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Os Apps mobile como conhecemos estão morrendo?

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sábado, 28 de outubro de 2017

Quando a Apple lançou seu primeiro smartphone em 2007, eles nem imaginavam o impacto que ele teria na indústria móvel. Além de ser o primeiro Smartphone da companhia, esse lançamento também marcou o nascimento do mercado de Apps de terceiros (que, ironicamente, não eram suportados oficialmente pelo dispositivo). Em 2008, tendo testemunhado o sucesso destes “Apps”, a Apple lança oficialmente a sua AppStore e partir daí começa a construir um dos braços dessa industria milionária que hoje o pessoal de Cupertino divide majoritariamente com a Google e o seu Android.

O futuro dos Apps Mobile







Avançando para 2017, nós temos lojas de aplicativos para todas plataformas, oferecendo inúmeros aplicativos para tudo e mais um pouco. Desde aplicativos de qualidade de vida, até de produtividade,  e coisas realmente inúteis, como um aplicativo de ventilador... 😑

As lojas de “apps” tornaram-se repletas à medida que cada vez mais os desenvolvedores de aplicativos tentam ganhar dinheiro com essa moda que emplacou nos últimos anos, Apps para TUDO.

Apesar dessa crescente, de acordo com a empresa de pesquisa “BI Intelligence”, “o boom dos aplicativos móveis acabou”. Hora vejamos... será mesmo? Se realmente for, então o que isso significa para o mercado dos aplicativos? Estarão os “Apps móveis morrendo?" Vamos observar alguns fatos.

O estudo da “BI Intelligence” declara que o volume médio de downloads dos top 15 desenvolvedores de aplicativos, tanto da plataforma da Apple, quanto na da Google, caiu 20% no último ano. Isso se deve a vários motivos aparentes, apesar de a teoria mais popular é a de as pessoas já não procuram aplicativos especializados e preferem escolher 1 aplicativo apenas que tenha várias funcionalidades, ao invés de 5 aplicativos que podem fazer o mesmo, mas com interfaces diferentes e as empresas (algumas ao menos) já sabem disso, veja o que o Facebook vem fazendo com Instagram, WhatsApp e o Messenger, tirando o Instagram que tem um propósito ligeiramente diferente, todos tem basicamente os mesmos recursos, fazendo com que, pelo menos em tese, você só precise de um deles se estiver em busca apenas de funcionalidades.

Um reflexo disso é que vejo cada vez menos pessoas falando em algo que estava na ponta da língua de todos há algum tempo atrás, o Snapchat. Agora o Instagram tem a cada dia mais recursos semelhantes e alguns até a mais, se compararmos. Tá percebendo? Quando as pessoas tiverem que escolher entre um e outro geralmente vão escolher o que tiver mais funcionalidades.

Para agravar esse problema, a experiência web é cada vez melhor e as pessoas conseguem acessar facilmente ao mesmo tipo de conteúdo em seus browsers, enquanto que antes tinham de usar um aplicativo para ter uma experiência confortável. Podemos até mencionar o próprio Facebook aqui como um dos exemplos, conheço muitas pessoas que passaram a acessar a rede do Smartphone através do Browser e não do App, fazendo com que se economize também um espaço na memória interna do aparelho, que já anda bem lotada na maior parte dos casos.

Esse aspecto é algo que a indústria dos cassinos móveis e websites como Casino.org abraçaram, com uma quantidade de jogos populares no mercado que podem ser acessados a partir do browser do seu celular, ultrapassando a necessidade de download e atualizações sem fim por parte do consumidor.

Adicionalmente, muitos dos aplicativos estão repletos de anúncios e, por isso, não é de admirar que as pessoas utilizem o seu browser quando necessitam de fazer algo rápido e eficientemente.

Curiosamente este aspecto de acessar conteúdo na nuvem também está relacionado com outra vertente, a qual não vou me aprofundar neste artigo, que é a dos Chromebooks. Por fim, o último "prego no caixão do mercado dos aplicativos", segundo a pesquisa, é o surgimento de novas plataformas como a tecnologia “wearable” e sem tela, que são dispositivos vestíveis, como Smartwatches e demais, cujos desenvolvedores se focam em simples e intuitivos (e muitas vezes incorporados) aplicativos com funcionalidades básicas e sem o incômodo de anúncios e notificações sem fim, até pela questão de conforto em lidar com este tipo de coisas em telas mínimas ou inexistentes.

Aplicativos vestíveis

Então é isso? Os aplicativos estão mesmo morrendo? No geral, eu diria que morrer é uma palavra muito forte, mas de fato o mercado está mudando. Faça uma reflexão aqui comigo e veja se você não se encaixa também.

Há alguns anos atrás (quando você comprou o seu primeiro Smartphone talvez) era comum você vasculhar e instalar Apps para simplesmente testar ou estender recursos do próprio software que vinha no aparelho. Quer um exemplo? Programas para fotografia.

Atualmente boa parte dos sistemas operacionais já carrega um App de câmera capaz de fazer pequenas edições nas imagens, aplicar filtros e realizar reparos, em alguns casos, quando o hardware permite, esses Apps te dão inclusive acesso ao ajuste manual para que a foto saia exatamente como você quer. Há não muito tempo atrás você iria precisar de Apps de terceiros para ter estes recursos. Hoje você baixa muito menos Apps, só instala o que você realmente gosta e precisa e costuma ser fiel a uma certa gama de Apps que você se acostumou a usar.

No meu caso, eu diria que o tipo de App que tem mais rodízio no meu Smartphone são games, os demais são os mesmos há muito tempo!

Apesar de o número de downloads ter atenuado no último ano (ou seja, não continuou a moda exponencial em que estava), o lucro dos aplicativos viu um aumento de 40% em 2016, indicando que "nem tudo está perdido" e indicando que a forma com que se ganha dinheiro com os aplicativos vem mudando também. Muitas vezes eles vão se tornar pontos de acesso para um serviço que vai ser a real fonte de lucro, como a Netflix por exemplo, que ganha dinheiro não com o App em si, mas com o serviço para o qual o App serve de ponte de interação.

O mundo dos aplicativos está passando por um renascimento, uma evolução. Entregar conteúdo único e principalmente não atrapalhar o usuário com anúncios e distrações, além de trazer funcionalidades realmente úteis parece ser o caminho mais saudável atualmente, além disso, fornecer uma interface simples e que não dependa tanto de atualizações para melhorias pode ser outro caminho interessante.

O que você acha? Você percebeu essa mudança na forma com que os Apps são tratados? Percebeu a mudança na forma com que você utiliza os aplicativos? Deixe seu comentário.

Até a próxima!

Fonte

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O que você ainda não entendeu sobre Linux

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domingo, 4 de junho de 2017

Existe uma grande confusão ainda sobre "o mundo Linux", como a gente chama, e que eu acho necessário desfazer, ou ao menos tentar desfazer. A maior parte de vocês entende que Linux é um Kernel, mas talvez não entendam o que isso realmente significa. O último vídeo do Diolinux Responde, o quadro de perguntas e respostas do canal, recebeu um comentário que me fez querer fazer este material.

Linus Torvalds



Como você pode ver, o comentário na verdade não tem nada demais, eu até concordo com o Thiago, que fez o comentário em alguns pontos, porém, quero aproveitar a forma com que ele colocou a sua opinião para explicar para você o que é Linux realmente.


A intenção por trás disso é fazer com que você entenda quem você deve cobrar num caso como este.

Eu vejo muitos comentários deste tipo por aí:

- Por que Linux não compatibiliza com os programas do Windows?

- Por que Linux não é compatível com programas da Adobe?

- Por que Linux não entra no mercado de celulares?

- Por que Linux não investe em interfaces convergentes?

- Por que Linux não faz drivers para a Razer?

- Por que Linux não faz uma assistente pessoal como a Cortana ou a Siri?

- Por que Linux não faz isso? Por que não cria aquilo?


Acho que deu pra você entender o ponto, será que é  por falta de vontade, competência ou dinheiro ou realmente tem algo mais? 

Será que você não está levantando este questionamento simplesmente pelo fato de você ainda não ter entendido o que realmente Linux é ou qual é a sua área de atuação?

Saber isso é importante, não para que você não cobre "o Linux" para ter as coisas que você queria, mas para que você cobre as pessoas e projetos certos.

Eu acho que uma forma simples de você entender é comparar sistemas operacionais com carros.
Como você já deve ter ouvido falar, Linux é um Kernel, o Kernel é uma parte de um sistema operacional que pode ser considerada o núcleo dele, é onde estão os drivers de dispositivos, é a parte do sistema operacional que faz com que os programas que você usa consigam acessar recursos de hardware, ele é o responsável por fazer com que a musica que você está executando em um player seja transmitida para as caixas de som do seu computador, e este é só um exemplo.

Podemos comparar o Kernel ao motor e a parte elétrica de um carro


O kernel seria um dos componentes principais do carro, no sentido de fazer ele andar, claro, e também seria responsável por fazer o computador de bordo do carro funcionar; quando você aperta um botão para ligar o ar condicionado, o Kernel faria com que ele ligasse.

É isso que o Linux é, um Kernel "apenas", diferente da Microsoft e da Apple que vendem o carro inteiro para você, e entenda como um carro o Windows e o outro carro o macOS, Linux é apenas o motor.

Você não deveria cobrar o fabricante do motor pelo carro não vir com airbag, pelo simples motivo do fabricante do motor não ser o cara que coloca airbag no carro, não é ele quem decide.

Microsoft e Apple tem o monopólico completo de seus sistemas operacionais, do Kernel aos ícones, então a empresa tem a capacidade de modificar absolutamente tudo o que quiser.

Já o Linux, bom... podemos resumir os objetivos de Linus Torvalds, criador do Kernel e líder mantenedor atualmente, juntamente com a sua equipe, em apenas 3 coisas a cada lançamento.

- Otimização

- Limpeza de código antigo (que não deixa de ser otimização)

- Suporte a novos hardwares


Um carro completo, que use o motor Linux é chamado de distribuição, o Android, o Ubuntu, o Debian, o Red Hat, o SUSE são exemplos de carros que usam o motor Linux.

Se o que você deseja é um recurso gráfico, uma ferramenta para o desktop, você deve cobrar os projetos que realizam esse tipo de coisa. Se você quer uma assistente pessoal, cobre as distros e não o Kernel.

Talvez associar o Kernel Linux como o motor e o carro completo como uma distro que usa componentes de vários outros fabricantes independentes faça você entender que uma distro Linux é normalmente criada de forma segmentada. O pneus vem de um fabricante, o volante vem de outro, a transmissão vem de outro, os bancos vem de outro, a carenagem vem de outro, etc...

Então se você quer um recurso novo para o volante do seu carro, além de cobrar a distro, você pode cobrar o fabricante do voltante em si.

Exemplo: Você quer que o leitor de PDF da sua distro tenha suporte a edição de PDF também, você pode cobrar a distro que empacota este software para encontrar uma solução para o problema, ou pode cobrar diretamente a comunidade ou empresa que desenvolve o leitor de PDF.

Uma vez entendida a situação, isso nos leva a outro ponto. Que é a cobrança.

Cobrança

Eu falei muito em cobrar, mas acho que é preciso fazer algumas considerações sobre o assunto.

O que significa "cobrar", do meu ponto de vista, se você quer algo de diferente, vá e entre em contato com os desenvolvedores, ou ao menos tente. Entre no site do projeto, mande e-mails, procure descobrir quem trabalha nele e procure contatos no Linkedin, no Facebook, em blogs pessoais, em fim, quando você realmente quer ajudar a melhorar você provavelmente vai encontrar um jeito. Isso pode até fazer com que você crie uma nova e boa network de contatos.

Outra consideração importante a se fazer é que você tenha a noção de que a maior parte destes projetos é tocada por voluntários e doações, o Debian, o Ubuntu, o Mint, acredito que eles nunca tenham te cobrado para que você pudesse baixar o sistema operacional deles, mesmo que sejam poucos dólares ou reais, você sempre pode baixá-los gratuitamente e pode desfrutar de seus recursos e segurança.

Aí eu vi em algum comentário alguém dizendo que "não é porque alguém nos oferece merda de graça que a gente tem que aceitar".

Não com certeza, não, até porque não é nem uma comparação coerente, especialmente porque ninguém está te obrigando a utilizar nada, se não está do seu agrado, se está ruim, você sempre terá a liberdade de experimentar outra coisa e mudar.

Eu apenas acho que é bom ter a compreensão de como as coisas funcionam, aprender a se colocar no lugar dos outros é um ótimo exercício, e não digo apenas no mundo Linux.

Pegue o seu emprego como exemplo, você trabalharia de graça ou sem saber exatamente quanto vai receber apenas para ajudar as pessoas? É uma pergunta que requer um pouco de reflexão sem dúvida, e eu não vou fechar esse ponto aqui, então você pode usar os comentários para responder se quiser.

Por mais altruísta que você possa ser, acima de tudo você é um indivíduo com necessidades próprias, e nada é de graça. 

Se você tiraria um pouco do seu tempo para criar algo e dar de graça para pessoas eu não sei dizer, mas é exatamente isso que muitas das comunidades Linux fazem, acho que é algo para se pensar... não utilize isso que eu falei como argumento para não cobrar, mas use para cobrar de uma forma mais educada quem sabe, não esqueça que essas pessoas que fazem os programas que você usa, cada um deles, cada ícone, também SÃO PESSOAS como você, com seus próprios problemas e afazeres e muitas vezes fizeram esse programa indispensável para sua vida tirando dinheiro do próprio bolso, ou usando o seu tempo livre, que pra mim é praticamente a mesma coisa.

O que nos leva a outro ponto pra finalizar, não faz sentido você ser contra as pessoas ganharem dinheiro fazendo o que gostam e ajudando outras pessoas. Acho que inconscientemente a gente tem a noção de que quando estamos ajudando não podemos cobrar por isso, mas cobrar uma quantia justa pode ajudar a tornar aquele produto ou serviço ainda melhor e ainda assim a um preço acessível e ajudar ainda mais pessoas e de forma melhor, incluindo quem desenvolve que pode melhorar de vida.

Você provavelmente não acha que seria pagar muito, pagar digamos, uns 10 reais pela distribuição que você mais gosta, muitos talvez até topariam pagar muito mais que isso, mas é muito provável que você nunca tenha doado nem se quer 1 real para o projeto que você cobra de que existam funcionalidades. 

Não é uma desculpa, é uma questão de lógica, você já deve ter ouvido a famosa frase, "não existe almoço grátis", é bem por aí. Claro que essa não é a única forma de ajudar, financeiramente, você pode ajudar simplesmente divulgando também

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Edição de vídeo com Blender, uma ferramenta poderosa e pouco explorada!

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quarta-feira, 3 de maio de 2017

O Blender 3D é uma ferramenta extremamente poderosa e gratuita que você pode utilizar no Windows, no Linux e no macOS, um de seus vastos recursos é a edição e a composição de vídeo, vamos falar um pouco sobre isso.

Blender para edição de vídeo



O texto à seguir foi escrito pelo nosso professor do Diolinux EAD, Júlio César Fernandes Neto, confira:

Olá. É a primeira vez que escrevo para o blog Diolinux, então agradeço ao Dionatan pela oportunidade de conversar com vocês sobre edição de vídeo com Blender.

Nos segmentos dominados por soluções proprietárias, o uso de pirataria se amonta. Mas o uso de pirataria frequentemente é uma tentativa de se manter na zona de conforto. Não há problema algum se você prefere as soluções proprietárias, cada um possui as próprias necessidades. Mas por que não expandir o espectro de alternativas?

A dominância de mercado não possui relação linear com a qualidade de um produto. Sendo assim, muitas pessoas tardam a buscar alternativas que podem lhes livrar de um custo financeiro, ou das dores de cabeça da pirataria.

Confira também: Blender Velvets para edição de vídeo.

Eu produzo vídeos para o YouTube, a série chamada Cosmos de Carlos Sagaz (uma homenagem em forma de paródia para Cosmos, de Carl Sagan). Eu usava o pacote Adobe, mas estava disposto a substituir todas as minhas soluções por alternativas gratuitas, especialmente após o After Effects ter apresentado uma falha que quase deitou a perder cenas nas quais eu já havia investido muito tempo. 

Para minha imensa surpresa, surgiu o Blender.

Blender é um programa de manipulação 3D, e é muito poderoso. A Blender Foundation de tempos em tempos lança curta-metragens feitos com Blender, claro. Um exemplo muito bacana é o curta Sintel, que está disponível no YouTube. Não apenas no YouTube, pois você pode baixar todo o projeto 3D usado, e estudá-lo. Atualmente está em produção o filme Agent 327, o plano é lançá-lo como um longa-metragem nos cinemas.


Blender não é apenas - como se isso fosse pouco - um manipulador 3D. Ele também possui um compositor de vídeo. Isso significa que ele tem potencial no mínimo parelho ao After Effects. Mas há um detalhe adicional muito relevante. After Effects é um compositor 2D, com alguma capacidade 3D. Blender é nativamente 3D, isso significa que ele faz o que a solução da Adobe não faz.

Além de composição, o Blender também possui um editor de vídeo, que é meu ponto neste artigo. O compositor tem por finalidade a criação de efeitos digitais sofisticados, enquanto a premissa de um editor é simplesmente criar uma sequência temporal para o vídeo (inclusive importando as cenas feitas no compositor), adicionar transições e efeitos que sejam simples o bastante para não exigir um compositor. O editor de vídeo do Blender apresenta RGB parade e outros tipos de gráficos que nos ajudam muito a controlar cor e contraste. Também é possível adicionar máscaras e efeitos animados via keyframes e camadas de ajuste, apenas para exemplificar alguns atributos presentes no Blender que são considerados avançados. Sem falar as meta strips, que possuem fim semelhante às Sequences no Premiere.

Montei acampamento no compositor do Blender por ele ter idiossincrasias que me agradaram muito, como os atalhos nativos e a maleabilidade da linha de tempo. Também fiquei surpreso com a estabilidade do programa, coisa que não senti em minha experiência com Kdenlive.

Há uma série de fatores, subjetivos e objetivos, que nos fazem escolher tal ou qual solução. Deixo então, como palavras finais neste artigo, um convite para que experimentem o Blender como seu editor de vídeo e, quiçá, como seu manipulador 3D.

E se você está pensando: "Poxa, seria bacana um curso sobre isso!" Bom, você não perde por esperar, fique ligado no blog e no canal Diolinux nos próximos dias.

Até a próxima!
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Mark Shuttleworth dá mais detalhes sobre o Gnome no Ubuntu 18.04 LTS e critica os críticos

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domingo, 9 de abril de 2017

Logo depois do anúncio feito por Mark Shuttlworth de que o Unity estava sendo descontinuado pela Canonical, tanto o Unity 8, quando o 7, assim como o Ubuntu para Smartphones e Tablets, a comunidade Ubuntu começou a debater o assunto, especialmente sobre a volta do Gnome, em sua conta no Google Plus ele conversou com os usuários do Ubuntu e explicou os motivos que o levaram a isso e o que podemos esperar do Ubuntu 18.04 LTS e versões futuras.

Mark Shuttleworth - Canonical Ubuntu




Um dos pontos que eu tinha levantado em um post recente era se o Ubuntu 18.04 LTS que foi prometido com a interface Gnome realmente iria trazer um Gnome Shell puro, semelhante ao que o Ubuntu Gnome atual nos traz ou se iria implementar novas funcionalidades ou até mesmo entregar um shell diferente para o Gnome.

Eu disse que caso isso acontecesse realmente - entregar o GNome puro - seria uma forma da Canonical dizer que o Desktop ficou em segundo plano e que as implementações para facilidade do usuário comum de desktop ficariam à cargo do Gnome mesmo, isso pra mim significa, mais do que uma troca de interface, a morte de um objetivo, que é um Desktop mais fácil por parte da Canonical, uma vez que este trabalho seria delegado.

Lendo os argumentos e comentários de Mark Shuttleworth eu consegui perceber várias coisas e tirar algumas dúvidas aparentes e é isso que vou compartilhar com você. Já quero adiantar que enquanto eu lia os comentários dele eu pensava: "Realmente concordo com tudo, mas não deixa de ser uma pena."

O fim do Ubuntu como o conhecemos?


O Ubuntu 18.04 LTS voltará ao Gnome, voltará ao Gnome Shell e será exatamente como o Ubuntu Gnome atual, ou seja, a Canonical de certa forma irá prover apenas o "back end" do sistema, sendo que toda a interação com o usuário ficará ao encargo do Gnome Destkop Enviroment, para obem ou para o mal. Como Mark comentou, a futura LTS do Ubuntu será "All Gnome".

Ele comentou que a intenção é apoiar mais fortemente o projeto Ubuntu Gnome e não criar nada que compita com qualquer outro ambiente ou no caso, com o Gnome puro, ele pareceu estar muito cansado de tentar criar algo diferente e ser criticado, e acabou falando mais sob estes temas.

Gnome e KDE poderiam ter participado ativamente do projeto de convergência


Apesar do Gnome voltar a ser o padrão, Mark disse esperar que a equipe de desenvolvimento da DE leve em consideração algumas ideias criadas para o Unity. Ele deu a entender algo que eu nunca tinha ficado sabendo e que nem tinha ouvido falar.

Segundo seus comentários, antes de iniciar o projeto de convergência com o Unity 8, ele teria procurado desenvolvedores do Gnome e KDE para trazer esta ideia de convergência onde poderiam trabalhar juntos, nos dois projetos eles disse que foi "grosseiramente rejeitado", ou seja, ele queria inicialmente trabalhar com uma destas interfaces para trazer o Desktop convergente para as distros GNU/Linux, mas não houve diálogos muito grandes, segundo ele.

No caso do Gnome a Red Hat mesmo deu a entender algo como: "Quem é você para dizer o que o Gnome tem que ser sendo que você não está colaborando com código", Mark comentou que achava até justa a posição, apesar de grosseira, e no caso do KDE, disse que não houve avanço neste sentido por conta do "medo" do líder do projeto na época que não parecia ser uma pessoa segura o suficiente para entender um projeto desta magnitude.  Claro, não sabemos realmente o que aconteceu, mas eu realmente não sabia que havia acontecido essa tentativa, o que me faz pensar no que aconteceria se um deles estivesse à favor, talvez o Ubuntu tivesse abandonado o Unity muito antes e adotado Gnome ou KDE Plasma, mas como isso não aconteceu, a Canonical resolveu bancar e levar o projeto sozinha até onde foi possível.

O que posso dizer? Independente do que aconteceu, admiro pessoas que batem no peito e realizam as coisas, admiro muito mais do que as que só falam e, literalmente, "cagam" regras.

Para aqueles que amam o Unity 7


Com um corte de praticamente metade dos funcionários, o Unity 7 como o conhecemos será mantido no repositório "universe" provavelmente, pelas informações de Mark, a Canonical não iria mais tocar o projeto, mas como qualquer outro projeto de código aberto, as pessoas interessadas estão convidadas a trabalhar sob ele e aprimorá-lo.

Isso significa que se você gosta do Unity 7 poderá utilizá-lo no Ubuntu 18.04 LTS, mas terá de instalá-lo por conta própria pois, pelo menos por enquanto, devido a notícia ser recente também, não existe qualquer iniciativa de criar um flavor oficial do Ubuntu com Unity.

O Mir não será utilizado no ambiente Gnome, mas a empresa pretende manter ele em desenvolvimento discreto, visto que ele já é muito bem utilizado em diversos projetos de Internet das Coisas, onde funciona muito bem, assim como os Snaps, que são uma forma muito simples e funcional de distribuição de software.

Problemas com a comunidade, especialmente os defensores de Software Livre


Essa é uma parte que eu me identifiquei pensando, "você não está sozinho", claro, guardadas as devidas proporções.

O ódio que o Ubuntu gerou dentro da comunidade de Software Livre é algo que ele disse que não entendia. Quando ele tentou criar uma nova interface marcante - que atingiu seu objetivo, diga-se de passagem, para o bem ou para o mal, o Ubuntu foi amplamente reconhecido visualmente por conta do Unity - criou um servidor gráfico novo (Mir), criou novos formatos de pacotes a comunidade ficou furiosa.

"Eu tentei criar coisas novas, coisas boas e as dei para comunidade totalmente de coração e código aberto sem custo algum e fui recebido com crítica imensas!

O conjunto de 'festa do ódio' em relação ao Mir confundia a minha mente, o Mir é um software livre e que faz algo que é invisível para o usuário muito bem. Mas as discussões em torno dele se tornaram tão irracionais quanto brigas políticas ou por mudanças climáticas, onde estar de um lado significaria obrigatoriamente ser contra qualquer outra iniciativa livre fazendo mais parecer que as pessoas tinham que escolher um lado e ser leal a ele sem entender que todos os projetos de código aberto podem trabalhar e aprender juntos.

Existe um grande problema na comunidade de Software Livre quando você percebe que existem membros que preferem odiar outras pessoas que trabalham muitas vezes com as mesmas coisas e objetivos, pessoas que escolhem odiar a amar o que alguém que se importa o suficiente para levar o seu trabalho como o sentido de sua vida e torná-lo disponível gratuitamente no intuito de levar a tecnologia para todos.

Todo esse ódio que aguentamos nos últimos anos, especialmente sobre o Mir, fez com que eu mudasse a minha opinião sobre a comunidade de Software Livre, questionando o que a palavra 'comunidade' significa para essas pessoas.

Eu costumava pensar que era um privilegio poder servir as pessoas que adoravam tanto quanto eu o que era servido, mas agora acho que muitos membros da comunidade de Software Livre são apenas pessoas anti-sociais que amam odiar o que é mainstream. Quando o Windows era mais popular do que qualquer outra distro Linux as pessoas focavam seu ódio nele, racionalmente, o Windows faz muitas coisas bem e merece o respeito por aqueles que o odeiam simplesmente por não estar no lado que eles mais gostam."

Eu mesmo não consegui entender pessoas comemorando o fim de um projeto como o do Ubuntu Phone ou o Unity, comemorando o fracasso de uma empresa que investiu em software livre deste a sua criação como se fosse um inimigo caindo.

Provavelmente são pessoas que nunca tentaram fazer algo desde tamanho devido ao seu pensamento estreito. O código pode ser aberta, mas a mente nem tanto.

Pessoas dizendo que "agora sim poderiam considerar usar o Ubuntu", apenas porque o Gnome voltaria a ser a interface padrão, como se o Ubuntu Gnome não existisse desde 2013 e o Gnome Shell pudesse ser instalado nele desde SEMPRE. Hipocrisia? Me diga você.

Quem precisa se preocupar com Microsoft e Apple quando a própria comunidade consegue ser mais tóxica do que qualquer manobra de mercado de uma das gigantes da tecnologia?

Alguns usuários de Linux (ops, GNU/Linux), gostam realmente de se sentir no clubinho dos especiais, talvez ele até realmente sejam, mas não da forma com que imaginam, if you know what i mean.

"Quando o Ubuntu se tornou Mainstream o foco do ódio mudou um pouco e recaiu sobre nós com muito mais força do que qualquer um gostaria, quando a Canonical se tornou mainstream o  ódio irracional recaiu sobre nossos projetos. Eu vi os mesmos "muppets" que reclamavam da dualidade de mercado que Android e iOS possuíam dizendo que eles precisam de uma concorrência e em seguida dizerem o quão terrível foi a Canonical estar investindo neste mercado (usando software livre!), então foda-se essa merda."

E este foi o desabafo feito por ele, só queria dizer que eu realmente entendo o que se passa. Com toda a modéstia que me cabe e toda a que você conseguir interpretar perante um texto, acredito que a maioria dos queridos leitores e leitoras não consiga imaginar o que significar estar "no mainstream", popularidade tem dois lados, um bom e um ruim e é preciso ter cabeça fria para lidar com críticas estúpidas, mas cansa, ô se cansa, por vezes você se pega perguntando até onde pode chegar a estupidez de julgamento de pessoas que nunca nem se quer te viram pessoalmente.

Pegando carona no depoimento de Mark Shuttleworth, eu sei o que significa tentar empreender sem apoio, sei o que é ver os ditos "líderes das comunidades" simplesmente não entenderem o que você está fazendo e te acusarem de todo o tipo de atrocidades, ainda que em sentido prático, é possível que tenhamos feito mais coisas boas paras as pessoas que eles mesmos.

Esquecem que gostamos e defendemos as mesmas coisas, talvez de formas diferentes, mas para algumas pessoas realmente "pensar diferente" significa inimizade, ódio, ser um adversário a ser combatido, mais do que qualquer outra pessoa que realmente tem ideias contrárias e sabe se lá o que mais. Isso me lembra mais intolerância religiosa do que programas de computador.

Mark deu a entender que o objetivo da Canonical é entregar o melhor software que for possível dentro do mercado onde eles são mais fortes e além disso, com o tempo abrir o capital da empresa para investidores e por isso projetos como o Unity que ainda não deram lucro não poderiam estar presentes e servir de argumento para convencer investidores a trabalhar com eles, por isso do corte de custos e do foco.

O Ubuntu acaba se tornando mais um "Fedora .deb", como eu vi um de vocês comentarem no nosso grupo no Facebook, e com objetivos semelhantes inclusive.

Mark parece estar simplesmente cansado de ter que lidar com pessoas que nunca foram além do seu mundo especial. Assim como um certo alguém que eu conheço.

O texto dele (e o meu) tem muitas generalizações, então certamente não são todos que se encaixam nestes parâmetros, falando por mim pelo menos, posso dizer que me sinto privilegiado de ter construído um público mais tolerante, compreensivo e otimista, que pensa de forma prática e objetiva, que compartilha do meu sentimento de poder levar tecnologia (de qualquer tipo) de forma acessível para quem estiver interessado, se não fosse por vocês eu já teria desistido. Por sorte eu amo o que faço.

Então, para o pesar de alguns "Xaatos", até a próxima! ;)
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Deepin - Distros Linux da China e como elas podem se dar bem no ocidente

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quinta-feira, 16 de março de 2017

O mercado chinês é diferente, não há contestação. Ele é diferente para os consumidores, ele é diferente para os empreendedores, para empresas que queiram disponibilizar os seus serviços por lá, é, a China é diferente! Vamos conversar um pouco sobre a "forma chinesa" para criar soluções na tecnologia, especialmente desktop, especialmente baseados em Linux.

Tecnologia Chinesa




Não há como negar que a rigidez política para produtos e empresas estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, acaba por gerar um mercado diferente dentro da China. Empresas como Apple, Microsoft, Google, Facebook e tantos outros gigantes da tecnologia não são impedidos de operar no país, mas uma série de leis e burocracias faz com que a sua operação seja muito mais complicada e sumariamente desestimulada e limitada.

Isso em parte vem da vontade do Governo Chinês de ser independente tecnologicamente, não posso culpa-los por isso, acho até que há um aspecto positivo no meio dos abusos cometidos para que isso ocorra, o grande problema é realmente o motivo pelo qual a China quer deter a sua tecnologia. Mas com a minha intenção não é falar de política e de como o Governo chinês age por lá, então, deixamos isso para outra oportunidade.

O engraçado é que apesar de "não ir com a cara" das empresas do ocidente, fica muito claro ao observar os produtos de fabricação chinesa o quanto eles são inspirados em soluções da Apple, da Microsoft e da Google, claro, com a sua própria pegada.

Apesar da China não ter tanto interesse em importar tecnologia, o contrário não é verdadeiro, muitas empresas gigantes de tecnologia produzem seus componentes lá, especialmente pelo baixo custo que isso gera e também por conta dos grandes centros de tecnologia, além disso, empresas Chinesas como a Xiaomi, Alibaba, Baidu, Huawai, Lenovo, Asus, Acer, etc, marcaram o seu nome do mercado ocidental (para o bem ou para mal) de forma irreversível, tornando-se multinacionais de sucesso. Influenciando também as produtoras de tecnologia do ocidente a ponto de ficar difícil de dizer "quem copia quem" hoje em dia.

Ainda assim, mesmo para as empresas chinesas, apresentar soluções para o público chinês e para o público ocidental é diferente, os produtos tem características, especialmente visuais eu diria, diferentes, e principalmente me parece valer uma regra: "Não precisa revolucionar se for bom, o objetivo não é reinventar a roda, é polir ela e dar aos consumidores o que eles querem."

Aí que entram as distros Linux da China


O próprio governo chinês possui uma distribuição oficial com leves inspirações nas versões mais antigas do macOS da Apple, isso falando visualmente, contudo, ainda que ela seja a "distro oficial do país", estatísticas mostram que tirando órgãos que são controlados diretamente pelo governo, são poucos os usuários que aderiram a ele.

Sabemos que o governo chinês tem um forma muita abrupta de dizer para as pessoas o que elas podem ou não acessar e há vários relatos de que há um monitoramento constante, por isso, sistemas de código aberto, onde é possível observar à partir do código fonte se existem backdoors deixados propositalmente fazem sucesso, especialmente do público especializado ainda que boa parte dos usuários chineses continuem utilizando Windows XP. O rastreamento pode ocorrer de diversas formas diferentes e não precisa estar atrelado ao sistema operacional, mas digamos que seja uma preocupação a menos, caso você possa ver o código.

Além do Linux ser um atrativo, outra característica que as distros chinesas tem são as suas interfaces que agregaram valores de vários sistemas diferentes, sendo eles proprietários ou não, dois ótimos exemplos que podemos comentar são o Ubuntu Kylin com a sua UKUI, lembrando a usabilidade do Windows, e o Deepin, que tem uma interface "que morfa" (igual os Power Rangers), e pode lembrar tanto o macOS, quanto o Windows.



O interessante das distribuições da China, é que você pode até dizer que falta originalidade em algumas coisas, mas se tem uma coisa que elas fazem bem é solucionar problemas. Querendo ou não, a "falta de medo" de criar ou reimaginar algo que já existe acaba lapidando os conceitos à cerca da experiência de usuário.

O Deepin é um ótimo exemplo: 

"- Será que os usuários preferem um visual Windows ou macOS, ou algo completamente diferente?" 
" - Não sei, coloca os dois!"

Você pode observar o comportamento de resolução de problemas sem medo de mudar do Deepin em vários aspectos ao longo da vida da distro, ela já teve várias interfaces diferentes até decidir criar uma própria, já foi baseada no Ubuntu, hoje é no Debian, já teve lançamentos periódicos, hoje é Rolling Release, já usou ícones extremamente coloridos (muito populares na China), hoje dá a opção de ícones flat também, seguindo um design mais "tradicional" dos dias atuais.

Os usuários querem programas de forma fácil?

Que tal pegar todos os pacotes e colocar tudo em um repositório só? Feito. O Repositório do Deepin é tão rico de aplicações úteis como o AUR do Arch e os PPAs do Ubuntu juntos e ainda é compatível com pacotes .deb, tudo isso em uma interface onde você simplesmente tem que clicar, nada mais.

Realmente, eles não tem vergonha de repetir e reimaginar o que já deu certo, o resultado disso é uma empresa crescente na China e um sistema que começa a chamar atenção fora dela.

Longe do Deepin ser perfeito ou o ideal para você, ou mesmo o Ubuntu Kylin, mas o que chama a atenção é que a produção de tecnologia chinesa já está a sua volta e talvez você ainda não tenha percebido, computadores e componentes da Asus, Acer, Lenovo? Todos chineses.

A postura das distribuições da China de atender ao público sem se preocupar com o "olha, eles estão copiando isso ou aquilo", acaba por trazer (talvez) exatamente o que o público (ou a maior parte dele) deseja, facilidade e beleza. O que dizer do WPS Office?

Acho cedo ainda pra dizer que o Deepin é A DISTRO para desktop, mas eles estão no caminho e vale a pena ficar de olho.
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Os 5 sistemas operacionais que devem surpreender em 2017

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Olá meus amigos e amigas, como estão? Estou aqui em meio ao Carnaval brasileiro fazendo o que eu mais gosto de fazer neste época, ignorando o evento completamente! 😀 Brincadeiras à parte, eu tenho avaliado as evoluções de alguns sistemas operacionais que chamam a minha atenção há muito tempo e existem 5 que eu espero ver grandes novidades neste ano.

Top 5 sistemas de 2017




O ano de 2017 ainda está no início, por isso, vou apostar as minhas fichas apontando alguns sistemas que eu acredito que vão se destacar neste ano. São sistema com propostas inovadoras e que estão trazendo novidades interessantíssimas para seus usuários. No final do ano a gente vê se eu realmente acertei, né?

Eu sou o tipo de pessoa que vive testando sistemas operacionais e alguns destes da lista são os que eu mantenho sempre instalados, seja em um computador de teste, sejam e máquinas virtuais, tudo isso para acompanhar as suas evoluções e novidades. Separei aqui então uma lista com 5 sistemas operacionais que eu acredito que vão nos surpreender em 2017. 

"Parênteses no assunto: O mundo Linux sempre foi muito inovador, projetos como Gnome e KDE estão sempre melhorando e trazendo novidades para o ecossistema das comunidades; agora... não sei se é impressão minha, mas a quantidade de distribuições que realmente está fazendo algo a mais do que simplesmente empacotar softwares e configurar suas interfaces personalizadas baseado no que já existe aumentou muito. Como eu gosto de projetos que procuram resolver problemas e criar novas soluções e não somente os que esperam para ver o que fica melhor e depois usam. é que eu tenho me voltando para estes da lista, pelo menos neste início de ano. Não quero desmerecer qualquer outro tipo de trabalho, para sistema tem seu contexto, só estou falando a minha preferência."

1 - elementary OS


elementary OS

Deixe-me explicar porque eu acredito que o elementary OS pode nos surpreender neste ano. Quem já acompanhou as reviews do canal do blog Diolinux sobre a distribuição conhece bem a minha opinião sobre ele, como todo sistema, ele tem pontos fortes e fracos, mas vamos nos ater ao diferencial.

A grande aposta: Desde sempre os desenvolvedores do elementary OS prezaram pelo design, não somente da interface, mas conforme o tempo passou e o desenvolvimento se ampliou, para as aplicações nativas também, entretanto, para que as aplicações sigam certas guidelines de design, assim como ocorre no macOS da Apple, é necessário que os programas já sejam desenvolvidos pensando na distro e isso não pode ser trabalho apenas da equipe do elementary.

Já existem vários aplicativos assim, você encontra aqui uma grande lista, mas mesmo assim a grande massa de aplicações ainda fica "meio alien" do elementary, se compararmos com o restante das aplicações nativas.

Para solucionar esta situação, os desenvolvedores lançaram há pouco tempo uma campanha no IndieGoGo com o intuito de viabilizar o ambiente para a construção de aplicativos com este propósito. A ideia consiste em criar uma Central de Aplicativos (AppCenter) que contenha programas desenvolvidos especialmente para o elementary OS e com um sistema de pagamento igual ao que o elementary OS já tem para o próprio sistema operacional, ou seja, o sistema "pay what you want", ou, "pague o quanto quiser", poderá funcionar para as aplicações também, assim ajudando os desenvolvedores a se manterem.

Para ajudar a quem cria os softwares, a equipe do elementary OS vem desenvolvendo o AppCenter Dashboard, uma página que se assemelha ao launchpad, voltada para os desenvolvedores, onde eles poderão linkar suas contas no GitHub para subir as aplicações para o repositório do elementary OS, vendendo ou não seus aplicativos por lá.

O grande desafio: Na minha opinião, a grande dificuldade do elementary OS neste ano é provar para todos que é um sistema que vai muito além de um design bem feito, ou um "rostinho bonito", como muitos dizem, e que pode ser uma real plataforma para produtividade  e entretenimento, além de ser um local onde os desenvolvedores vão gostar de estar trabalhando em conjunto e publicando seus softwares.

Existem várias pequenas coisas que fizeram o último lançamento do elementary OS ficar, infelizmente, mais complicado para quem estava acostumado a usar a versão anterior. Não temos mais uma central de aplicativos capaz de pesquisar por pacotes que não sejam gráficos, assim como a Gnome Software no Ubuntu, tivemos a ausência da possibilidade de instalar aplicações .deb nativamente e da adição de PPAs, além de outra grande desvantagem, que foi a perda a aplicação para gerenciamento de drivers, algo que é essencial sob a minha óptica.

Claro, todos estes contras poderão ser superados caso o projeto do AppCenter do elementary, mas até lá, o sistema acabou se tornando algo bom para entusiastas ou para pessoas extremamente leigas e que vão receber um sistema configurado e pronto, nada mais. O sistema precisa recuperar funcionalidades de praticidade que ele tinha outrora.

Vamos ver como o elementary OS se desenvolve neste ano.

2 - Remix OS

Remix OS

Para quem ainda não conhece muito bem, o Remix OS é uma distribuição Linux de origem chinesa baseado no Android x86, um projeto que está a cada dia mais lapidado e que busca a experiência de usuário de desktop em um sistema Android.

A grande vantagem do Remix OS é a vasta coleção de aplicativos, já que você pode basicamente explorar toda a Google Play, ou seja, a falta de Apps não é um desafio, a grande questão é que nem todos os Apps são capazes de interagir de forma eficiente com teclado e mouse, para contornar isso, os desenvolvedores do Remix OS criaram várias ferramentas que vão ajustar os Apps para te trazer mais conforto, como simuladores de sensores de gravidade. Confira o nosso vídeo sobre o Remix OS.

A grande aposta: O Remix OS anunciou recentemente uma função extremamente interessante para quem tem aparelhos (smartphones) compatíveis com ele. O Remix Singularity é um recurso semelhante ao Microsoft Continuum e ao modo convergente do Ubuntu, permitindo que desta forma um Smartphone com o Remix OS seja conectado através de um HDMI à um monitor e traga a interface do Remix OS para desktops para o usuário, trazendo uma experiência praticamente definitiva para quem quer um Android para PC e ainda guardar depois o computador no bolso, tendo uma experiência igual a qualquer outro Android sob esta condição.

Remix OS

O grande desafio: O grande desafio do Remix OS é, na minha opinião, facilitar a instalação do sistema de forma definitiva nos HD/SSDs dos computadores, apesar de ser possível fazer atualmente, a instalação está muito aquém do que qualquer outra distribuição Linux famosa, ainda que o Remix OS possa rodar bem à partir de um pen drive, muitas pessoas gostariam de usá-lo desta forma e ainda não podem, ao menos não de uma forma fácil.

Outra grande dificuldade que devemos observar é a falta de drivers proprietários, pois diferente das distros Linux "tradicionais", o Android sempre foi construído para um hardware específico pelas fabricantes, dispensando que o próprio usuário maneje os seus drivers, algo totalmente diferente do público alvo do Remix OS, que são justamente os computadores. Atualmente o Remix OS consegue trabalhar apenas com drivers de código aberto, talvez a adoção da API Vulkan ajude neste aspecto, mas é um ponto a se melhorar com toda a certeza, além disso, a opção de trabalhar com multimonitores e controlar a resolução da tela também deixa a desejar atualmente.

E por último, mas igualmente relevante, temos a questão dos aplicativos que não são projetados para serem usados com um mouse, ou sem sensores. Essa é uma luta muito mais complicada de vencer pois teremos que ter, por parte dos desenvolvedores, a intenção de desenvolver Apps que se adaptem para o desktop também, além do mobile.

3 - Ubuntu

Ubuntu Zesty Unity 8

É difícil fazer uma lista qualquer sobre Linux e não encaixar o Ubuntu em algum segmento, dada a vastidão de atividades que envolvem esta que se tornou a distro sinônimo de Linux para muitas pessoas, especialmente as de fora do "mundo Linux" (curioso, não é?). Mas fato é que o Ubuntu 17.04 vem aí no próximo mês de Abril e vai trazer algumas coisas bem interessantes, contudo, não podemos esquecer que em Outubro teremos outro lançamento, este deve incrementar ainda mais o aguardado Unity 8.

A grande aposta: Temos dois aspectos interessantes para prestarmos atenção para o Ubuntu, talvez até 3. O primeiro deles é a evolução do Unity 8, que ainda não agrada a muita gente, incluindo a mim, mas não deixa de ser algo realmente novo neste mundo Linux, onde teremos a convergência entre dispositivos e interfaces. O segundo ponto são os pacotes Snap que estão atingindo uma boa maturidade e se integrando a outras funcionalidades do sistema, como a Central de Apps que agora poderá instalar Snaps através de links da internet, facilitando a instalação e distribuição deles, além de já possuir várias aplicações empacotadas desta forma, o número continua crescendo, parece realmente que o formato agradou os desenvolvedores.

Por último, outra grande novidade para ficar de olho é o Mir, o servidor gráfico. Ele virá juntamente com o Unity 8, que mais uma vez será a interface gráfica alternativa no Ubuntu 17.04, permitindo que os usuários testem a nova interface sem maiores problemas. Todas as implementações do Wayland que eu vi até o momento não foram de extremo sucesso, mas mesmo assim, já vi mais coisas sobre ele do que sobre o Mir, por isso estou ansioso para ver o novo servidor gráfico do Ubuntu destilar seu desempenho e surpreender a todos, ou... ser uma falha total, vamos ver o que acontece.

O grande desafio: Eu sou um usuário de Ubuntu de longa data e já vi o sistema passar por altos e baixos e no fim acabar encontrando o seu caminho. Hoje o Ubuntu tem renome, tem um dos melhores suportes em relação a conteúdo da internet no que tange as distros Linux, tem versões com todas as interfaces praticamente e versões para várias plataformas diferentes, mas uma coisa que o sistema perdeu ao longo do tempo foi a sua característica de ser a distribuição Linux mais fácil para iniciantes, um título que o Ubuntu ostentou por alguns anos.

Inclusões e exclusões de software e o foco no desenvolvimento do Unity 8 e todo seu ecossistema acabaram tirando a atenção dos desenvolvedores do Ubuntu, fazendo com que distros como o Linux Mint acabassem tomando o lugar do sistema como distro "mais fácil" para iniciantes no Linux. Claro, não que o Ubuntu seja difícil, muito longe disso, mas se comparado com o Mint, claramente podemos ver que o sistema "verdinho" tem características que facilitam a vida de que está experimentando um "sistema do pinguim" pela primeira vez.

Outra coisa precisa de uma repaginada é o tema do sistema, entretanto, com a chegada do Unity 8 o design será alterado e muitas coisas tendem a mudar, então, talvez esse passo já esteja sendo dado.

Recentemente eu fiz um artigo falando especificamente sobre o futuro do Ubuntu, acho que vale a pena dar uma lida.

4 - Linux Mint

Linux Mint

Parece que o Linux Mint passou da sua maior fase de inovação e no momento a distribuição está em processo de lapidação, seguindo a ideia de manter um desktop tradicional e acrescentar funções  que facilitem a vida do usuário final, o sistema acabou se tornando uma das grandes opções para quem vem no Windows especialmente.

O Linux Mint tem tudo praticamente hoje em dia, a ponto de me arriscar a dizer que o maior defeito do sistema é "não ser o Ubuntu". Isso significa que o Linux Mint possui excelência em vários quesitos, porém, o fato de não ser tão popular quanto o irmão mais velho, não possuir uma empresa por trás para criar parcerias comerciais e trazer o sistema embarcado em computadores vendidos nas lojas e especialmente, não ter a mesma marca forte, acaba por "estancar" o Linux Mint em uma certa posição meio complicada de sair.

A grande aposta: Apesar de não ter uma empresa de mesmo porte apoiando-o, como a Canonical com Ubuntu, o Mint tem sim um trabalho seríssimo sendo realizado e a busca por mais dispositivos que já tragam o sistema pré-instalado é algo a ser considerado, mas diferente dos outros sistemas que eu comentei aqui, não vi no Linux Mint (até o momento) nenhuma grande novidade à caminho, porém, a grande aposta aqui é justamente a sedimentação do Linux Mint como uma grandes distros Linux neste ano, para isso eu acredito que algumas providências deveriam ser tomadas, são elas:

O grande desafio: A principal providência, na minha opinião, é não confundir tradicionalismo com falta de inovação. O Linux Mint tem o desafio de manter a sua visão tradicionalista de desktop mas ao mesmo tempo criar e melhorar o seu design ainda mais, indo muito mais além do que a adaptação de um tema de desktop e um tema de ícones, como aconteceu, que apesar de serem bonitos, ainda parece pouco para uma distro com tanto potencial, talvez devem se inspirar no quinto colocado da minha lista.

Outra grande mudança deveria ser feita na Central de Aplicativos, ela está muito defasada visualmente, ainda que plenamente funcional. Obviamente, se você tiver que optar por visual ou funcionalidade, você sempre irá optar pela funcionalidade, mas será que é tão difícil termos os dois?

O grande desafio do Mint (poderiam tirar "Linux" do nome da distro também, iria ficar mais comercial) é tornar-se relevante para os desenvolvedores de software, pois o que temos na maioria dos casos são aplicações desenvolvidas para o Ubuntu que consequentemente funcionam no Linux Mint e não aplicações desenvolvidas pensando nele. Pode parecer algo tolo, mas para um usuário comum chegar na Steam ou no site do Google Chrome para fazer download das aplicações e encontrar indicações de que o sistema compatível é o Ubuntu e não o Linux Mint é um fator importante, inclusive, este é um bom termômetro de relevância para a distro, quando seu nome for citado nos sites de download de software saberemos que o Mint ganhou a relevância que merece. No site do Mega por exemplo, nós temos uma referência a ele.

5 - Deepin

Deepin

O Deepin, eu digo sem medo de errar, é a distribuição Linux, junto com o elementary OS que também fez parte da nossa lista, que tem o melhor acabamento visual do mundo Linux, não tem igual!


A distribuição que tem origem chinesa, assim como o Remix OS que comentei anteriormente, é baseada no Debian e possui uma comunidade crescente de desenvolvedores e usuários, mantida por uma empresa chamada Wuhan Deepin Technology. O Deepin tem apenas duas preocupações, beleza no sistema e facilidade de uso e configuração, tudo é muito intuitivo e fácil de configurar e usar, além do mais, o sistema não tem vergonha de dar para os usuários as aplicações que as pessoas mais gostam, por conta disso a distro já vem com o Google Chome, com Spotify, Skype, WPS Office, etc.


A grande aposta: Para 2017 eu exergo no Deepin o início de uma grande revolução, considero seriamente me tornar usuário do Deepin caso algumas coisas que eu vou comentar à seguir sejam ajustadas. O Deepin aposta em uma interface minimalista que pode mudar de formato e agradar usuários de Windows 10 e de macOS com um acabamento primoroso, animações, ícones, interface e programas próprios e uma Central de Aplicativos muitíssimo completa, acredito até que seja o melhor repositório nativo de todas as distribuições também, ele é uma opção que certamente agrada a maior parte dos usuários.

Uma das melhorias recentes que eu pude perceber na versão Beta atual do Deepin é a melhoria no processo de instalação, ele está ainda mais intuitivo e bonito, novamente, me arrisco a dizer que é o instalador de sistema mais belo do mundo Linux atual.

O grande desafio: Apesar de ter vários pontos positivos, o Deepin ainda tem alguns que depõem contra ele e que precisam ser melhorados. Por conta de não ser tão popular, ainda não existem tantos mirrors dos pacotes do sistema ao redor do mundo, isso faz com que, especialmente aqui no Brasil, nós eventualmente tenhamos uma lentidão para fazer downloads de atualizações e coisas do tipo.

A Central de aplicativos que além de rica em Apps é muito bela, ainda assim possui algumas falhas, certos pacotes não podem ser encontrados, como aplicações provindas do projeto KDE, como o Kdenlive. Como o Deepin tem a base no Debian, adicionar um PPA específico, que poderia contornar o problema, é algo não tão simples, contudo, apesar do Kdenlive não aparecer na Central de Apps, é possível instalá-lo via linha de comando, ou seja, ele está no repositório mas não aparece na loja, um bug curioso que já perdura algumas versões.

Outro problema, talvez por conta da base Debian mais conservadora também, é a dificuldade de instalar as últimas versões de drivers de vídeo no sistema. O Deepin possui um gerenciador gráfico de drivers, o que é ótimo, mas ainda assim as versões dos drivers não são as mais recentes, algo extremamente importante para quem usa o computador para jogar também, aliás, ele já vem com o Steam instalado também. Outra coisa interessante que se poderia ter é uma versão em live DVD para podermos testar antes de instalar, visto que a ISO só tem o modo de instalação.

Estas são as minhas grandes expectativas para este ano...


... e todas elas tem chances de surpreender, não apostaria em uma distro em específico por existem várias boas iniciativas, vou ficar vendo tudo de camarote, e você?

Gostaria de fazer uma menção honrosa aqui também para o Antergos, uma distro derivada do Arch Linux, há alguns anos atrás eu tomei conhecimento de que os desenvolvedores do Antergos estariam desenvolvendo uma Central de Aplicativos para o sistema que seria capaz de gerenciar aplicativos de forma gráfica e intuitiva usando inclusive o repositório AUR, algo ainda faltante no mundo Arch. Não recebi mais informações sobre o projeto, espero que ele não tenha morrido, mas seria uma ótima surpresa para este ano.

E você, concorda com a lista? O que mais você acrescentaria como sistema com potencial inovador para 2017?

Use os comentários abaixo para participar e ate a próxima!
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A evolução do Unity 8 para Desktops e onde o Ubuntu vai parar

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A chegada do Ubuntu 17.04 em Abril nós teremos uma versão muito mais lapidada do Unity 8 para desktops, entretanto, o caminho ainda parece ser longo para compatibilizar, ajustar e polir tudo que é preciso.

Ubuntu Unity 8




A Canonical, quando decidiu trazer o projeto do Unity 8 à vida, assumiu um grande compromisso, uma missão consideravelmente arriscada de desenvolver uma interface convergente entre aplicativos, e dispositivos, e não só isso, ajudar a desenvolver um ecossistema de aplicações que funcionem desta forma também.

O risco de algo dar errado é grande, e sinceramente, até eu que sou um grande fã do Ubuntu receio que o passo foi um pouco maior do que a perna, com consequências desagradáveis, espero estar errado.

O projeto é sim, muito audacioso, e com toda a certeza, só erra quem tenta fazer algo diferente e revolucionário. Se tudo funcionar como o planejado, ótimo! Se não... bom, teremos uma interface não completamente adaptada de um lado e do outro lado, o Unity 7, com alguns anos de falta de inovação. Situação complicada.

Atualmente no Ubuntu as coisas são plenamente funcionais, mas para um sistema que sempre almejou usuários de qualquer nível de conhecimento, trazendo ferramentas tanto para quem é profissional da tecnologia de forma fácil, quanto ferramentas de configuração básica para quem nunca usou um computador, acabar deixando para trás algumas minuciosidades e facilidades e ser ultrapassado em ferramentas para configurações simples pelo seu primo-irmão, Linux Mint, é algo que chama a atenção.

Felizmente para a Canonical, no passado o Ubuntu havia conseguido abrir uma grande dianteira neste sentido para as outras distros, criando um nome e uma marca forte, especialmente para quem desenvolve software (você encontra citações e recomendações do Ubuntu em vários sites, como o do Google Chrome, Steam, etc), isso faz com que a distância de facilidade entre o Mint e o Ubuntu não seja tão grande assim. Reflexo da popularidade, de seus milhões de usuários... bom, e aí vem o tal do Unity 8.

Como o Unity 8 evoluiu ao longo do tempo


Na época que o Unity 8 foi anunciando para os computadores, como o Ubuntu 14.10, era muito claro o quanto aquela interface parecia "alienígena" para se usar em computadores. Hoje ela está com uma funcionalidade mais semelhante ao Unity 7 tradicional.


Esse vídeo aí de cima é de 2014, uma das primeiras versões do Unity 8 que eu pude testar, muito limitada, como você pode ver no vídeo, ela foi uma decepção tremenda para a maior parte das pessoas, incluindo a mim, mesmo que eu entenda que era só o início do projeto.

Talvez o maior problema seja a Canonical ter feito duas coisas que acabaram deixando os usuários chateados.

1 - Anunciar o Unity 8 muito antes dele estar razoavelmente pronto para o Desktop (como está agora com o Ubuntu 17.04, praticamente depois de 3 anos), gerando assim ansiedade dos usuários que em algum momento, cansaram de esperar e mudaram de interface ou de sistema, ou que ainda vão cansar.

2 - Parar de incrementar funcionalidades úteis no Unity 7, a interface remanescente que ficou segurando a bronca enquanto a maior parte dos esforços da empresa foram colocados no desenvolvimento do Unity 8.

Faltou um certo equilíbrio na minha opinião, mas pelo desta vez, o mesmo erro de 2011 não foi cometido, quando a interface Unity apareceu do nada de uma versão para a outra, ainda muito longe de estar funcional, como é atualmente.

De novo eu digo, só faz algo marcante quem se arrisca, mas ser conservador em alguns aspectos também acho que não faria mal.

Pelo lado bom, os Smartphones com Ubuntu trouxeram novas possibilidades para o universo Linux, neste aspecto a Canonical sempre foi inovadora mesmo. Hoje vemos os pacotes Snap com um ecossistema muito mais completo e com maior facilidade de utilização que o FlatPak, isso pode mudar no futuro? Certamente, é até importante que ambos os projetos cresçam, mas manipular Snaps é muito mais simples hoje em dia.


Além disso, ainda temos o Mir, o servidor gráfico, que ainda não apareceu o suficiente para eu poder dizer o que é bom e o que é ruim, assim como o Wayland. Ambos ainda não parecem se integrar tão bem quando o X para usuários em geral.

Apesar de tudo isso o Ubuntu ainda é a distro que abre o mercado para as demais, é o testa de ferro, é a distro que recebe elogios e críticas de quem é de fora (e as vezes de quem é de dentro também), fazer o que, não é? A fama cobra o seu preço. "O Ubuntu é o Neymar do mundo Linux, o Android é o Messi." O Ubuntu é a distro que as fabricantes que vendem computadores com Linux procuram para embarcar em seus dispositivos, ainda é líder em servidores open stack e abrange diversos segmentos, temos Ubuntu para todos os gostos, literalmente.


Quando falamos dos Smartphones a conversa muda um pouco. O Linux continua dominando o setor com MUITA folga com os Androids, porém, falando de Ubuntu Phone a conversa muda drasticamente.

O setor mobile parece ser muito mais complicado de entrar do que o de desktops, que a essa altura já nem importa tanto quanto já importou para muitas empresas, pois tudo se resume a uma palavra: "Apps".

É engraçado observar esse tipo de coisa acontecendo, pois até mesmo onde o dinheiro não é um grande problema, como na Microsoft, emplacar um sistema mobile que carrega o mesmo nome de peso que o sistema operacional mais utilizado do mundo em desktops não foi o suficiente e não deu lá muito certo. Motivo? Em resumo, falta de alguns Apps famosos e a falta de parcerias para distribuir os aparelhos.

Nesta hora é inevitável pensar: Se a Microsoft não conseguiu nem arranhar a Apple e a Google, a Canonical vai conseguir?

Pois é, difícil ser otimista mas para essa pergunta, o próprio Mark Shuttleworth, fundador da Canonical e do Ubuntu te uma boa resposta:

"Se você desistir de fazer algo só porque alguém foi e falhou ou porque alguém já fez melhor, você não deveria fazer mais nada."

Não posso deixar de pensar que ele está certo neste aspecto.

O grande trunfo do Unity 8 neste caso dos aplicativos é que ele poderá rodar todos os programas que já rodam no Linux para desktop, o que automaticamente já deixa ele um pouco mais confortável. Mas "poder rodar" e "rodar de uma forma produtiva e integrada" são duas coisas bem diferentes, vamos ter de aguardar pra ver.

Com a chegada do Ubuntu 16.10, eu também mostrei a evolução do Unity 8 até então, ele realmente se mostrou melhor para o uso no Desktop:


Mas mesmo com estas evoluções, o que temos aqui ainda é uma interface inadequada para produtividade com o computador tradicional.

Mais alguns passos foram dados na direção correta (ao meu ver) com o Ubuntu 17.04 que ainda nem saiu, abaixo você pode conferir um vídeo que mostra toda a evolução do Unity 8 até o seu estado mais recente, ainda pretendo trazer uma atualização sobre ele no canal em breve.


O problema de desenvolver uma interface convergente e escrita do zero praticamente, é que você vai ter que pensar em soluções para problemas que não existiam antes, pois serão particulares de uma interface que trabalha desta forma.

O Ubuntu se encontra em duas fases simultâneas, sob o meu ponto de vista:

Consolidação como distro mais popular em geral, abrangendo vários setores de mercado. Desktop, Servidores, Smartphones, Tablets, Internet das Coisas, Cloud, versões com praticamente todas as interfaces gráficas, um formato de pacotes próprio, um servidor gráfico próprio, uma interface gráfica própria também, um local para que os desenvolvedores possam hospedar e gerenciar seus programas gratuitamente (launchpad), ótima compatibilidade de hardware, marca forte no mercado e parcerias com fabricantes de hardware.

A outra fase é a da inovação/insegurança, onde sabemos o futuro ideal, mas não sabemos se isso será possível. Um grande passo em falso e um fracasso nesta área pode fazer com que a Canonical foque-se muito mais nos servidores e soluções para nuvem, fazendo com que ela se pareça muito mais com uma Red Hat do que com a própria Canonical que criou o Ubuntu.

Acho que só o Ubuntu, dentre as distros, consegue essas duas coisas ao mesmo tempo.

Claro, todo este artigo está cheio de opiniões minhas e especulações, não existem confirmações das coisas que foram ditas de forma geral e eu nem sequer sei o que se passa da cabeça do "tio Mark". 

Falo isso com um tom de preocupação de quem se importa com o Ubuntu, um sistema que mudou a minha vida completamente e que me permitiu trabalhar com o que eu trabalho hoje.

Um sistema que carrega em seu próprio nome uma mensagem que no âmbito da tecnologia pode ser traduzida como acessibilidade para tecnologia.

Ubuntu, do Bantu: "Eu sou porque nós somos".




Até a próxima!
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