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Por que as distros brasileiras não fazem tanto sucesso quanto as estrangeiras?

Distribuições BR são ruins? Saiba mais a seguir.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

/ por Henrique AD
Em algum momento você já se perguntou, o porquê das distribuições BR não serem tão populares quanto as de outros países? Muitos fazem esse questionamento, e hoje irei dar meu ponto de vista.

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Parece que “tudo que vem de fora é melhor”, e nossa tecnologia é inferior. Infelizmente uma grande parcela dos brasileiros pensa assim, talvez essa mentalidade seja um reflexo de anos de erros da indústria nacional. Não é comum ver o repúdio de algumas marcas nacionais, do meio de TI, por parte de profissionais ou até consumidores mais instruídos. No entanto, existem produtos de marcas nacionais que entregam boa qualidade.

Se você não entendeu o motivo de começar o assunto falando da preferência dos brasileiros por produtos estrangeiros. Saiba que diversas vezes ao apresentar uma distribuição Linux brasileira para um colega da área de TI, a primeira reação foi do tipo “ih! é brasileira?”.

Creio que o primeiro ponto para uma distro BR não fazer tanto sucesso, quanto as “gringas”, é justamente “por ser brasileira”, de alguma forma é algo cultural. Obviamente que o motivo não se baseia apenas nisso, outros aspectos estão envolvidos.

Mais do mesmo


Já percebeu que em meio a tantas distribuições Linux, muitas são “mais do mesmo”? A liberdade proporciona muitas vantagens, porém, junto a ela alguns aspectos “negativos vem no pacote”. Efetuei o download do Ubuntu, mudei o wallpaper, pronto! Eis OSistemático OS. Isso é ilegal, ou é um erro fazer isso? Não! A liberdade me dá essa opção, entretanto, seria pouco relevante e não agregaria muito. No cenário brasileiro, algumas distribuições são apenas isso, mundo afora também.

Comunidade carente e liderança fraca


Outro problema que pode dificultar o sucesso de um projeto, é sua comunidade. Seja por não ter afeto aos novos usuários, por pensarem “que ainda estão nos anos 90”, ou pela desorganização. Uma distro precisa de uma comunidade organizada e forte liderança, caso contrário com tantos pitacos e palpites o sistema torna-se um Frankenstein, agradando apenas aquela comunidade inicial, sem a possibilidade de expandir para novos públicos.

Boa documentação


O Ubuntu é indicado fortemente aos novos usuários, e possui um extenso material e ótima documentação (oficial ou através de blogs e canais), o que acaba facilitando a vida de um novato. Esse é um tópico indispensável. 

Ideologia em excesso


Não sou do camarada que curte seguir uma ideologia a risca, já passei por essa época. Analisar, criticar, adaptar e evoluir são processos necessários para um projeto sobreviver em meio a tantos outros. Por essência, seguir algo sem chances para uma nova interpretação ou adaptação, acaba limitando possibilidades de crescimento.

Diferencial, a “isca no anzol”


Ser “mais do mesmo” em alguns aspectos pode não ser um grande problema. Observe que muitas distros possuem o mesmo ambiente gráfico. Todavia, o diferencial é o que “legitima” sua existência. Um bom exemplo é o Deepin, mesmo não sendo perfeito, conseguiu atrair olhares ao sistema, graças ao seu visual. O Fedora tem uma comunidade forte e, ao mesmo tempo uma empresa, como a Red Hat auxiliando o projeto. Além de ser referência, quando o assunto é GNOME.

Até no Brasil, projetos, como o Conectiva Linux e Big Linux tinham diferenciais que atraiam novos usuários. Sem uma boa “isca no anzol”, o pescador não pega peixe.

Fortes diretrizes e conceitos de design


Ter fortes diretrizes significa possuir um plano sólido, não pautado apenas em ideologias, mas pensando no futuro do projeto e seu crescimento em escala. Se o diferencial é importante, saber segmentar e visualizar qual tipo de peixe deseja pescar, pode ser mais ainda. Também não adianta ter uma isca deliciosa, se ela não atrai esse peixe. Esperar o usuário testar o sistema e ver suas qualidades, é uma estratégia falha.

“Propaganda é a alma do negócio”


Marketing é uma oportunidade para as distribuições brasileiras serem conhecidas. Existem sistemas incríveis, mas que quase ninguém conhece. Esse aspecto é debilitado no mundo Linux, ainda mais no cenário doméstico. Parece que ele só existe no mercado Enterprise. Falou em servidores, Linux possui uma propaganda atrativa, agora desktop... (é complicado).

Estrutura e mão de obra


Desenvolver um sistema operacional não é nada simples, e imagino o trabalho e estresse gerado. Possuir colaboradores ao projeto e não ser “um exército de um homem só”, é “o calcanhar de aquiles” da maioria das distribuições brasileiras. A infraestrutura necessária é cara, e a isca mencionada anteriormente, deve ser tão atrativa que não apenas usuários venham, mas sim desenvolvedores e colaboradores.

Money, money, money


“Dinheiro é o maior pecado”, na concepção de muitos usuários. Mas, eles não entendem que “amor não enche barriga” e nem sustenta um projeto. O projeto pode se sustentar com boa vontade até um certo momento, mas pergunte a qualquer líder de uma distribuição brasileira se: um bom investimento ajudaria ou não alavancar o projeto.

Uma distribuição, como instituição, não é, e nem pode ser, muito diferente de uma empresa, onde não há retorno financeiro, as coisas não vão funcionar de acordo com a paixão e o tempo livre de quem mantém o projeto, que é obrigado a trabalhar em projetos separados para manter o seu sustento.

Para isso parcerias devem ser estabelecidas, uma renda que não dependa apenas de doações. Nada disso é fácil, transmitir a sensação de importância ou um grande diferencial que chame a atenção de terceiros, que efetuem um aporte financeiro significativo ao projeto, não é de um dia para o outro.

Respondendo à questão inicial


Porque as distros brasileiras não fazem tanto sucesso quanto as estrangeiras? Por não terem todas as características mencionadas acima. Na realidade, isso não é exclusividade do Brasil, contudo, as distribuições estrangeiras possuem maior parte dos tópicos abordados, consequentemente “saem na frente”.

Durante anos utilizei como sistema padrão uma distro BR, e acompanho algumas até hoje de perto. Inclusive uma vem chamando minha atenção, com sua proposta de entregar um novo ambiente gráfico. Outra me despertou novos interesses, ao mudar de base e ir ao encontro das facilidades para um usuário comum (ou gamer).

Temos um artigo no nosso fórum onde as pessoas estão debatendo o assunto, você pode participar também clicando aqui.

Comente, deixe a sua opinião, sempre de forma respeitosa. Lembrando que este artigo é editorial e reflete a minha atual opinião sobre o tema e não propriamente a do blog Diolinux, como instituição.

Até o próximo post, te espero aqui no blog Diolinux, SISTEMATICAMENTE! 😎
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