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Linux ou GNU/Linux, um debate que não parece ter fim

Será que vale mesmo a pena este debate? GNU/Linux realmente é algo que existe?

quinta-feira, 29 de março de 2018

/ por Gabriel Silveira
Neste artigo eu não trato de ideais filosóficos para defender se o nome é Linux ou GNU/Linux. Na verdade eu nem estou aqui para defender nada; aqui trato de conceitos práticos, tanto tecnológicos quanto legislativos do porque não existe o minimo motivo para a obrigatoriedade do nome "GNU/Linux" como muitos amantes de Linux acreditam existir.

Linux ou GNU/Linux

Há uma briga enorme sem fim e desnecessária por parte da Fundação do Software Livre pela o direito de reconhecimento do nome GNU no Linux vindo a chamá-lo "GNU/Linux". Há até mesmo os que defendem que o nome é somente GNU (o que é menos logico ainda e pode ser conferido no vídeo). Mas o nome "GNU/Linux" é correto? De acordo com a lei, não.

Para começar o termo "Gnu/Linux" se torna errado uma vez que o nome "Linux" é uma marca registrada de Linus Torvalds (sim, Linux é um nome proprietário vindo Linus Torvalds a deter os seus direitos) e para utilizar o nome Linux em "GNU/Linux", a FSF teria que pedir a autorização expressa a Linus Torvalds para esse uso assim como fizeram e fazem a Red Hat, a SuSE, a IBM, o Debian, o Gentoo, o Funtoo, o Arch, o Ubuntu e todos. Não havendo autorização por parte de Linus Torvalds, há então o descumprimento da lei.

A maior alegação da FSF é o uso dos seus programas no Linux (o que as licenças criadas pela FSF não preveem a obrigatoriedade de anexar o nome GNU em todo e/ou qualquer programa desenvolvido por instituições ou empresas que fazem uso de sua pilha de software em seus projetos privados ou públicos). Além da lei, a alegação do uso dos programas do GNU não se torna um argumento relevante uma vez que não existe somente programas GNU no Linux (assim como a maioria dos que defendem GNU a ferro e fogo acreditam ser). 

A maioria dos programas presentes no Linux são do próprio Linux (como mostrei nos vídeos e artigos quatro pacotes que possuem conjunto de comandos que não são do GNU, procps, netkit e iputils; que são todos comandos do Linux e não do GNU. E se escavarmos mais o sistema, vamos encontrar bem mais coisas que não são do GNU). Sem o uso desses pacotes se torna impossível até mesmo instalar o sistema operacional ou até mesmo conectar-se à internet. Esses programas mencionados, se não são do próprio Linux, são desenvolvidos para serem usados no Linux (não no GNU); o que os tornam próprios para Linux (não para o GNU).

O que devemos ter noção também é que programas do GNU são passíveis de serem substituídos se a comunidade Linux achar interessante. Não existe vinculo obrigatório entre os dois projetos. E convenhamos, como mencionei no inicio do artigo, o nome "GNU/Linux" é complicado demais para uma marca e se torna confuso demais para os usuários novos de Linux. Faz com que eles percam tempo demais aprendendo coisas que se tornam desnecessárias e inúteis. Já se tornaram confusas no passado e continuam sendo até hoje.

Creio que o maior problema ao fazer referência ao nome é ignorar que para os padrões atuais do que é considerado um sistema operacional nem mesmo a junção do Kernel Linux e suas ferramentas em um sistema com ferramentas GNU, como o Bash ou outras, é abstrair o trabalho outros milhares de pessoas que produzem softwares que fazem parte do que chamamos de distribuição, como por exemplo as interfaces e softwares que o usuário comum realmente tem contato, como o KDE Plasma e as tecnologias necessárias para desenvolvê-lo.

O que agrupa sistemas como Chrome OS, Android, Ubuntu, Debian, Arch, Gentoo, SUSE, Slackware e tantos outros, assim como dispositivos de internet das coisas, relógios, e outros sob a mesma família de sistemas é o Kernel Linux e suas ferramentas intrínsecas, e não os softwares GNU que muitas vezes nem sequer estão presentes, ao contrário do Linux.

Há quem diga inclusive que até simplificar os sistemas chamando eles de "Linux" seja um equívoco também, visto que o nome do sistema é Chrome OS, Ubuntu, Linux Mint e por aí vai, fazendo jus ao agrupamento de software que engloba ferramentas que vão muito além do Kernel Linux e ferramentas GNU, que se formos observar, representam um percentual muito pequeno do tamanho das imagens dos sistemas. Lembre-se, ser licenciado em GPL não torna nada "do GNU", isso seria o mesmo que todo software que use a licença da Mozilla fosse , efetivamente, da Mozilla, o que não faz o menor sentido.

O que chamamos de distribuição é a junção de muitíssimos softwares, geralmente livres, e que em quantidade não são nem GNU, nem Linux, mas que juntos formam um sistema que as pessoas de hoje realmente podem usar, como o Debian por exemplo, que é distribuído geralmente com Kernel Linux e ferramentas GNU pelo sistema (assim como tantas outras) e que é tão modular que pode usar até outros Kernels, que não o Linux, e pode usar outras ferramentas de Shell, compiladores e outros mais, que não GNU, ou seja, não é GNU/Linux Debian, é Debian. Tanto que o nome foi alterado há alguns anos para evitar esse equívoco e não limitar o Debian somente a Linux e somente a GNU.

Isso pode ser considerado também um problema na ordem de importância. Use um pouco da sua imaginação.

Imagine que você você, em um lado do mundo desenvolve um novo motor para um carro, juntamente com os comentes básicos de funcionamento do mesmo. Do outro lado do mundo tem alguém que estava querendo fazer um carro completo, mas só tem tinhas algumas ferramentas básicas para o sistema, como volante, câmbio, portas, bancos, etc.

Seria correto essa pessoa utilizar o nome dela na marca de todos os carros que saírem com o seu motor e usarem o volante, bancos e câmbio dela? Em um primeiro impulso você pode até ficar na dúvida, a questão é que para fazer o carro do jeito que nos vemos hoje, ainda são necessários muitos outros componentes, faróis, rodas, estofamento, airbag, som, etc. Sendo assim, não seria tão justo quanto dar crédito a todas as pessoas criaram estes outros itens? No entanto você não vê carros que mostrar em seu nome as marcas dos fabricantes de cada componente ou da tecnologia que foi usada para fazê-los.
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