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Como o mundo Linux está mudando por conta dos games

O mundo dos games vai além do seu joystick e está mudando o próprio mundo Linux

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

/ por Dionatan Simioni
O setor de jogos é um mercado descomunalmente grande e tem muito mais importância do que aqueles que não curtem tanto jogar acreditam, influenciando direta e indiretamente grandes porções diferentes do mercado. Hoje vamos entender como o Linux está fazendo parte desse universo e como você pode ajudar a impulsionar esse movimento.

Linux Gaming






Há alguns anos o nosso canal no YouTube foi iniciado tendo em mente a proposta de mostrar games disponíveis para Linux. É claro que naquela época, quando a Valve havia recém  lançado o seu cliente Steam, portando apenas alguns de seus games populares para o sistema do pinguim, como o saudoso Left 4 Dead 2, o mundo de jogos no Linux era muito mais restrito do que hoje.

Qualquer dia eu faço uma live dele para matar a saudade. 😊

De lá para cá muita coisa mudou, além da quantidade e variedade de jogos, por isso eu convido você, especialmente se você não curte jogos, a mergulhar comigo em uma análise de como o suporte para mais jogos mudou o modo das distros Linux funcionarem e também o panorama social em relação a adoção do Linux como plataforma nos Desktops.

Games e aprimoramento de drivers


Independentemente de você gostar de jogar ou não, uma coisa que pode fazer uma boa diferença na sua produtividade é o desempenho dos seus drivers, especialmente os drivers de vídeo. O mercado tem uma maneira muito lógica de trabalho, mesmo que eventualmente manipulado, ele continua respeitando ofertas e demandas, e a demanda de drivers para Linux há alguns anos era muito baixa sem os jogos

Linux e Nvidia

Drivers para Linux "sempre" existiram, mas antes da Valve forçar o Linux no mercado de jogos em 2012/2013, a atenção dada para os drivers Linux era concentrada em versões corporativas das placas, usadas em processamento de dados, renderização e até mesmo supercomputação, enquanto o desktop ficava de lado, ao menos parcialmente.

Se temos drivers melhores hoje para usarmos nos nossos computadores que são equivalentes aos do Windows, a plataforma mais tradicional no segmento de desktop, muito devemos aos jogos. Algumas empresas se tornaram open source nesse processo, como a AMD por exemplo, que agora distribui seus drivers diretamente através do Kernel Linux.

Para além dos drivers de vídeo


O interesse de empresas por tecnologias que envolvem jogos é notório hoje em dia, a gamificação de trabalho está muito na moda atualmente, e não é à toa, ela simplesmente aumenta a produtividade e, segundo alguns estudos, até mesmo a felicidade de quem trabalha dessa forma.

O interesse de pessoas por jogos e por Linux (e por jogos no Linux) aumentou incrivelmente nos últimos anos, ainda que alguns possam dizer que no final os números brutos não são gigantescos.

Nesse caso eu lhe digo "tudo bem", eles não chegam a ser relevantes para o ponto atual da história, o número poderia ser até menos ou maior que não faria muita diferença atualmente, afinal, é apenas o começo.

Mas essas buscas mostram que as pessoas não estão atreladas ao Windows necessariamente porque gostam do Windows em si, elas gostam do que a plataforma é capaz de rodar, obviamente, nem todo mundo se encaixa nessa métrica, mas é algo para se pensar: 

As pessoas usam Windows porque gostam do Windows ou porque são obrigadas a usá-lo por conta de algum software ou game? É uma ótima pergunta, sem dúvida.

Quando o mercado começa o olhar para o Linux como uma alternativa viável para jogos, outras pessoas começam a se aproximar, e estes são profissionais de diversas áreas diferentes que também trazem seus conhecimentos para o sistema. 

O ano de 2018 trouxe um dos momentos mais impressionantes no quesito de liberação e produção de aplicativos para Linux, graças a iniciativas como Flatpak, Snap, AppImage e maior acessibilidade de distribuições famosas, como Ubuntu, Fedora, Manjaro, Linux Mint, elementary OS e até mesmo o Deepin, que mostram que para usar Linux você não precisa ser "graduando em física quântica", basta ter um mínimo de curiosidade e vontade de aprender algo novo.

Desenvolvedores sempre irão atrás de usuários e estarão onde eles estão, não basta ser bom, tem de ser conhecido, tem de se ter uma quantidade considerável de usuários, por isso que o crescimento do mercado para "caminhos abertos", no sentido "open source da palavra" trazem-nos bons presságios.

A divisão do mercado


A maior parte das pessoas que compara o Market Share do Linux com o Windows nos Desktops percebe uma grande diferença, mas, desconsiderando o fato de que é impossível ter certeza dos números do Linux no Desktop, afinal não existe geralmente um registro ou algo assim, como há no Windows e no macOS, é notável o quanto mais e mais pessoas vem utilizando a plataforma em seus computadores nos últimos anos.

Pense à curto prazo: Apenas cinco anos atrás muito menos pessoas usavam Linux, o que será que pode acontecer daqui cinco anos? Cinco anos atrás nós tínhamos poucos jogos para Linux, hoje é seguro apostar em 70% da Steam, graças ao Steam Play (Proton), o que será que virá daqui a cinco anos?

Pensando de forma mais pragmática, dificilmente o Linux chegará no Market Share do Windows algum dia, não é impossível, claro, mas talvez eu não esteja mais com todo o pique que eu tenho hoje para escrever esse blog quando (e se) esse dia chegar, a menos que a Microsoft resolva que vai transformar o Windows em um serviço com base Linux, algo que há alguns anos seria inimaginável, e hoje nem tanto, algumas pessoas até torcem por isso.

Ainda assim, acho que não precisamos comparar o Linux (como plataforma Desktop) com o Windows nesse caso, podemos ir diretamente para o segundo colocado, o macOS. O macOS é um sistema operacional fantástico, prático, mas que também tem, como todo sistema, suas próprias limitações.


O preço proibitivo, especialmente no Brasil, dos produtos da Apple acaba dificultando a adoção do macOS por massas da população, ou você realmente acha que se as pessoas pudessem baixar o macOS e instalar facilmente como fazem com o Windows o sistema "da maçã" teria tão poucos usuários? Além disso, por mais que não faça sentido, para muitas pessoas, aparentemente, parte da "graça" está em justamente pagar caro pelos produtos.

Fun Fact: Dizem por aí que um Rim vale cerca de 250 mil Reais no mercado negro, se você vender um rim dá para comprar dois iMac PRO, um para você e outro para sua esposa ou marido e ainda sobra um troco para gastar nos dongles. 🍘



A palavra "poucos", é claro, está no sentido figurado, afinal, alguns milhões de usuários não são poucas pessoas, assim como os milhões de usuários Linux não são, ainda assim, o macOS, ocupando a segunda posição em popularidade de mercado desktop, e aparentemente confortável com isso, tem cerca de 8 a 10% de Market Share, dependendo da fonte que você pesquisar.

Com essa quantidade de usuários o macOS é considerado por muitos uma plataforma importante, é claro que ter a multimilionária, Apple, por trás ajuda muito.

Se o Linux no Desktop está longe do Windows em quantidade, do macOS não é tudo isso...

Para falar a verdade, é pouca a diferença e o Linux tem uma possibilidade de crescimento exponencial da forma com que está se desenvolvendo agora, ainda mais com o Chrome OS, Steam e possivelmente a Epic Games no próximo ano.

Jogos são uma porta de entrada


Junto com os games, muitas tecnologias diferentes podem se aproximar do Linux, o modo Open Source de se trabalhar vem se tornando cada vez mais interessante por ser menos custoso para as empresas e trazer maior qualidade para o software base, esse é certamente um dos motivos da Microsoft ter anunciando que seu navegador agora se baseará no projeto Chromium.

É provavelmente incontável o número de pessoas ainda desinformadas em relação a jogos no Linux ou que estão completamente alheias às facilidades e qualidade de se usar uma distro como o Linux Mint, para citar apenas um exemplo.

Como nosso canal da Twitch.tv vem ajudando a mudar isso


Há algum tempo nós decidimos dar um passo além do YouTube, onde temos, graças a vocês, leitores do blog, o maior canal do mundo em visualizações/inscritos a usar Linux e Open Source como pauta majoritária, o que não é pouco, especialmente considerando o nosso idioma. Os brasileiros são apaixonados por Linux e tecnologias abertas.

Como eu disse no início do artigo, o canal Diolinux no YouTube iniciou com a ideia de mostrar jogos, porém, ao desenvolver o canal foi notório o quanto a comunidade brasileira estava, na época,  carente de informação referente ao uso cotidiano do Linux no desktop e eventualmente de outras tecnologias, por este motivo, o canal acabou recebendo um viés diferente e o conteúdo de jogos ficou em segundo plano ao longo do tempo, apenas aparecendo em vídeos especiais, como este, que inclusive, pretendemos repetir em breve:


O nosso público no YouTube acabou ficando mais segmentado em relação ao Linux, são pessoas mais sérias, profissionais e apaixonados pelas possibilidades que o Linux e a tecnologia podem trazer e claro, muitas dessas são apaixonadas por games também.

Há alguns anos eu fiz um vídeo dizendo que "o Linux me fez ser um gamer novamente", aquele foi o momento em que eu percebi que eu, que tinha me desligado do mundo dos jogos durante um curso técnico especialmente e estava há quase 3 anos sem jogar nada, tinha me aproximado dos jogos novamente graças ao porte da Steam para Linux.


A Twitch.tv é um lugar especial para os gamers. Para você que não conhece, a Twitch é o recanto dos gamers na internet, é onde as pessoas fazem livestreams diárias de vários jogos diferentes e milhões de pessoas às acompanham, é onde as grandes empresas do mundo dos eSports fazem suas transmissões oficiais, é um lugar especial, como eu disse. E é nesse lugar que nós pretendemos divulgar o Linux como plataforma de jogos! :)

Dezembro de 2018 representa o quarto mês em que nós fazemos lives diárias na Twitch jogando SEMPRE jogos de Linux, que rodem no Linux, nativamente, via Wine, emuladores, ou o que for, buscando quebrar o preconceito das pessoas que acham que Linux não pode ser utilizados para jogos e diversão, além de criar uma comunidade de amigos e pessoas especiais que entendem o quanto essa mudança de paradigma ajudará a todos, inclusive quem não joga, e estão sempre nos apoiando e caminhando ao nosso lado nessa jornada que promove uma verdadeira mudança cultural.

A prova de que o nosso projeto da Twitch, que ainda está só começando, está trazendo resultados, é que diversas pessoas que nunca tinham ouvido falar do "Diolinux" chegaram por lá, conheceram o canal e estão tendo contato com Linux pela primeira vez.

Frases como:

"- Nossa, eu não sabia que Linux rodava jogo!" ou "- Nossa, não sabia que tinha esse jogo para Linux" ou ainda "- Nossa! Você joga mal pra caramba!", são muito comuns! 😁

Um caso muito interessante aconteceu nesta última semana, ao fazer a nossa live tradicional no Sábado à tarde, estávamos jogando o novo modo de Battle Royale do CS:GO, Danger Zone, no Linux no nosso canal na Twitch, quando uma pessoa entrou no chat ao vivo e começou a interagir com a galera. Depois de alguns momentos descobrimos que era um menino de apenas 10 anos, que provavelmente estava interessado em apenas jogar o jogo, ou aprender a jogar com a gente, mas que agora está em contato com um novo mundo de tecnologia que, a maioria de nós, ou pelo menos eu, só tive contado depois de adulto.

Tudo isso graças a um jogo!

Quando mais cedo as pessoas entrara em contato de forma adequada com essa tecnologia, mais provável que crescem e se tornem melhores profissionais, que entendam a tecnologia como um todo  e que não fiquem limitado ao que é o "senso comum". E ainda temos um efeito colateral simples, que é o acesso a um sistema operacional mais seguro e gratuito para rodar os games, sem pirataria, sem toolbar, sem ter que pagar.

A sua ação faz diferença, você pode mudar o mundo com o seu clique


A maior parte da comunidade Linux que consome o nosso conteúdo é extremamente engajada, mas ainda assim, talvez não tenha entendido o poder do seu clique.

Recentemente eu vi um vídeo que falava sobre "liberdade e mudar o mundo", o autor sugeria algo que faz muito sentido na minha cabeça, ele dizia: 

- Você quer mudar o mundo?
    
Faça algo.   

- Você não "pode" ou não tem "habilidade" para ajudar diretamente a sua causa?

Ajude que está lutando por você e com você.

- Como assim?

Taca a carteira, divulgue.

Eu não poderia concordar mais, quantas vezes você já colaborou com algum projeto open source financeiramente? Quantas vezes você já divulgou um material relacionado?

Inclusive, quero agradecer imensamente a todos aqueles que acreditam que o nosso trabalho está ajudando a fazer a diferença e nos ajudam através do Padrim, do Clube dos canais e nos mandam Bits e Super Chats nas lives do YouTube e da Twitch!

Aproveito também para anunciar que de hoje em diante, um percentual do lucro da nossa loja, a DioStore, será convertido em doações para projetos Open Source que os nossos clientes poderão escolher.

Porém, dinheiro realmente não é tudo, a sua ação, o seu clique faz a diferença! Você já leu algum artigo útil para você por aqui e não compartilhou? Esse artigo poderia ter ajudado mais pessoas e mais pessoas, se você tivesse "apenas clicado", tendo colocado ainda mais gente em contato com esse tipo de conteúdo.

Ajude-nos a atingir mais pessoas, o seu gesto pode parecer simples mas ele faz total diferença, compartilhe os nossos artigos, compartilhe os nossos vídeos, clique no gostei, compartilhe o nosso canal na Twitch, assista as nossas lives, ajude-nos! Somos muito mais fortes com você, você nos ajuda a ter voz!

Você pode fazer tudo isso com simples cliques do seu mouse e toques na tela do seu celular, fazendo isso você estará ajudando o mundo a conhecer e entender novas possibilidades, em muitos casos, você estará inclusive libertando pessoas que estão insatisfeitas mas que acham que a única forma de fazer as coisas é aquela tradicional, a qual lhes foi ensinada, para ter liberdade de escolha é preciso conhecer todas as opções.

Vai nos ajudar a espalhar esse artigo? :)

Um grande abraço! Nos vemos por aí nas nossas lives e no YouTube também.

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