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Steam se pronuncia sobre o caso Ubuntu, e reforça apoio ao Linux

Em comunicado divulgado de forma oficial, a Valve, dona da Steam, reforça o seu compromisso com o Linux e de torná-lo cada vez mais uma plataforma para jogos.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

/ por Ricardo
Com toda a polêmica provocada pela Canonical, com o fim do suporte aos pacotes de 32 bits (i386) e da possível perda de suporte a Steam, e ter voltado atrás na decisão, eis que, finalmente, a Valve se pronuncia via Pierre-Loup através do blog oficial da empresa.


 Steam se pronuncia sobre o caso Ubuntu, e reforça apoio ao Linux





Desde o anúncio da  intenção de finalizar o suporte dos pacotes de 32 bits até toda a repercussão que causou, a única manifestação da Valve (Steam), tinha sido através do perfil pessoal do desenvolvedor da Valve, Pierre-Loup, que até então não “refletia” muito o posicionamento da empresa. Mas agora é de forma oficial.

No comunicado, agora oficinal, o próprio Pierre-Loup, menciona as notícias e discussões em torno do tema “Fim do suporte a pacotes de 32 bits” no Ubuntu, linkando o comunicado feito pela Canonical em seu Discourse. Falou também que após esse comunicado, eles (sim ele se colocou como um porta voz da Steam no caso), estariam oficialmente não recomendando o Ubuntu 19.10 e versões posteriores para os usuários. O que é importante frisar aqui é que eles também não estariam “desrecomendando” o Ubuntu, seria mais uma questão de não apoiar claramente um único sistema, como foi feito antigamente, colocando um link para download do Ubuntu na página da Steam Linux inclusive, abrindo margem para trabalhar de forma mais próxima com outras comunidades Linux, incluindo a própria Canonical e o Ubuntu.

O desenvolvedor da Valve comenta sobre o suporte para às bibliotecas de 32 bits ser essencial e necessária,  não somente para a execução do app da Steam, mas principalmente por serem necessárias para vários jogos que estão na Steam e que somente estão disponíveis em 32 bits, ou seja, elas são importantes para manter os clientes da Valve com produtos que funcionem em suas compras. Pierre-Loup também comentou a decisão da Canonical de voltar atrás e até a versão 20.04 LTS esses pacotes estariam disponíveis, o que daria muito mais tempo do que alguns poucos meses até Outubro, que é quando o 19.10 sairá. Segundo Pierre, eles não ficaram “animados” com esse cenário, mas que essa atitude foi bem-vinda.

A Canonical tratou de tranquilizar as pessoas afirmando que trabalhará com a comunidade para incluir as libs necessárias para que tudo funcione, tanto na versão 19.10, quando na 20.04 LTS, de fato, nada foi falado até então em relação ao que bem depois, mas tudo é “conversável” sem sombra de dúvidas. No fundo a Steam sabe, que não só no Linux, mas no Windows também, as bibliotecas e componentes de 32 bits estão em contagem regressiva e é preciso criar tecnologias que permitam que clientes da Steam de 10 anos daqui em diante  possam instalar os games de hoje, da mesma forma que os clientes de hoje possam rodar os games que compraram a 10 anos atrás.

Esse é o tipo de desafio que nenhuma outra empresa de games enfrentou até agora, a Valve é pioneira em proporções em muitos sentidos nesse mercado, não existem modelos a serem seguidos, mas muito provavelmente qualquer que seja a tecnologia adotada no futuro, outras empresas vão se basear na própria Valve muito provavelmente.

É como se não tivesse acontecido?


No fim das contas parece que se você tivesse fechado os olhos e ouvidos para esse assunto nas últimas duas semanas e simplesmente seguisse com a sua vida, nada realmente teria mudado e, de fato, a programação segue a mesma. Ubuntu 19.10 vem aí e a Steam está com ele, assim como era de se esperar. Apesar disso, talvez esse tenha sido um indicativo para a Valve que talvez deva pensar em formas mais universais de manter o cliente Steam, assim como pensar em tecnologias que possam substituir essa necessidade de tecnologia legada, afinal, pode não ser agora, pode não ser daqui a alguns anos, mas o momento da arquitetura 32 bits se aposentar completamente é iminente. 

No final do comunicado, ele dedicou dois parágrafos sobre suporte ao Linux e o compromisso da Valve com ele. São eles:

“O cenário do Linux mudou drasticamente desde que lançamos a versão inicial do Steam para ele e, como tal, estamos repensando como queremos abordar o suporte à distribuição daqui para frente. Existem várias distribuições no mercado hoje que oferecem uma ótima experiência em jogos de desktop, como Arch Linux, Manjaro, Pop! _OS, Fedora e muitos outros. Trabalharemos mais de perto com muitos outros mantenedores de distribuição no futuro. Se você está trabalhando em tal distribuição e não sente que seu projeto tem uma linha direta de contato conosco, por todos os meios, se comunique diretamente com um representante.

Dito isto, não temos nada específico para anunciar neste momento sobre quais distribuições serão suportadas no futuro; espere mais notícias sobre isso nos próximos meses. Continuamos comprometidos em apoiar o Linux como uma plataforma de jogos, e continuamos a impulsionar numerosos esforços de desenvolvimento em recursos e drivers que esperamos ajudar em melhorar a experiência em jogos no desktop em todas as distribuições; falaremos mais sobre alguns exemplos disso em breve.”

Me parece claramente um recado bem dado da Valve para a Canonical, deixando claro que não gostou nada da atitude e que vai procurar apoiar outras distribuições também, assim não ficando “refém” da Canonical (Ubuntu), como ela não queria ficar da Microsoft (Windows).

Provavelmente o maior erro da Canonical não foi sugerir o encerramento dos 32 bits, até porque todos esperam que isso aconteça em algum momento, o maior problema foi chegar com essa “decisão em forma de comunicado” e não em forma de consulta, para avaliar o quanto as pessoas precisam de tais recursos, em outras palavras, faltou medir o impacto da decisão. Em conversar particulares com Will Cooke, líder da sessão de desktop da Canonical, fica claro o quanto ele entende a questão de que “nossas decisões afetam milhões de pessoas e por isso temos que pensar bem sobre cada questão”, o que não pareceu na época do anúncio, mas acabou se confirmando com a admissão do problema e a “volta ao normal”.

Será que o Ubuntu está precisando de um concorrente forte? Tenho certeza de que mal não faria.
Este artigo não acaba aqui, continue trocando uma ideia lá no nosso fórum.

Espero você até a próxima, um forte abraço.

Artigo co-escrito por Ricardo e Dionatan

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