu continuam e eles me parecem mais funcionais e fáceis de serem manuseados que os pacotes FlatPak do projeto Gnome, poderíamos padronizar aqui novamente, fica mais fácil para todos, certo?

Então, sai Unity, sai Mir, fica Snap, até porque o empacotamento é ótimo para internet das coisas e servidores.

Outro aspecto positivo é que a Canonical voltará a apoiar ativamente um Desktop Enviroment comunitário, fazendo com que ele se desenvolva mais rápido, pelo menos, assim esperamos.

Ubuntu Gnome 17.04


Eu cheguei a testar o beta do Ubuntu Gnome 17.04, inclusive, teremos vídeo em breve no canal sobre os betas, e de certa forma, ali temos um vislumbre do futuro agora mesmo! Gostei do que ví, eu cheguei a ser um usuário ativo do Gnome logo que o Gnome 3 foi lançado até a versão 3.4, depois mudei para o Unity e não saí mais, então me adaptar a interface de volta não seria um grande problema, acredito, entretanto, outras distros como o Linux Mint e o Deepin talvez tomem o posto do Ubuntu de vez como distribuições para "Desktop Medium User", visto a gama de trabalho embarcado nelas para torná-las extremamente amigáveis para o usuário final, só o tempo dirá.

O que você achou das mudanças?

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quarta-feira, 5 de abril de 2017

OpenShot 2.3 é lançado com nova ferramenta Picture in Picture e mais recursos

Quem está procurando um editor de vídeos relativamente simples para usar no Linux pode encerrar as suas buscas pelo OpenShot. Apesar de simples, ele vem adicionando recursos interessantes para facilitar ainda mais e automatizar a produção de editores de vídeo caseiros, confira as novidades que a versão 2.3 traz para você.

Nova versão do OpenShot video editor




Eu acho o OpenShot perfeito para quem quer fazer edições simples, cortar um vídeo aqui, colocar uma transição ali, colocar uma música de fundo, etc. e apesar isso, ele ainda permite algumas construções mais avançadas, especialmente depois deste último lançamento.
OpenShot 2.3

Jonathan Thomas, o principal desenvolvedor do editor, liberou um vídeo onde ele explica e demonstra um pouco mais das novidades desta versão:


O grande diferencial desta nova versão parece ser mesmo a ferramenta de transformação fácil, que permite que você crie até mesmo animações de movimento de forma simples, com movimentos baseados em keyframes, porém, sem a necessidade de conhecimento avançado nesse tipo de recurso.

Outra coisa que não posso deixar de comentar é a volta da ferramenta de tesoura para cortar os clipes (razor tool), sim, o OpenShot sempre permitiu cortes, mas desde a versão 1.4.3 que o ícone de tesoura deixou de existir, obrigando a usar a tecla de atalho "Ctrl+K" para fazer os cortes, algo que para produção pode ser até eficaz, mas para o público leigo complica um pouco, aliás, o atalho continua funcionando, com a diferença de que agora só o usa quem quiser.

Existem várias outras mudanças interessantes que você pode consultar diretamente do site oficial do editor de vídeos, basta clicar aqui, tem alguns exemplos bem legais.

Instalação do Ubuntu e outros sistemas


O OpenShot possui versões para distros Linux, macOS e Windows, sendo que todos os arquivos que você precisa para instalar ele no seu computador são encontrados na página de download do projeto, incluindo até mesmo o código fonte da aplicação.

Em termos de "Linux", o OpenShot é distribuído oficialmente apenas de duas formas, através do AppImage (para qualquer distro) e através de PPA para o Ubuntu e seus derivados.

Quem já usa o PPA ppa:openshot.developers/ppa só precisa manter o sistema atualizado para ter a última versão do aplicativo. Quem não tem, basta adicionar:
sudo add-apt-repository ppa:openshot.developers/ppa
sudo apt-get update
sudo apt-get install openshot-qt
Lembrando que este PPA é somente compatível com o Ubuntu 14.04 LTS ou superiores e ainda é uma versão Beta, apesar de estar funcionando muito bem. Quem não gosta muito de usar o terminal, pode instalar sem usar o terminal usando o AppImage ou usando ferramentas gráficas.

Até a próxima!
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domingo, 2 de abril de 2017

Ubuntu mais leve, mais rápido e mais estável: Veja como construir um "Diolinux OS"

Olá pessoal, como estão? O post de hoje deu um certo trabalho de ser feito, mas acredito que vai ser de grande valia. Temos motivos e objetivo (no singular mesmo).

Os motivos para o post são vários; ajudar quem enfrenta muitos bugs no Ubuntu, quem acha que o sistema está com desempenho baixo e poderia melhorar, mostrar como eu fazia as otimizações do Diolinux OS (já falo mais disso! 😉), e o objetivo é um só, melhorar a sua experiência com o Ubuntu, especialmente com o Unity, fazendo o sistema ficar mais rápido, mais leve e otimizado.

Ubuntu Otimizado!




Para você que começou a acompanhar o blog Diolinux (ou o Canal) há pouco tempo, isso talvez seja uma novidade, mas há alguns anos atrás eu costumava remasterizar o Ubuntu e distribuir a versão remasterizada para a comunidade, eu chamava o projeto de "Ubuntu Diolinux Edition", mas com o tempo as pessoas começaram a chamar ele de "Diolinux OS" e assim ele acabou ficando para a posteridade, claro, sempre tinha a galera da zoeira que chamava ele de "DOS" (Diolinux OS), fazendo alusão ao antigo sistema da Microsoft. 😁

A última versão foi em 2014 com o Ubuntu 14.04 LTS e além de incluir as otimizações que eu vou te ensinar hoje, ele também incluía uma seleção diferente de aplicações. Claro, como ele é feito sobre a LTS do Ubuntu, que tem suporte até 2019, tecnicamente ele ainda é utilizável, ainda que eu prefira a versão 16.04 atualmente.

Lembre que é um tutorial feito de acordo com o meu gosto e tudo que está aqui não precisa ser seguido à risca como um manual, mas espero lhe fornecer informações que você desconhecia no meio do caminho.

Vamos começar a otimizar o sistema... desde o princípio


Eu vejo algumas vezes os amigos lá do grupo do Diolinux no Facebook reclamarem sobre os "bugs" do Ubuntu, ou que o sistema é pesado, etc, etc. Sinceramente, muitas vezes parece que não usamos a mesma distribuição, porque... ou eu tenho muita sorte e essas coisas nunca acontecem comigo, ou eu faço alguma coisa que a maioria não faz. Pensando nisso e procurando uma forma de ajudar quem está sofrendo com essas dificuldades, vamos falar sobre a construção de um sistema para o seu trabalho ou diversão.

Definindo seu sistema a interface


Quando você diz que um sistema operacional ou um software é "pesado", a que você se refere exatamente? Tem gente que entende "pesado" como quantos GB você tem que baixar de um game para poder rodá-lo, assim, um game de 40 GB é "pesado" e um de "20 GB" é mais leve em comparação, tem gente que entende "pesado" como quanta memória RAM o sistema ou o programa gastam.

Esse aspecto, do que é pesado, é importante que você tenha muito claro. O que é "pesado" para você, aliás, o que é "pesado" para o seu computador? Você pode ter muita RAM e processador fraco, ou ter ambos bons e um placa de vídeo ruim, ou ter todos eles meia boca e ter um SSD que acaba compensando em outros aspectos, por isso, veja esse vídeo antes de continuarmos:



Analisando isso, você já terá uma ideia melhor de que caminho seguir. Vejo algumas pessoas compararem distribuições que usam outra interface com o Ubuntu Unity, o que é uma comparação válida, porém injusta até certo ponto. É obvio que um Manjaro XFCE será mais leve que o Ubuntu com Unity, mas a diferença não será muito grande se você comparar com o Xubuntu, que é o Ubuntu com XFCE.

- Mas, "leve" em que sentido Dionatan?

- No sentido de fluidez com placas gráficas precárias.

Então, antes de mais nada, saiba escolher a interface apropriada para o seu computador, entenda que o "projeto Ubuntu" não se resume ao Unity e ele é apenas uma das interfaces que você pode utilizar, ainda que seja a principal, e por isso, foco do nosso artigo.

Nem sempre o Ubuntu será a melhor escolha, fato.

Mas isso não quer dizer que simplesmente mudar de distro ou interface vá resolver o seu problema, como eu falei aqui:



Bom, depois desta pequena (ou não), porém necessária, introdução, vamos ao que interessa, que são as otimizações.

Otimizando o Ubuntu e mais algumas dicas para evitar problemas


Você pode aplicar estas correções no seu Ubuntu em produção, porém, recomendo que você faça uma instalação do zero e otimize o sistema desde o início, mas é uma escolha sua, então não vou "dar  muito pitaco" no que você decidir fazer.

Depois de otimizar o sistema, procure evitar usar PPAs demais, use apenas de locais que você confia e quando realmente for preciso. Evite instalar várias interfaces gráficas diferentes ao mesmo tempo e especialmente, mexer em configurações que você não sabe exatamente para que servem, misturar interfaces GKT com Qt até funciona, mas acaba instalando várias bibliotecas extras que não seriam necessárias e acabam misturando elas com o restante do sistema, ainda que Snaps e Flatpaks veem a nossa salvação nessa hora.

 A popularidade do Ubuntu gerou uma série de tutoriais e artigos na internet que nem sempre vão funcionar 100%.

- Ué, mas Linux não é aberto justamente para isso, pra gente mexer?

- Com certeza! Mas lembre de fazer testes em um sistema para testes, em máquina de produção, você busca estabilidade! Ou deveria pelo menos.

Como estou mostrando como eu costumo construir os meus sistemas, com bons resultados inclusive, recomendo você sempre utilizar uma versão LTS, atualmente utilizo o Ubuntu 16.04 LTS para a maior parte das minhas atividades, incluindo games no PC, então recomendo que você faça o mesmo, baixe a versão mais recente do Ubuntu diretamente no site, ela já virá com um Kernel atualizado, se você for baixar hoje mesmo, no momento deste post, o Ubuntu 16.04 LTS virá com o Kernel 4.8.

Obs: Quem busca tecnologia mais recente, pode usar as versões mais recentes sem se atentar para as LTS, porém, que fique dito que elas tendem a ser mais instáveis, o que não quer dizer que problemas vão ocorrer com todos. Existe uma regra que diz: Programa recém lançado, problema dobrado. Afinal, os desenvolvedores ainda não tiveram muito tempo para otimizar ele, seja qual for, seja qual sistema for, não vale apenas para o Ubuntu.

Baixe o Ubuntu por aqui, prefira baixar por torrent para evitar problemas com a ISO e instale o sistema dando preferência para deixar a partição /home separada do restante se for possível, mesmo em um SSD. A partição raiz pode ter poucos GB, dependendo do seu uso, como por exemplo, uns 10 ou 15 GB. Você só irá precisar de mais espaço na raiz se for instalar algum programa que seja instalado grosseiramente em algum dos diretórios raiz que não forem a Home, como o Nuke do The Foundry, mas aplicações em geral concentram o "grosso" de seus arquivos de configuração na sua Home, então é nela que deve ficar o espaço. Se você tiver espaço e "paranoia" quanto a isso, deixe um pouco mais, mas dificilmente você chegará nos 30 GB. Prefira também versões de 64 bits do Ubuntu, mesmo com "pouca" RAM.


Dito isso, há mais uma coisa que você pode considerar que é a instalação do Ubuntu Minimal, o Ubuntu Minimal tem uma instalação e funcionamento semelhante ao Arch Linux em alguns aspectos, mas ainda assim o instalador é gráfico, ainda que mais simples que o Ubiquity (instalador tradicional do Ubuntu). No caso de utilizar o Ubuntu Minimal, você escolherá quais pacotes farão parte do sistema, tudo o que você tem à princípio são recursos básicos, um terminal, um kernel e um repositório, então neste caso, se algo der errado, provavelmente a culpa é sua! xD

Mas em fim, caso você opte pela instalação mínima do Ubuntu, recomendo evitar meta-pacotes, pois não adianta muito você querer escolher pacotes e usar meta-pacotes para instalar o sistema.

- Dionatan, o "que ser" meta-pacotes?

- Meta-pacotes são pacotes que respondem por um conjunto maior de pacotes. Exemplo, para instalar todo o destkop do Xubuntu no seu Ubuntu Minimal, você teria que instalar o XFCE4, programas que rodam na interface, como players, editores de texto, central de aplicativos, entre outras coisas. Isso, além de exigir conhecimento detalhado do nome de todos os pacotes, leva muito tempo, para isso é que existe o meta-pacote chamado xubuntu-desktop. Rodando o comando sudo apt install xubuntu-desktop dentro do seu Ubuntu Minimal você vai acabar com um Xubuntu igual ao que você baixaria do site, pois o xubuntu-desktop é um meta-pacote para instalação de todos os pacotes que compõe o Desktop do Xubuntu.

É isso que quem usa Arch Linux normalmente faz. Claro, se você "manja dos paranauê" é possível compilar todo os sistema, de um jeito próximo com o que você faria com o Gentoo, mas ainda assim menos agressivo, entretanto, como esse requer muita explicação, fica para outra hora.


Então, evite usar meta-pacotes se a sua intenção for escolher a dedo o que vai no seu sistema; claro que alguns pacotes possuem dependências, como por exemplo:

- Se você instalar apenas o pacote Unity e não o ubuntu-desktop, ele vai puxar mais algumas coisas, mas ainda assim será mais light do que o Ubuntu completo.

Agora você deve estar pensando: É isso que você faz para otimizar o sistema?

Não mesmo! Eu sou, hoje em dia, um "baita" de um preguiçoso para falar a verdade. Tanto que até o Ubuntu e o Mint estão "difíceis" de mais pra mim e eu to me achando muito bem com o Deepin.

Então o que eu faço é baixar o Ubuntu como você baixa normalmente, a ISO completa do site e desmontar e ajustar o sistema.

Fazendo uma analogia com carros, "eu não sou o cara que monta o "possante" do zero, eu sou cara que tuna e coloca nitro ele depois de pronto".

Temos nosso ponto de partida, um Ubuntu 16.04 LTS com Unity recém instalado


Acho que a primeira coisa que vamos fazer é remover do Ubuntu aquela sensação de que sempre tem um bug acontecendo.  Você já deve ter percebido que o sistema de reportar bugs do Ubuntu é um tanto quanto sensível, "fresco", para usar outros termos. Qualquer coisinha e o apport mete a cara! Bom, apesar de isso ser bom, do ponto de vista da engenharia, assim qualquer bug mínimo é reportado, isso pode deixar os usuários meio chateados e com a impressão de "buguntu", como alguns dizem.

A verdade é que esse sistema de Apport de erros da Canonical é fui feroz e te mostra coisas que você nem percebe que estão acontecendo. Quantas vezes isso apareceu sem você perceber qualquer erro?

O "treco" aparece ali e você pensa: "mas o que foi que bugou?", pois é, apesar de não muito frequente comigo, já vi isso acontecer.

Entenda que, até onde eu saiba, as outras distros em geral não tem um sistema de report de erros tão ativo e não é porque o seu sistema não te mostra uma falha que ela não existe. Agora, se você é o tipo de pessoa que já não reporta tanto as falhas, que tal desligar essa "miséria" e deixar do Ubuntu te dar a sensação de "imbugável" que outras distros que não tem isso te dão?

Eu faço uma equivalência disso com o lance das pessoas que gostam de monitorar FPS nos games, as vezes parece que o game não roda bem porque você fica só olhando os drop de frames, quando na verdade se você parar de exibir os FPS na tela você acaba jogando sem problemas.

É relativamente simples, você encontra aqui um tutorial explicando como desabilitar o Apport, e para melhorar, vamos também remover o sistema de report de erros, para que o Ubuntu não "caia em tentação". Abra o terminal (Ah! É, vai ter bastante terminal neste artigo, para a sua diversão, é claro), e removA o Whoopsie.
sudo apt remove whoopsie
Revendo o Whoopsie e o Apport, somente bugs graves serão acusados. E claro, se você é tipo que gosta de reportar bugs para ajudar no desenvolvimento, além de manter isso ativado, pode ser interessante que você aprenda a reportar bugs específicos. 

Vamos otimizar o Unity!


O que significa otimizar o Unity? Significa fazer com que ele gaste menos recursos gráficos da sua placa de vídeo e também significa fazer a interface consumir menos memória RAM, além de ficar mais ágil. Tenha em mente uma coisa, efeitos, animações e um pouco de beleza estão de lados opostos em uma barra onde o outro lado é velocidade e precisão.

Tenha em mente também que você não precisa executar tudo o que está neste tutorial, se preferir escolha apenas alguns passos, eu sempre vou dizer as consequências de cada ação.

O Unity é um plugin do Compiz, o Compiz é compositor de janelas do Ubuntu padrão, então vamos instalar uma ferramenta para poder configurar este compositor que tem muitos recursos e firulas, mas não se preocupe, vamos otimizar algumas coisas apenas, sem comprometer a usabilidade da interface.

Para instalar o Compiz Config Settings Manager rode o seguinte comando:
sudo apt install compizconfig-settings-manager
Você encontra o aplicativo no menu do Unity.

Abrindo ele procure pelo menu "OpenGL" e dentro dele mude o "Filtro de Textura" de "Bom" para "Rápido", isso vai mudar a qualidade visual do Unity, mas nada muito perceptível, entretanto, vai aumentar o desempenho e velocidade da interface.

OpenGL configuration in Compiz

Volte uma etapa e procure por "Ubuntu Unity Plugin", ele é o responsável pela barra lateral e superior do sistema basicamente, então tome cuidado para não desconfigurá-lo. Aqui temos opções diferentes dependendo da sua preferência e do nível de otimização desejada.

Configuração do Compiz

Foque a sua atenção para duas configurações:

Dash Blur: Onde você escolhe como funcionará o Blur no menu do Ubuntu (Dash), por padrão temos o "Active Blur", que dá um efeito muito bonito mas que maltrata um pouco os chips gráficos mais fracos, então mude para "Static Blur" ou "No Blur", teste os dois e veja a diferença, um vai deixar o blur constante e o outro vai tirar ele.

Enable Low Graphics Mode: Essa segunda opção é mais radical, ela vai deixar o Unity sem transparências praticamente, o que é muito bom para processadores gráficos fracos, ou até os fortes, desde que você não se importe muito com isso. É essa opção que eu uso normalmente para trabalhar.

Qualquer uma dessas opções pode ser facilmente desfeita voltando até o mesmo menu e recolocando a configuração original.

Volte para as configurações do Compiz e agora desça um pouco até as sessão de "efeitos", vamos desligar as animações do Unity, isso vai deixar ele funcionando de uma forma bem simples, nada de janelas deslizando para minimizar e nem nada.

Animações Compiz

Quando você desmarcar essa opção as janelas vão congelar por um instante, isso é normal, aguarde alguns segundos e tudo deverá voltar ao normal e mais uma vez você estará poupando a sua GPU, caso deseje os efeitos de volta é só marcar a opção novamente.

Agora você já pode fechar o programa para configurar o Compiz, vamos trabalhar na velocidade com que as janelas abrem e fecham. Sim, até isso você pode mexer. Existe um delay nisso que pode ser completamente removido, tornando o minimizar e restaurar praticamente instantâneo.


Vamos falar de outra coisa que vai fazer uma grande diferença no seu Ubuntu, drivers!

Basicamente, podemos dividir essa parte entre usuários de placas Nvidia e usuários de Intel ou AMD. 

Instalar os drivers corretos e atualizados pode fazer uma grande diferença, assim como o Mesa.




Swap em disco?


Aqui temos duas situações, você pode ter muita RAM e não precisar de SWAP, ou você tem pouca RAM e neste caso o SWAP pode ser útil. Mesmo em caso de que tem muita RAM, 8GB ou mais, dependendo um pouco do uso, quem tem 4GB também se encaixa, você vai precisar de SWAP somente se utilizar programas muito pesados, como máquinas virtuais, editores de vídeo e coisas do tipo.

Em todos os casos, SWAP em Disco é a mais comum forma de usar memória de troca, porém, swap em disco também tende a ser mais lenta, a menos que você use um SSD (leia sobre SWAP em SSDs aqui), em todo caso, eu gosto de usar o ZRAM, é uma forma muito mais interessante de criar uma área de troca na memória RAM do computador.


Ubuntu comedor de memória RAM?


Sistemas modernos podem se dar ao luxo de consumir mais, eu já expliquei algumas vezes o quanto a quantidade de RAM com a qual um sistema inicia só realmente importa para quem tem pouquíssima memória, neste aspecto, é muito mais importante a forma com que o sistema gerencia a memória do que os seus níveis de consumo.

Se você se "assusta" com o Ubuntu Unity que inicia com 700 à 800 MB não queira ver um macOS, mas ao mesmo tempo, você não vê o macOS travar mesmo usando quase "toda" a memória já de arrancada, por que será? Antes de continuarmos, veja este vídeo:


Um sistema operacional é formado por vários processos e são estes processos que consomem RAM, em resumo, quanto mais automático o sistema for, mais RAM ele tende a gastar, quanto mais "manual" e simples ele for, menos ele consome, é simples assim. Não é a toa que sistemas com o princípio KISS (Keep It Simple, Stupid!) tendem a "agir" desta forma.

Digamos que o seu Ubuntu inicie com 800 MB de RAM no boot, e se eu disser que podemos reduzir um 300 MB sem desligar coisas muito importantes?

Aliás, aqui vai uma dica. Coisas que são inúteis para mim podem ser úteis para você e vice e versa, então deixe apenas o que você precisa, faça uma análise cautelosa e sempre pesquise o que cada processo faz antes de desativá-lo.

Sabe aquela olhada que o mecânico dá no motor do seu carro? Vamos fazer o mesmo com o gerenciador de tarefas, abra o "Monitor do sistema" no menu do Ubuntu e filtre por memória os aplicativos que mais usam recursos.

Monitor do sistema

Só daí dá pra você ter uma noção do que está consumindo mais memória, na imagem acima existem alguns aplicativos que estão presentes porque eu mesmo abri eles de forma voluntária, como o "Gedit" e o próprio "gnome-system-monitor", que é a própria aplicação que estamos olhando, no entanto, dá para você ver ali várias aplicações que iniciaram junto com o sistema que não são necessárias, como o gnome-software, que nem está aberto propriamente e é o campeão de consumo.

Vamos desligar tudo de inútil na inicialização do sistema e você verá que alem de ganhar alguns segundos, especialmente quem usa HD tradicional e não SSD, na inicialização do sistema, além de alguns MB a menos de arrancada.

O primeiro passo você tem a fazer é exibir as entradas ocultas nos aplicativos de sessão para que você possa desligar tudo o que não lhe é útil. 


Não posso te dizer exatamente o que desligar, mas posso mostrar o meu computador e dar alguns exemplos. Muitos dos aplicativos que aparecem não estão no Ubuntu padrão e provém de aplicações que eu mesmo instalei para utilizar, como Dropbox, entre outros.

Abra o programa "Aplicativos de sessão" no Ubuntu depois de ter seguido o tutorial para exibir as entradas.

Inicialização Ubuntu

Acessibilidade pode ser desligada, a menos que você utilize ou tenha alguém que utilize o computador e possua alguma deficiência e necessite deste recursos, compartilhamento de área de trabalho também não precisa iniciar com o sistema, quando você abrir o Remmina ele mesmo vai se ativar novamente, assim como os compartilhamentos de arquivos pessoais, a menos que você tenha alguma pasta em rede que está mapeada por outros computadores.

Monitor de cópia segurança é o Deja-Dup, uma ferramenta de Backup que vem com o Ubuntu que  eu não vejo ninguém utilizando, acredito que você possa desligar também sem maiores problemas, a menos que você use tal ferramenta. O notificador de atualizações também pode ser desabilitado, com ele desligado, o Ubuntu não vai mais te avisar quando houverem atualizações para fazer, ficará a seu cargo rodar o aplicativo "Atualizador de Programas" ou rodar o "apt update && apt upgrade" no terminal para ver se existem atualizações e fazer as mesmas.

Inicialização Ubuntu

O Onboard e o Orca Screen Reader também podem ser desligados na inicialização, a menos que exista, novamente, alguém com necessidades especiais para a digitação, ou seja o caso se você usar o Ubuntu numa tela sensível ao toque e prefira que o teclado digital inicie já ligado, fora isso, pode desligar.

O Software do Gnome também pode ser desligado, sinceramente não sei nem porque ele inicia junto com o sistema, acredito que justificativa seja do monitor de atualizações de pacotes que aparece na aba "Atualizações" na Ubuntu Software, e por último, o Zeigeist DataHub.  Esse cara monitora os aplicativos que você abre na Dash do Unity para mostrar sugestões na Scope Home do Dash, particularmente não uso essa função muito, então eu desligo, mas é com você.

Tudo o que foi desmarcado pode ser simplesmente marcado de volta caso você sinta falta de algo, além disso, como eu comentei, você pode querer aplicativos  a mais ou a menos inicializando, é algo bem pessoal.

Calma que não acabou!


Além disso, existem alguns processos que são completamente inúteis a menos que você use determinadas funções. Se você não usa o cliente de e-mails Evolution, a Agenda do Ubuntu ou as contas online, pode remover este pacote:
sudo apt remove evolution-calendar-factory
Só ele consome aí brincando uns 80 MB. Se você não se importa em usar as funções de busca por arquivos na Dash do Unity, pode remover todo o serviço de indexação de arquivos dali e usar somente a busca por aplicativos instalados removendo o seguinte pacote:
sudo apt remove zeitgeist-core
Removendo essa opção até o ícone de "Privacidade" some da Central de Controle pois não tem mais nada pra indexar a não ser os aplicativos.

Pode parecer besteira, mas o indicador de teclado e o indicador de bluetooh também consomem memória, os dois juntos também chegam perto dos 80 MB. O indicador de bluetooth só será útil se você usar esse tipo de tecnologia, ainda assim, quando você conectar um aparelho ele vai aparecer (ou você pode configurar através do painel de controle), já o ícone de entrada de teclado eu acho mais inútil para a maioria, afinal, você usa normalmente apenas um teclado e não vários, então pode tirar eles dali sem medo, qualquer coisa é só colocar de volta.

Para fazer as modificações, abra o menu e digite "Bluetooh" para aceder as configurações, basta desmarcar a opção indicada.

Desabilitando entrada de bluetooth no Ubuntu

Para ajustar a entrada de teclado é parecido, digite no menu do Ubuntu "Entrada de texto", e no aplicativo desmarque a opção indicada.

Entrada de texto Ubuntu

Otimizando o tempo de download do pacotes do Ubuntu


Os servidores da Canonical são bem rápidos, mas você pode baixar ainda mais rápido escolhendo um servidor (mirror) que estiver mais próximo de você, isso vai fazer com que o download de pacotes e atualizações seja muito mais rápido.


Outra dica que pode ser utilizada, mas que eu particularmente não utilizo, é utilizar o apt-fast no lugar no apt-get, é quase como baixar pacotes tradicionais do Ubuntu por torrent.

E já que estamos falando de baixar coisas mais rápido, você pode deixar a sua internet carregando as páginas mais rápidas escolhendo um servidor DNS mais veloz e apropriado para sua localização.

E falando em rapidez (é, ainda não acabei), se você usa o LibreOffice, faça alguns ajustes para fazer ele abrir na "velocidade da luz".

Programas inúteis, remova-os!


Como eu disse, eu prefiro desmontar o sistema do que montá-lo, então, algo que você pode fazer para liberar espaço em disco e evitar de ter coisas que você não vai usar no seu sistema é remover programas que você não usa. Agenda, Paciência, Thunderbird? Se você não usa, "rapa" eles fora!

Ubuntu Software

Vá na Ubuntu Software, na sessão de instalados, analise tudo o que você usa e não usa, o que pode ser útil e o que é inútil para você e remova as inutilidades. Se você não sabe o que o programa faz, sempre pesquise antes, mas você vai reparar que no final da lista existem os aplicativos de sistema que não são recomendados para remoção, pois podem acabar quebrando os sistema. Cada pessoa tem suas necessidades, então diverta-se limpando o "lixo".

GDebi evita estresses


A Gnome Software é meio zoado as vezes, não só no Ubuntu, mas toda distro que pude testar, toda vez que você vai instalar um .deb ou um .rpm que precisam de dependências a Central de Software da uma boa de uma empacada e acaba criando arquivos de lock dentro do apt, te impedindo de executar comandos e outras coisas relacionadas ao manuseio de pacotes, aí, ou você reinicia ou remove eles manualmente antes de continuar.

Para contornar eventuais chatices deste tipo nós podemos usar o GDebi, ele é um utilitário gráfico para instalar pacotes deb, o Mint usa, o Debian usa, o Deepin usa. É simples e funciona.
sudo apt install gdebi
Quando precisar instalar um pacote .deb, clique com o botão direito no pacote, vá em "abrir com" e selecione o GDebi.

Deixando seu hábito de ajudar


O Preload é um daemon que monitora os programas e bibliotecas que você mais usa e pré-carrega eles na inicialização. Eu sei que eu te mostrei até agora como tirar coisas na inicialização, mas essa ferramenta com o tempo, "aprendendo" seu hábitos, pode deixar os programas abrindo mais rápido.

Como tudo neste tutorial, é uma escolha que você faz, se quiser usar:
sudo apt install preload

Evitando flickering e "tretas" no Google Chrome


O Google Chrome "pisca-pisca" é um problema que já me aconteceu, isso normalmente ocorre onde a sua GPU é muito requisitada e ela não dá muito conta do recado por qualquer motivo que seja, para evitar isso, podemos desabilitar aceleração de GPU dentro do Chrome, tem um tutorial aqui no blog sobre isso.  Isso deixa o Chrome até mais estável na minha opinião.

Obs: Claro que se você estiver economizando cada bit de RAM, melhor não usar o Chrome, mas eu gosto e utilizo há muitos anos, é meu navegador preferido por vários motivos, aliás, boa parte do meu trabalho reside no Chrome e seus recursos, então pra mim, ele é indispensável até o momento, se ele funcionar bem, pode até levar toda a minha RAM que eu não me importo.

Controlando melhor a sua bateria


Dica para quem usa Notebooks e quer alguns minutos a mais de bateria, você pode usar o TLP para otimizar a vida útil dela e usar o CPUFreq indicator para controlar o clock do seu processador.

Limpando a sujeira


Depois de fazer toda essa "baderna" de instalação e remoção é útil fazer uma faxina no sistema, você pode usar o "Stacer" para isso. E uma dica extra, no Stacer tem a função de controlar processos na inicialização também, então você pode otimizar a inicialização por ele também, desabilitando tudo o que você não quiser, e lembre, sempre pesquise antes de desabilitar alguma coisa. (gravou bem essa?)

Você pode fazer uma faxina assim também:
sudo apt autoclean
sudo apt autoremove
Mas alguns arquivos de cache, como de programas comuns como navegadores, serão limpos melhor através do Stacer ou outra ferramenta como o Bleachbit.

Pra galera do "Menos memória no boot é MAIS"


Depois de realizar todos  estes processos, ou alguns deles, reinicie o computador e lembre de mantê-lo sempre atualizado, não só para otimização, mas para segurança também. Para ter uma noção do consumo de RAM do Ubuntu com Unity depois destas modificações de modo "puro" eu removi também os aplicativos que eu adicionei, como Dropbox, entre outros, e o resultado foi este:

Ubuntu consumo de RAM

Temos aí na imagem o consumo de 494 MB de RAM, isso que o próprio terminal gasta quase 30 MB, mas observe com atenção os campos de memória livre e principalmente a memória colocada em cache, em cache nós temos nada mais, nada menos, do que 443 MB, o que significa que as aplicações ativas estão usando somente 53 MB! Acho que tá bom pros "mendigos de RAM" 😆. Brincadeiras à parte, menos que isso você só vai conseguir usar uma interface que não tenha tantos recursos e um sistema menos automático.

É claro que isso não "conta" muito, afinal, não me importa o quanto sistema gasta no boot, e sim o quanto ele gasta rodando, mas é uma prova interessante de que até mesmo o "pesadão" do Ubuntu pode ser "leve" em RAM.

Programas mais leves e finalizando


Se você ainda assim está preocupado com a leveza do sistema em termos de consumo de RAM, processador e GPU, uma outra dica muito válida, além de procurar interfaces mais leves, ou até outras distros que se encaixem melhor no seu gosto, é usar programas mais leves! Existem alternativas para todos eles, players, editores de texto, navegadores, gerenciadores de arquivos, gravadores de DVD, gerenciadores de e-mail, etc.

E com isso você extrai o máximo do máximo do Ubuntu (com Unity).

Até a próxima!
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sexta-feira, 31 de março de 2017