Ubuntu on Windows: Falamos com a Canonical para esclarecer algumas dúvidas dos usuários - Diolinux - O modo Linux e Open Source de ver o Mundo

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Ubuntu on Windows: Falamos com a Canonical para esclarecer algumas dúvidas dos usuários

É um assunto complicado de lidar, sim, este é provavelmente o quarto post sobre o "Ubuntu on Windows" que eu faço, só que desta vez não é para me explicar, refutar alguns argumentos dos quais eu discordei, ou mesmo para endossar ou não a ideia, é para dar voz à entidade mais interessada em que isso funcione, a Canonical, a empresa por trás do Ubuntu. Pude trocar algumas mensagens com o Dustin Kirkland (Ubuntu Product & Strategy), que foi o responsável pela publicação oficial por parte da Canonical do "Ubuntu on Windows".

terça-feira, 5 de abril de 2016

/ por Dionatan Simioni
É um assunto complicado de lidar, sim, este é provavelmente o quarto post sobre o "Ubuntu on Windows" que eu faço, só que desta vez não é para me explicar, refutar alguns argumentos dos quais eu discordei, ou mesmo para endossar ou não a ideia, é para dar voz à entidade mais interessada em que isso funcione, a Canonical, a empresa por trás do Ubuntu. Pude trocar algumas mensagens com o Dustin Kirkland (Ubuntu Product & Strategy), que foi o responsável pela publicação oficial por parte da Canonical do "Ubuntu on Windows".

Ubuntu on Windows




Antes de mais nada quero agradecer pela prontidão em responder as minhas questões, especialmente ao Robert Berry e a Rebecca Cradick, que me colocaram em contato com Dustin Kirland. Para contextualizar, eu expliquei a ele todo o mal estar que essa decisão causou em parte da comunidade Linux, especialmente no Brasil uma vez que não observei o mesmo comportamento (pelo menos não tão forte) fora do nosso país e fiz algumas questões a ele que me fizeram muito estes dias. 

Vou transcrever as respostas que obtive logo abaixo:

Blog Diolinux: Com essa parceria a Microsoft poderia de alguma forma "trancar" o código do Bash ou de qualquer outro programa, seja adicionando recursos extras, seja através de licenciamento?

Dustin Kirkland: Não, absolutamente não. É o Bash, exatamente o mesmo publicado (tanto na forma binária, quanto o código fonte) nos repositórios do Ubuntu, sobre a mesma licença, não é uma versão modificada.

Blog Diolinux: Muitas pessoas argumentam contra a Microsoft nesta parceria apoiadas em um velho e suposto lema interno da companhia chamado "embrace, extend and extinguish", a Canonical não está preocupada em relação a isso? Não acham que isso pode acontecer no futuro?

Dustin Kirkland: Passei a maior parte da minha carreira profissional (16 anos) tendo medo das medidas da Microsoft e lutando contra ela. Em 2016 a Microsoft não é a mesma empresa que nós conhecíamos em meados de 2000. As pessoas e líderes de lá que eu conheci realmente compreendem e apoiam o uso do open source. Eu não tenho mais medo da Microsoft.

Blog Diolinux: Você não acha que muitas pessoas podem deixar de usar o Ubuntu propriamente dito como plataforma por conta do "Ubuntu on Windows" trazer várias ferramentas do sistema disponíveis na plataforma da Microsoft?

Dustin Kirkland:
 Por algumas horas/dias eu estive usando o "Ubuntu on Windows", e o que eu encontrei nele foi uma ferramenta muito conveniente, tendo ferramentas como vim, grep, find, sed. awk na ponta dos meus dedos independendo da plataforma. Eu assumo que você, como um falante nativo da língua portuguesa, mesmo estando se comunicando em inglês comigo, sinta-se mais à vontade falando a sua língua nativa, ou seja, é mais confortável se comunicar em Portugal do que na China, este é o exato sentimento que tive ao usando o Ubuntu on Windows. Eu estava em um ambiente não familiar, porém estava conversando com o sistema em uma linguagem que eu conhecia muito bem (usando as ferramentas do Ubuntu).

Seja nativamente, ou através do "Ubuntu on Windows" as pessoas estarão usando o Ubuntu, estarão usando Linux, estarão usando Software Livre.

Blog Diolinux: Explique-nos melhor. Qual a vantagem que a Canonical e o Ubuntu tem nesta parceria? Seria vantagem financeira? Que tipo de retorno os usuários de Linux, especialmente os de Ubuntu, podem esperar de uma parceria como esta?

Dustin Kirland: O retorno é simples! Suas ferramentas open source favoritas, compiladores, bibliotecas, editores, shell scripts, run times, databases, etc. estarão disponíveis para você prontamente, independente do sistema que você use. Nós estamos introduzindo mais do mundo Linux no mundo Windows, estamos transportando o maravilhoso ecossistema open source em algo que as pessoas poderão usar mesmo sendo usuários de Windows. Desta forma estamos chegando a mais pessoas do que nunca, muitas pessoas até então nunca tinham ouvido falar de Ubuntu, graças a medidas como estas estamos despertando a curiosidade dos usuários.

Blog Diolinux: Sinceramente, devemos ficar preocupados em alguma instância com esta parceria entre a Canonical e a Microsoft?

Dustin Kirland: Essa é uma decisão individual, se é que "preocupar-se" serve de algo. Vou deixar essa decisão com os leitores, bastando observar os comportamentos das duas empresas e avaliar por si mesmos.

Se você realmente ama Ubuntu, Linux, Software Livre e Open Source e geral, você simplesmente tem que ver este movimento como algo histórico, algo sem precedentes na história da Microsoft, um endosso completo do Ubuntu e do Bash e do Software Livre e Open Source. Isso é realmente algo maravilhoso.

Blog Diolinux: Poderia nos deixar uma mensagem final?

Dustin Kirland: Eu li a sua explicação sobre a polêmica gerada e também vi os links que você me enviou. É uma história e tanto. Mas tenho uma mensagem super positiva para deixar para todos que gostam do Ubuntu, do Software Livre e do Open Source! O interesse da Canonical em trabalhar em conjunto com a Microsoft é super simples, simplesmente isso beneficia o Ubuntu e os softwares de código aberto... estamos levando o Ubuntu, oferecendo o que há de melhor no mundo Linux para tantas pessoas quanto for possível. Isso agora inclui até mesmo usuários de Windows, muitos dos quais nunca tinham ouvido falar positivamente sobre Linux, Ubuntu ou software aberto.

Pense por um momento em quantas pessoas usam o Windows de maneira "forçada", são estudantes, profissionais... quantas pessoas estão utilizando o Windows em seus Notebooks e estão "presas" à ele por motivos variados, seja por intervenção empresarial ou por falta de conhecimento para fazer uma troca, essas pessoas não estão habilitadas a modificar o sistema do seu computador e desta forma confinadas ao Windows que às foi oferecido. Essas pessoas vão em breve ter a capacidade de usar o Ubuntu livremente dentro do promt de comando, sem virtualização! Sem Cygwin! Esta é uma história maravilhosa. Cada usuário Windows Desktop terá em breve acesso ao Bash, não tão longe assim de dar os seus primeiros passos para a linda viagem para o Software Livre. 

Saudações!

Nota do blog


Quero adicionar aqui, além do meu agradecimento à Canonical, em especial ao senhor Dustin Kirkland por comentar o caso conosco, também uma conversa que reflete um pouco do que foi falado em grupo no Telegram do qual eu faço parte, uma afirmação com uma dúvida pertinente foi feita desta forma.


"Se a MS "enfiar coisas" que só funfam no Bash dela, isto irá afetar quem precisa compartilhar trabalho com profissionais de outras distros Linux. Provavelmente é este o objetivo."

Minha resposta, que acredito que se encaixa um pouco com o que o foi dito na entrevista, foi a seguinte:

"É possível, mas não vejo ninguém deixando o Linux por isso. Se as pessoas usam Linux hoje mesmo com a falta de alguns programas super populares que atingem muito mais gente  do que o Bash, como Office, Photoshop, N jogos, acho que não vai ser por isso que o Linux terá menos participação. 

Apenas um ponto de vista como disse no texto, torço para o melhor. Mas vejam que como o SL, eles não precisariam ter pedido ajuda pra ninguém pra colocar o Bash lá, a questão é que eles queriam o ambiente Ubuntu por conta da dominância do Ubuntu no OpenStack.

Se for ver, eles já fazem isso (de pegar coisas "emprestadas") com o Linux há anos, vide a interface do Windows que é  "igual" do KDE deste o Vista/XP, a diferença é que agora eles deram crédito.

Outro ponto que vale observar também é que o GNU não é contra usar software livre dentro do Windows, afinal, eles tem vários programas deles com porte rodando no "sistema do mal", como diz o Aprígio, desse ponto de vista, é somente mais um programa que roda lá agora.

Como tantos outros. Melhor as pessoas usando um pouco de SL do que nada."

Acho que a Microsoft  não tem porque querer destruir o Linux, afinal 'ele' (o Linux) não é uma empresa concorrente, é uma ferramenta que pode ser usada por todos, inclusive por eles, utilizando o software para qualquer finalidade, como é um dos preceitos do Software Livre.

Acho que com isso eu encerro a minha participação no caso de uma vez, nada melhor do que ouvir quem está dentro do olho do furacão não é verdade?

Até a próxima!
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