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Arch Linux para iniciantes - Como instalar o sistema passo a passo!

Aprenda a instalar o Arch Linux de uma vez por todas com um dos tutoriais mais completos que você vai encontrar

domingo, 7 de julho de 2019

/ por Dionatan Simioni
Chegou o grande dia, hoje vamos produzir um tutorial passo a passo para você instalar o "temido" Arch Linux no seu computador. Ao final, além de uma sensação de satisfação e um sorriso "hacker" na sua cara, espero que você diverta-se com o seu novo sistema. 😀

Arch Linux instalação passo a passo






Eu acho o Arch um sistema muito interessante, mas assim como eu vejo gente se frustrar quando testa o Kali Linux pela primeira vez e não consegue fazer a coisas, eu vejo algumas pessoas se decepcionando com o Arch de forma errônea, simplesmente por não entender a proposta do sistema.

Citando a própria Wiki do Arch Linux:

"Eu sou um completo iniciante no Linux. Eu deveria usar o Arch?

Se você é um iniciante e deseja usar o Arch, você deve estar disposto a investir tempo para aprender um novo sistema, e aceitar que o Arch é projetado como uma distribuição de 'faça você mesmo'; é o usuário que monta o sistema.

O Arch é projetado para ser usado como um servidor? Um desktop? Uma estação de trabalho?


O Arch não foi projetado para nenhum tipo de uso específico. Em vez disso, ele é projetado para um determinado tipo de usuário. O Arch visa usuários competentes que gostam de sua natureza 'faça você mesmo' e que a exploram ainda mais para moldar o sistema para atender às suas necessidades exclusivas. Portanto, nas mãos de sua base de usuários alvo, o Arch pode ser usado praticamente qualquer propósito. Muitos usam o Arch em seus desktops e estações de trabalho. E, claro, o archlinux.org é executado no Arch."

Falando em Wiki, à partir de agora ela é a sua "bíblia". É nela que você vai encontrar praticamente todas as informações necessárias para configurar ou ajustar o Arch Linux. Este tutorial foi baseado nela completamente, mas foi modificado, pensando no meu perfil de usuário e de forma a tornar esse processo mais simples de entender.

OBS: Você vai ter que "gostar" de ler manuais, não tem jeito. Ter um conhecimento prévio de Linux e seus comandos, independente da distro (falo de comandos de manipulação mesmo, não gerenciamento de pacotes), vai te ajudar muito.

Este também não é um dos tutoriais que você simplesmente vai copiar e colar tudo o que aparecer, é importante que você entenda o processo e adapte a sua realidade.

No fim das contas, o processo mais "complicado" para se instalar o Arch é a instalação, que é feita manualmente, na forma original do sistema, entretanto, existem diversos scripts na internet que te ajudam nessa tarefa. Obviamente você é livre para escolher o caminho que quiser, mas supõem-se que para obter "aquele nível alto de personalização", você deve fazer a instalação de forma manual, o que é discutível, mas é exatamente o que vamos fazer.

Fazendo o download do Arch Linux


Você encontra a ISOs para download do Arch Linux aqui. Depois é só usar um programa como o Etcher para criar um pen drive bootável da distro, como você faria com qualquer outra.

O Arch Linux é uma distribuição Rolling Release, então, não realmente importa tanto a "idade" da ISO que você tiver ou for baixar, ela poderá ser atualizada tranquilamente para a versão mais atual. Eventualmente ISOs mais recentes vão fornecer certos recursos novos, como um Kernel Linux mais recente, o que pode te ajudar a rodar em certos hardwares. De forma geral, meu conselho é sempre baixar a versão mais recente antes de uma instalação.

Conferindo o seu computador para rodar o Arch Linux


O Arch Linux pode rodar em modo BIOS-Legacy ou EUFI, então eu recomendo que você consulte o setup da sua BIOS para verificar como o modo de Boot está configurado, além desativar o Secure Boot, caso ele esteja ativado. Saber isso é importante para quando formos instalar o bootloader no sistema.

A instalação do Arch Linux


Eu fiz todo o processo de instalação em vídeo, assim fica mais simples e você ver claramente cada etapa, logo abaixo, coloquei todos os comandos utilizados e observações, com dicas para facilitar a sua vida. Praticamente "tudo" neste tutorial pode ser feito de forma diferente, se você quiser, mas eu tentei organizar e fazer as coisas de uma forma que dê menos dor de cabeça.

Confira o vídeo com o passo a passo completo:


* Abaixo você encontra os comandos usados no vídeo acima.

O primeiro passo é ajustar o seu teclado, eu utilizo teclados com padrão em Inglês, se você este o seu caso, você não necessariamente precisa alterar o layout dele, porém, caso você use um teclado Brasileiro, ABTN2 (padrão no Brasil), você pode carregar as teclas assim:
loadkeys br-abnt2
Esse carregamento de layout é válido somente para o movo live.

Toda a instalação do Arch precisa de acesso à internet, por isso é importante que você esteja conectado. Por padrão, temos o DHCP ativado no sistema, então, a menos que você tenha um tipo de internet onde seja necessário configurar o IP diretamente na máquina, essa parte não será problema, você pode verificar se você tem conexão "pingando" para algum site, como:
ping google.com 
Caso não exista conexão, vamos precisar configurá-la. Existem várias formas de fazer isso, mas as mais simples são:

Caso você tenha Wi-Fi:
wifi-menu
Abre um diálogo simples de escaneamento de rede, permitindo que você selecione com o teclado a rede desejada, digite a senha e pronto.

Caso você precise configurar a sua rede cabeada, confira estas informações.

Conectou? Bom também! Vamos continuar!

O próximo passo é conferir as suas partições, isso é definitivamente algo particular, por isso vou usar o meu exemplo, e você pode fazer como desejar. Em meu notebook, tenho um SSD de 240GB que será completamente tomado pelo Arch Linux, sem dual boot, caso você deseje fazer dualboot, tome cuidado para não apagar as partições do seu sistema.


Existem vários utilitários para se trabalhar com particionamento, um dos mais populartes é o fdisk. O comando:
fdisk -l
Vai te mostrar todos os seus dispositivos, no meu caso, o primeiro disco é o que vou usar para fazer a instalação, desse modo, ele é o /dev/sda.




Rodando o comando:
fdisk -l /dev/sda
Conseguimos ver todas as partições existentes no disco. Apesar do fdisk ser uma competente ferramenta para tal, eu prefiro usar o cfdisk para fazer o particionamento, ele é "mais gráfico" e vai ser mais fácil para quem não está acostumado. 

Basta rodar:
cfdisk /dev/sda
Vamos ter que criar 3 ou 4 partições (4 no caso e você querer usar uma partição como SWAP ao invés de um swapfile). Caso seja necessário, você deve criar uma nova tabela a partição, escolha GPT se você usar UEFI, se for usar BIOS-legacy, pode ser MBR.

No meu caso ficou:

/dev/sda1 (500MB para o /boot/efi)
/dev/sda2 (50GB para /)
/dev/sda3 (todo o resto para o /home)
/dev/sda4 (2GB para swap)

Lembre de fazer o cfdisk escrever as partições e de marcar a partição que receberá o GRUB (no meu caso a /dev/sda1/ como BIOS bootavel em "type") . O próximo passo é formatá-las:

mkfs.fat -F32 /dev/sda1
mkfs.ext4 /dev/sda2 
mkfs.ext4 /dev/sda3
mkswap /dev/sda4 
Obviamente, você pode preferir outros sistemas de arquivos, além do Ext4, se for o caso, consulte a Wiki do Arch para entender melhor cada comando, ou vefique o manual do mkfs.

Pontos de montagem


O próximo passo é fazer a montagem das partições do sistema, atente-se que será necessário criar algumas pastas para poder fazer a montagem.
mount /dev/sda2 /mnt
mkdir /mnt/home
mkdir /mnt/boot
mkdir /mnt/boot/efi (se for usar EUFI) 
mount /dev/sda3 /mnt/home
mount /dev/sda1 /mnt/boot/efi
swapon /dev/sda4
Feitos os pontos de montagem, você pode querer alterar os mirros do Arch para, quem sabe, fazer o download mais rápido, esse passo é opcional, mas pode ser feito editando o arquivo (estou usando o editor 'nano' nesse caso):
nano /etc/pacman.d/mirrorlist 
Você pode mover o mirror desejado para cima, ou simplesmente comentar com um # os que você não quiser que sejam usados.

Particularmente eu não altero os mirrors, é algo pessoal. O próximo passo é a instalação dos pacotes base do Arch nas partições que você criou:
pacstrap /mnt base linux linux-firmware
Algumas pessoas sugerem o "base-devel" também, que são arquivos para desenvolvedores, particularmente não vejo a necessidade de instalá-los, mas se você quiser, apenas acrescente-os ao comando, ficando assim:
pacstrap /mnt base base-devel
Essa parte costuma demorar um pouco, então tome um café ou um chá.  🍵

Feita essa parte, vamos gerar a nossa tabela FSTAB, que vai dizer para o sistema onde estão montadas cada uma das partições, faremos isso usando este comando:
genfstab -U -p /mnt >> /mnt/etc/fstab
Esse "-U" ali "no meio da turma" é para que seja usados os IDs dos discos no FSTAB, ao invés dos rótulos, se tiver dúvidas de como o FSTAB funciona, confira aqui:


Você pode verificar se o arquivo foi gerado com sucesso e o seu conteúdo com:
cat /mnt/etc/fstab
No meu caso, tenho de ter 4 partições, cada qual com suas descrições. Caso algo esteja errado, use um editor de textos para configurar corretamente.

Agora é hora de mudar para dentro do sistema


Até o momento, o que estávamos fazendo eram configurações que eram jogadas para dentro de /mnt, onde o sistema estava montado, agora, vamos mudar para dentro do nosso sistema em processo de instalação com:
arch-chroot /mnt
Uma vez logado no seu sistema (repare que o terminal mudou de aparência), tudo o que você fizer agora, ficará em definitivo no seu Arch Linux. 

Você pode alterar data e hora depois, quando instalarmos uma interface, assim como o fuso horário, mas se você quiser fazer isso agora, manualmente (como manda a 'bíblia'), você pode fazer também, precisamos criar um link simbólico mais ou menos assim:
ln -sf /usr/share/zoneinfo/Região/Cidade /etc/localtime
No meu caso, usando horário de Brasília:
 ln -sf /usr/share/zoneinfo/America/Sao_Paulo /etc/localtime
Podemos também sincronizar o relógio com as informações da BIOS, se ela estiver correta, o seu relógio também estará, ainda que todo mundo use o horário da internet praticamente hoje em dia:
 hwclock --systohc
O nosso próximo passo é configurar o idioma do sistema, alterando o arquivo locale.gen, faça isso descomentando a linha "pt_BR.UTF-8 UTF-8" com o comando:
nano /etc/locale.gen
Salve e saia e gere o arquivo assim:
locale-gen
Agora, podemos configurar a variável de linguagem em locale.conf, usando este comando:
 echo LANG=pt_BR.UTF-8 >> /etc/locale.conf
Caso você queira usar o teclado com o layout abnt2 (não é o mseu caso), use este comando:
echo KEYMAP=br-abnt2 >> /etc/vconsole.conf
Temos agora uma série de configurações que pode ser feita, tanto agora, quanto depois da instalação em si, mas, para fins de deixar o seu sistema "mais pronto", vamos editar o nome do host para rede:
nano /etc/hostname
Geralmente eu coloco o nome "arch" aqui, mas pode ser qualquer nome que você queira, apenas tenha ele em mente para editar o /etc/hosts:
nano /etc/hosts
Dentro desse arquivo adicione:

127.0.0.1      localhost.localdomain            localhost
::1               localhost.localdomain            localhost
127.0.1.1     meuhostname.localdomain    meuhostname 

Em "meuhostname", nesse caso, seria "arch", sem aspas.

Vamos configurar agora a senha nova para o seu usuário root:
passwd
Digite duas vezes a sua nova senha e não a esqueça! (Anote-a se for necessário)

Você pode criar outros usuários se você quiser agora, mas isso também pode ser feito depois, pela interface, o que acaba sendo mais simples. De toda forma, como exemplo, você pode criar um ususário com o seu nome:
useradd -m -g users -G wheel nome_desejado_para_o_usuario
Vamos aproveitar a ocasião para instalar alguns pacotes que serão úteis na pós instalação do sistema:
pacman -S dosfstools os-prober mtools network-manager-applet networkmanager wpa_supplicant wireless_tools dialog sudo
Caso você já tenha criado outro usuário, e tenha instalado o "sudo" como eu fiz, é preciso adicionar o seu usuário dentro do arquivo "sudoers":
 nano /etc/sudoers
Ao final do arquivo adicione "USER_NAME   ALL=(ALL) ALL", por exemplo:
dionatan ALL=(ALL) ALL
Salve e saia.

Você pode criar um usuário usando o "useradd" normal, sem usar parâmetros, como você faria em outras distros, porém, esse comando "cru" no Arch Linux, não cria a sua pasta de usuário na home, então você pode criar ela manualmente, por exemplo:
mkdir /home/dionatan
E então mude a home para lá com:
usermod -d /meu/novo/home -m dionatan

Instalando o GRUB 


Essa é uma parte onde muita gente "se perde", pois existem dois caminhos para se seguir, se você usar:

##BIOS##

pacman -S grub
grub-install --target=i386-pc --recheck /dev/sda
cp /usr/share/locale/en\@quot/LC_MESSAGES/grub.mo /boot/grub/locale/en.mo

##EUFI##

pacman -S grub-efi-x86_64 efibootmgr
grub-install --target=x86_64-efi --efi-directory=/boot/efi --bootloader-id=arch_grub --recheck
cp /usr/share/locale/en\@quot/LC_MESSAGES/grub.mo /boot/grub/locale/en.mo
E por fim, vamos gerar o arquivo de configurações do Boot:

grub-mkconfig -o /boot/grub/grub.cfg
Chegamos ao final da instalação padrão, digite "exit" ou pressione "Ctrl+D" e use o comando "reboot" para reiniciar o computador, remova o pen drive da máquina.

Depois da instalação


Depois de reiniciar o seu computador, já com o Arch Linux instalado no seu HD/SSD, logue-se com o usuário root para fazer mais algumas modificações, o nome do usuário é "root", sem aspas, e a senha, é a que você definiu com o passwd.

Precisamos conectar o nosso sistema à internet novamente, mais uma vez, você pode usar o wifi-menu para conectar a uma rede wireless, ou então, usar o networkmanager que instalamos antes:
wifi-menu
systemctl status NetworkManager
systemctl start NetworkManager
Com a sua internet funcionando, vamos instalar alguns pacotes básicos para o funcionamento de qualquer interface, vamos atualizar o sistema e instalar o Xorg inicialmente:
pacman -Sy
pacman -S xorg-server 
Vamos instalar agora os drivers de vídeo:

##Intel##
pacman -S xf86-video-intel libgl mesa
##Nvidia##
pacman -S nvidia nvidia-libgl mesa
##AMD##
pacman -S mesa xf86-video-amdgpu
Caso você esteja usando o Arch em uma máquina virtual, como o Virtualbox, instale estes pacotes:
pacman -S virtualbox-guest-utils virtualbox-guest-modules-arch mesa mesa-libgl
Daqui por diante, depende um pouco do que você vai querer instalr como interface, se vai ser GNOME, KDE Plasma, XFCE, etc.

##GNOME##
pacman -S gdm
systemctl enable gdm
Observe que neste caso, grupos de pacotes (meta-pacotes) como o "gnome", instalam um conjunto amplo de aplicações (semelhante ao que o Fedora Linux entrega por padrão), se você quiser uma instalação mais enxuta, selecione os pacotes manualmente, como "gnome-shell", "gedit", etc. 
pacman -S gnome gnome-terminal nautilus gnome-tweaks gnome-control-center gnome-backgrounds adwaita-icon-theme
Você também pode querer instalar um outro navegador ou qualquer outro pacote, como o Firefox:
pacman -S firefox 
#KDE Plasma##
pacman -S sddm
systemctl enable sddm
pacman -S plasma konsole dolphin
##XFCE (instalado com GDM ou SDDM)##
 pacman -S xfce4 xfce4-goodies xfce4-terminal
Para outros ambientes, mais uma vez, consule a Arch Wiki. Independente de qual ambiente você escolha, ative agora o Network Manager no boot do sistema para que a sua internet volte funcionando 100%.
systemctl enable NetworkManager
Agora é só reiniciar o sistema.

Se tudo deu certo, você tem um novo Arch Linux, logue-se via interface com o seu usuário Root e aproveite para criar um novo usuário tradicional para que você use o sistema confortavelmente sem problemas de segurança, lembre-se de adicioná-lo ao arquivo sudoers, se quiser usar o sudo para rodar os comandos.

Por fim, quero deixar aqui alguns links de referência para utilização deste material, eles pode ajudar a tirar algumas eventuais dúvidas que surjam no processo de instalação.

- Wiki: Install Guide em Português
- Instalação do GRUB

Isso é tudo pessoal, eu tentei produzir o conteúdo mais denso que eu pude, até o momento, sobre a instalação do Arch Linux, espero sinceramente que o material de ajude na sua jornada.

Se puder, ajudede-nos a compartilhar o conhecimento, espalhando este artigo e o nosso vídeo.

Até a próxima!
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