Como foi utilizar Ubuntu (Linux) em viagens? - Diolinux - O modo Linux e Open Source de ver o Mundo

Responsive Ad Slot

Como foi utilizar Ubuntu (Linux) em viagens?

Vou compartilhar com você a minha experiência usando Linux no meu laptop de viagens

terça-feira, 28 de maio de 2019

/ por Dionatan Simioni
Quem costuma viajar com intenção de trabalhar, geralmente se preocupa com o chamado “computador de viagem”, o que sem dúvida é importante. Você precisa se preocupar com um bom hardware, bateria, peso, etc; mas o sistema operacional também é importante, afinal, é com ele que você vai trabalhar no fim das contas.

Como foi usar Linux para viajar





Eu já fiz alguns vídeos no canal sobre "Como comprar um bom laptop" que vale bastante a pena você conferir, um deles é sobre “como comprar um com notebook para estudos”, o outro é tem um propósito mais geral e tem a intenção de evitar que você caia no chamado “combo da desgraça”, mas como mencionei, a ideia aqui é comentar sobre o comportamento do sistema operacional para viagens, por isso, vamos a algumas informações importantes.

Como o computador foi usado? 


Recentemente eu fiz um viagem relativamente longa, fiquei cerca de 10 dias fora, peguei alguns voos, tive algumas boas horas de espera em aeroportos e tempos de descanso em quartos de hotel e coisas do tipo, tentei trabalhar com o computador sempre que a “internet” me favorecia.

O computador era potente o suficiente para fazer até mesmo edições de vídeo mais básicas, porém, meu uso primário realmente foi navegação na internet, com checagem de e-mails e redes sociais, aplicativos de comunicação como Slack, Messenger e Telegram, além de redação de texto e edição de imagens leve (com o GIMP).

Hardware e sistema operacional 


Para fazer a viagem, eu fiz uma formatação zerada com o Ubuntu 19.04 Disco Dingo, com ambiente gráfico GNOME (versão 3.32), rodando de maneira bem funcional em um laptop Lenovo Yoga 12, o qual já apareceu diversas vezes no canal.

Lenovo Yoga 12


O Ubuntu 19.04 tem uma versão do GNOME extremamente lapidada em relação a versão 18.04 LTS, e roda muito melhor com um Core i5 5200U, que possui uma Intel® HD Graphics 5500 (Broadwell GT2), um SSD de 240GB e 4GB de Memória RAM, além de uma SWAP de 2GB, que raramente é usada. 

O computador tem uma resolução relativamente baixa para os padrões atuais, porém, é o suficiente para fazer o trabalho que espero fazer com ele, 1366x768, em uma tela de 12 polegadas, sensível ao toque.

Modificações no Ubuntu e no GNOME


Apesar de eu testar utilizando o Ubuntu por simplesmente ser a distro mais popular em desktops e ser uma das minhas preferidas também, essas dicas provavelmente se aplicam a qualquer outro sistema que use a mesma versão do GNOME, como o Fedora 30 e o mais recente Manjaro.

Por padrão o Ubuntu 19.04 roda com o X.org, ele é o clássico servidor gráfico das distros Linux, é estável e funciona muito bem, mas, para quem usa drivers open source (caso de placas Intel e AMD especialmente), o Wayland já pode funcionar perfeitamente, salvo um ou outro aplicativo específico que, com sorte, você não precisará utilizar.
Na tela de “login” do Ubuntu é possível selecionar qual deles você prefere utilizar e sugiro que você utilize o Wayland (observe as suas necessidades, preferências e Apps que você utilize), ele consegue ser mais eficiente e deixar o GNOME mais fluido no Ubuntu em muitos casos, ao menos foi o que senti usando um computador como o que descrevi.

Tirando esta questão de uso do Wayland, eu praticamente não fiz modificações no Ubuntu, porém, fiz um ajuste e adicionei uma aplicação.

Aprendendo com quem hoje dá exemplo


Confesso que fiquei na dúvida sobre levar o Ubuntu ou o Pop!_OS como sistema operacional do meu computador de viagem e, apesar de ter ouvido falar muito bem do projeto da System76 e eu mesmo ter comprovado a sua qualidade, a verdade é que eu não tenho muito tempo de uso com ele para confiar 100% (sorry, quem sabe na próxima), então, coloquei o Ubuntu, que sei que nunca tenho problemas e se, eventualmente algo aparecesse (o que não aconteceu), eu saberia resolver facilmente.

Ubuntu vs Pop_OS


Apesar de não ter levado o Pop!_OS para a viagem, uma das características dele é, na verdade, muito interessante para essas circunstâncias. 

Se você viu a review da versão 19.04 do Pop!_OS no nosso canal, talvez lembre que mencionamos sobre um tal “gerenciador de bateria”, pois bem, como era de se esperar, a “vida” do computador fora da tomada é um ponto importante em uma viagem, por isso, achei interessante adicionar um software que mostramos aqui no blog recentemente chamado “Slimbook Battery Manager”, um software que faz a mesma coisa que as configurações do Pop!_OS, porém, é um App à parte e desenvolvido pela empresa Slimbook, responsável pela venda de Laptops com esta marca, especialmente na Europa.

Não vou explicar demasiadamente este App, pois temos um artigo completo sobre ele aqui no blog, como já mencionei, mas para você ter uma idéia, ele atribui perfis de bateria, como “Energy Saving”, “Balanced” e “Maximium Performance”, além de ter um modo avançado bem legal onde você pode configurar alguns detalhes. Colocando o computador no modo de economia de energia com esse software, ele reduz o brilho da sua tela também, o que por si só já ajuda.

Configuração de bateria Ubuntu


Recomendo desligar o brilho automático de tela que o GNOME tem no Ubuntu, você consegue fazer isso facilmente pelo painel de controle. Meu conselho, para poupar bateria neste aspecto é deixar o brilho com o nivel mais baixo possível que seja o suficiente para visualizar as atividades.

Essa configuração me deu mais de 6 horas de bateria, o que é uma coisa muito boa, porém, ela também reduz um pouco o desempenho do computador, por conta do aplicativo de controle de energia, que reduz o clock do CPU e pode desligar algumas outras coisas, como o Bluetooth e o Wi-Fi. Você também pode fazer configurações finas do perfil de energia se quiser, para escolher ligar e desligar o que bem entender.

Coisas de Wi-Fi Público


Um dos problemas de se acessar a internet em aeroportos é justamente o Wi-Fi público. Recomendo fortemente que você use o seu Smartphone para criar um “hotspot” privado com a sua internet móvel, com uma boa senha para acessar a internet. Não podemos esquecer que é bem simples configurar uma VPN no Ubuntu/GNOME, como uma OpenVPN que você tenha, mas penso que esse é um assunto para outro momento.

Internet Wi-Fi Grátis no Aeroporto


Quando você conectar a um Wi-Fi público usando Linux, de forma geral, você já está mais seguro, no entanto, não há Linux que segure um bom ataque de “phishing”. Engenharia social é feita para enganar você, usuário, e não adianta nada um sistema seguro se você mesmo se expor.

Não é tão difícil criar uma página de autenticação falsa com o nome de “Airport free Wi-Fi” ou algo assim como um AP e capturar alguns dados, por isso, preste atenção! 

Essas páginas de autenticação são bem comuns, porém, lembro que uma  fiz viagens com um Linux Mint e com um KDE Neon e a janela que normalmente se abre para que você possa ler os termos de conexão e conectar não aparecia. Lembro que na oportunidade fiquei rastreando o endereço do roteador que me dava esse acesso para poder digitar o IP dele navegador para acessar essa página e autenticar.
 
Tal problema nunca aconteceu comigo em distros GNOME e também no elementary OS, ao conectar em uma rede no tipo, uma janela que puxa o endereço http://nmcheck.gnome.org é aberta, caso você não veja nada na janela, mesmo depois de dar um "F5", é bem provável que você consiga acessar de qualquer navegador o endereço, como um Firefox ou um Google Chrome da vida, assim permitindo que você faça tal “login”.

Uma experiência tranquila


Não posso dizer que tive qualquer problema por estar usando o Ubuntu na viagem em qualquer situação. Levei comigo um sistema que roda todos os Apps dos quais eu preciso, ainda que tenha um hardware mais limitado, uma bateria que vem perdurando muito (até de forma surpreendente), com conexão tranquila com a internet, seja via Hotspot ou via Wi-Fi público. Não da pra dizer que não seja interessante abrir um laptop cheio de adesivos Linux em meio a um monte de macbooks e gerar alguns olhares eventualmente. 😀

Estou finalizando este texto do portão 211, Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos, São Paulo, antes de embarcar para a minha volta para casa, nesse exato laptop e com as configurações que descrevi.

Até a próxima!
_____________________________________________________________________________
Viu algum erro ou gostaria de adicionar alguma sugestão a essa matéria? Colabore, clique aqui.

Blog Diolinux © all rights reserved
made with by templateszoo