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Escritor da Forbes, Jason Evangelho, nos conta como começou a divulgar Linux

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Enquanto nós tentamos levar até você as principais informações sobre o mundo open source, tornando o público lusófono ciente das novidades, facilidades e particularidades do mundo Linux e de software livre, outras pessoas fora do Brasil estão fazendo isso também, um desses "defensores do Linux" é Jason Evangelho, escritor da famosa Forbes, que nos cedeu gentilmente uma entrevista.


Jason Evangelho






Se você acompanha-nos no Twitter, é bem possível que tenha visto as nossas interações com o Jason Evangelho, ele acabou se tornando um grande divulgador dos sistemas operacionais open source e de suas ferramentas, especialmente potencializado pelo nome, fama e reconhecimento, da Forbes

Conforme o tempo passou, os artigos relacionados ao mundo Linux do Jason acabaram alcançando grandes empresas, que com a ajuda da divulgação proferida por ele, começaram a pelo menos repensar os seus caminhos em relação ao Linux, como a Adobe. Temos um vídeo sobre essa questão no nosso canal no YouTube, você pode conferir aqui.

Jason Evangelho também é criador do "Linux Challenge", uma "brincadeira" muito construtiva onde ele pede para seus leitores testarem junto com ele alguma distro, unindo-se em um grupo muito saudável no Telegram, que foi onde eu consegui um contato ainda mais direto com ele do que no Twitter. Ele se mostra uma pessoa muito amigável, disposta, e com "a cara" da nova geração de usuários Linux, por isso, eu lhe fiz algumas perguntas, estas vão ajudá-lo a conhecer "o homem por detrás do mito" e, segundo ele mesmo, algumas dessas perguntas possuem respostas que ele nunca deu em nenhum outro lugar, então aproveite.

Obs: A entrevista foi feita em Inglês, porém, eu postarei aqui a versão traduzida, caso queira ler as respostas de Jason na Íntegra em Inglês, basta acessar este arquivo.

Entrevista com Jason Evangelho


D: Apresente-se. Provavelmente as pessoas lhe conhecem como escritor da Forbes, mas as pessoas sempre são muito mais do que seu trabalhos. Quem é Jason Evangelho?

J: Jason Evangelho sempre foi um escritor, seja de letras de músicas ou de pequenas histórias, ou ainda de longas de reviews de GPUs. Mas uma coisa que percebo que corre pelas minhas veias desde pequeno é a música. Sempre foi algo que me definiu como pessoa. É a trilha sonora da minha vida, uma companhia constante que me dá energia, que eleva minhas emoções, que me acalma e que traz lembranças de décadas atrás.

De toda forma, eu vejo tentando finalizar um álbum e escrever um livro há alguns anos. Tenho me aproximado cada vez mais a cada dia!

Eu também adoro "Transformers", o movimento Grunge dos anos 90 e de passar meus dias em praias croatas, mas agora isso está começando a soar como um daqueles anúncios de acompanhantes e eu sou felizmente casado! :D

D: Quando você começou a trabalhar com tecnologia?

J: Minha fascinação por computadores começou quando eu era apenas uma criança, provavelmente aos meus 12 anos de idade. Meu padrasto tinha uma empresa de negócios relacionados a tecnologia e nossa casa inteira era repleta de "torres" da IBM. Frequentemente eu me metia em confusão por bootar os computadores secretamente e começar a "fuçar" a linha de comando do DOS para tentar encontrar algum game para jogar!

Mais ou menos em 2003 eu finalmente tive dinheiro para comprar o meu próprio PC (No quesito games, eu sempre fui um cara dos consoles enquanto crescia e na vida adulta), e claro, isso despertou em mim o constante desejo te conseguir melhor desempenho e qualidade gráfica. O que me levou a ficar obcecado pela leitura de reviews de GPUs em lugares como o Tom's Hardware.

Em 2004 tudo isso pode se juntar  com a introdução aos podcasts. Eu tive sorte o suficiente para ser um dos primeiros 30 podcasters no mundo quando  lancei a "Insomnia Radio", um programa focado em bandas indies e desconhecidas. Como uma nota adicional, este é o motivo da minha conta no Twitter ter o nome de "KillYourFM".

Eu estava sendo autodidata em edição de áudio, criando arquivos RSS do zero e isso iniciou uma nova fascinação por computadores e a tecnologia contida neles. Um ano antes eu queria que os meus games tivessem um visual melhor, agora eu queria que tudo rodasse muito rápido!

E aqui vai uma curiosidade que poucos sabem, no final dos anos 2000 eu comecei minha própria empresa de computadores, focando em reparar problemas de outras pessoas com computadores Windows. 


Jason Evangelho
Jason Evangelho


D: Como você descobriu o Linux? A decisão de falar sobre Linux na Forbes veio da própria empresa ou foi uma ideia sua?

J: Eu descobri o Linux duas vezes. A primeira foi no meio dos anos 2000 com o openSUSE e o Red Hat. A experiência com ambos foi desastrosa. Eu acabei ficando frustrado e com uma sensação de que era uma tecnologia muito acima das minhas capacidades de entendimento. Infelizmente a minha primeira impressão com Linux foi ruim e eu acabei me afastando por anos.

Então em Julho de 2018 eu finalmente cheguei ao ponto de me cansar de ver tantas reinicializações forçadas no Windows 10, muitos problemas, muitas falhas de atualização e até a perda de alguns dados. Algumas semanas antes de chegar à "última gota d'água" com o Windows eu estava conversando com meu cunhado, que estava me visitando vindo da Suiça, sobre o Debian, porque ele estava rodando a distro em um Thinkpad antigo já fazia alguns anos.

Tópicos como privacidade e controle do usuário vieram à tona, e eu simplesmente adorei a forma com que funcionava. Olhando ele usar o sistema, o Debian parecia ridiculamente rápido para um computador com hardware antigo como o que ele tinha. Então, com isso em mente, eu decidi dar uma nova chance ao Linux e colocar o Windows de lado.

Vale a pena mencionar que nada que foi feito aqui foi um decisão fácil. Era mais um risco profissional do que eu risco pessoal. Eu frequentemente fazia reviews de placas de vídeo e de PCs customizados para a Forbes, esse tipo de conteúdo era o meu "ganha pão".

Para responder a sua segunda pergunta, eu me tornei tão fascinado pelo Linux que tomei a decisão de fazer uma maior cobertura sobre o assunto na Forbes. Os primeiros artigos que eu publiquei tiveram uma boa repercussão com a nossa audiência tradicional e com as novas pessoas. O feedback que eu recebi fazendo a cobertura do Linux foi positivo, pessoas dizendo que eu estava mostrando as coisas que uma forma mais simples de entender e acessível.

Eu também percebi que ao invés de começar a cobrir "notícias quentes" simplesmente para receber o meu salário, eu poderia acordar pela manhã e dizer "o que eu quero explorar no mundo Linux hoje?" e escrever sobre isso. Pessoas apareceram e leram o conteúdo, e de fato, eu estive analisando o tráfego de meus artigos no site, e mais pessoas estavam aparecendo para ler os artigos sobre Linux do que o meu material anterior. Isso vou muito encorajador.

Não bastasse isso, a comunidade realmente demonstrou seu apoio nessa nova direção que tomei, apoiando, ajudando e constantemente se engajando comigo. Eu nunca tinha visto uma comunidade como esta antes e todos esses fatores me fizeram começar a fazer a cobertura sobre Linux na Forbes em tempo integral. A Forbes não teve nenhum problema com isso.

D: Como foi o seu primeiro contado com as distros Linux nessa volta? O que você encontrou que achou mais simples e mais complicado de fazer no Linux?

J: A primeira vez que eu testei Linux no ano passado foi com o Linux Mint no meu  Dell XPS 13. O instalador falhou ao enxergar a minha unidade NVMe, então eu mudei diretamente para o Ubuntu porque eu sabia que a Dell estava fazendo um grande trabalho ao fazer com que a distro rodasse perfeitamente "out of the box", e de fato, foi o que aconteceu.

Eu tive muito menos problemas com o Ubuntu 18.04 LTS do que eu tive com o Windows 10 e acabei instalando ele em várias máquinas. Cada instalação correu sem problemas e simplesmente detectou o hardware das minhas máquinas perfeitamente. 

O Ubuntu se tornou a meu sistema principal por meses, ou ao menos até eu começar o "Linux Distro Challenges".

jason-evangelho-office
Escritório Jason Evangelho (Ubuntu no monitor principal)


D: Você tem alguma distro favorita? Qual?

J: Neste exato momento, me pedir para escolher uma distro favorita é quase como me fazer escolher a minha música preferida. É impossível. Por conta de eu estar  ainda testando as principais distros por um tempo, provavelmente qualquer afirmação aqui não seria justa.

O Ubuntu foi o meu sistema principal, mas eu estou também muito impressionado com o elementary OS e o openSUSE, mas ainda me pego pensando o quão interessante algo como um Manjaro Deepin pode ser... A questão de ficar viciado em "distro-hopping" é real! (Distro-Hopping é ficar pulando de distro em distro e testando).

D - Você está desenvolvendo novos projetos paralelos à Forbes em relação ao Linux, incluindo os "desafios", convidando pessoas para testar uma distro específica juntos. Conte-nos um pouco mais sobre estes projetos e como eles tem sido recebidos pelo público.

J: Os "desafios" começaram como uma forma de me forçar a a sair da "zona de conforto Ubuntu", e como objetivo secundário, eu estava me forçando a experienciar diferentes distros Linux e gerar algum conteúdo único baseado nessa jornada. Eu sabia que estar me envolvendo diretamente com a comunidade apenas aumentaria a minha experiência e permitiria que todos os participantes descobrissem coisas novas juntos, resolvessem problemas juntos e talvez até pudessem fazer alguns novos amigos.

Apenas 3 dias depois de começar o primeiro desafio, que era com o elementary OS, eu tive mais de 200 participantes no nosso grupo no Telegram, e tanto Cassidy Bleade, quanto Daniel Foré, desenvolvedores da distro, apareceram para ajudar as pessoas; depois o mundo de podcasts sobre Linux acabou começando a falar sobre os "desafios" e eu vi que realmente "deu certo".

Dessa forma eu percebi que isso poderia se tornar uma espécie de "série", algo recorrente que nós poderíamos fazer todos juntos e eu espero que o feedback acumulado usando essas distros ajude também as próprias distros a melhorarem, especialmente porque parece que os desenvolvedores estão prestando atenção. Além disso, um objetivo secundário era convencer as pessoas a mudarem de Windows ou macOS para Linux.

D: O que você acha que está faltando ainda nas distribuições Linux atuais para serem melhor reconhecidas entre os usuários domésticos?

J: Eu dediquei algum tempo no marketing para as AMD Radeon, então, do meu ponto de vista, eu diria que o maior desafio a ser superado é: Linux no desktop tem um problema de marketing.

Os princípios de FOSS são louváveis, mas é fato que Linux dá para as pessoas praticamente possibilidades de escolhas infinitas, e isso é bom e ruim. Duas coisas precisam acontecer para que o Linux seja grandemente adotado por usuários domésticos:

     1 - Mais empresas precisam começar a vender seus computadores com Linux pré-instalado. A Dell faz um trabalho fantástico com isso, mas eles não são muito bons em divulgar esse tipo de coisa. A verdade é a maioria dos consumidores domésticos irão aceitar o sistema que é entregue junto com o computador na frente deles... (E a maioria das pessoas NÃO SÃO usuárias de Adobe ou fazem parte do segmento mais "hardcore" de jogos).

    2 -  O mundo Linux precisa adotar "a distro para Desktop" e permanecer com ela. Colocá-la para o mainstream, mesmo que não seja a sua distro favorita. Há apenas um Windows 10, há apenas um macOS. Para ser mais claro, EU AMO como há uma distro perfeita para cada necessidade e para todo mundo, mas a fragmentação de opções para iniciantes é prejudicial. De fato, há muitos sites que advocam por uma distro em específico e isso mostra parte do problema.

D: Deixe uma mensagem para os seus leitores brasileiros.

J: Obrigado pelo apoio Diolinux! Leva muito tempo e trabalho duro para organizar o conteúdo, então tome alguns minutos do seu dia para apreciá-lo. Como escritor também, posso dizer que esse é o nosso combustível. :D

Gostaria de agradecer a todos que estão sempre encorajando a minha jornada no mundo Linux no Twitter e no Facebook. Eu espero que você tenha gostado desta entrevista e se precisar de algo mais não hesite em me contactar.

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Em entrevista, Linus Torvalds fala sobre privacidade, CoC e Linux nos Desktops

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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Linus Torvalds voltou para liderar o projeto Linux novamente e recentemente concedeu uma entrevista exclusiva para Swapnil Bhartiya, um ativista do mundo Open Source e redator recorrente do site da Linux Foundation, onde falou sobre a sua visão sobre algumas questões envolvendo o mundo Linux e a tecnologia Open Source, assim como a sua saída temporária do projeto e o novo código de conduta.







O vídeo de entrevista é um pouco longo, e não tem legendas em Português, mas é muito interessante. Nós selecionamos os tópicos comentados de maior relevância.



Os destaques da entrevista de Linus Torvalds


Linus comenta sobre o Linux no Dekstop ser possível através dos Chromebooks, mas enfatiza que ele ainda não usa um (Chromebook/Chrome SO) definitivamente apenas porque não consegue fazer os testes de kernel referentes ao seu trabalho com o Linux, fora isso, considera uma excelente experiência.

A conquista do Linux no Desktop

O comentário sobre os Chromebooks mostra o quanto a "conquista do desktop" ainda parece ser uma das poucas "pedras no sapato" de Torvalds. Bhartiya comenta que "apesar do Linux estar em todos os lugares", Torvalds ainda considera importante o desktop.

Quando questionado sobre o que ele acha que poderia viabilizar a acensão do Linux nos desktops também, Torvalds comenta que acha importante uma padronização de distribuição de software, como Flatpak, AppImage ou Snap por exemplo, e agora com aplicativos .deb começando a ter suporte no Chrome OS, ele espera que o segmento desktop, ainda usado por muitas pessoas, possa avançar ainda mais com o uso do Linux. 

Linus  acredita que o Chrome OS e o Android são o caminho para isso, se diz otimista, ainda que: " eu esteja otimista quanto ao desktop há mais 25 anos", brinca, mas quem sabe o que nos espera no futuro. Muita coisa mudou nesse segmento nos últimos 8 à 10 anos.

O modelo de desenvolvimento Open Source

Torvalds comenta sobre o modelo open source ter se tornado o padrão de desenvolvimento hoje em dia, dizendo que entende que existam produtos de nicho que ainda encontrem maior valor o modo antigo de software proprietário, mas que até mesmo essas empresas (que trabalham com software proprietário) usam mais ou menos open source para prover seus serviços ou criar a sua infraestrutura de trabalho.

Quando questionado se ele se importa com a filosofia envolvida no Open Source ou Free Software (Software Livre), Linus comenta que tudo o que ele realmente se preocupa é com o código dos softwares Open Source, especialmente nos quais trabalha, e não com o modelo de negócio ou a filosofia por traz disso.

As pessoas mais antigas ligadas ao "freedom thing", como descreve, se sentem muito mais ameaçadas por Facebook, Google, Apple, Microsoft, etc, por usarem softwares Open Source, mas manterem os dados dos usuários em seus serviços privados. Torvalds comenta que apesar de não preocupar-se com "esse tipo de coisa", compreende quem acredita que o grande problema é onde os dados estão colocados, fora do seu controle físico, mas que entende que isso faz parte da evolução da tecnologia e dificilmente haverá algum "ponto de retorno". 

Linus comenta também que entende que esse é o "ganha pão" de muitas empresas, e por consequência, o "ganha pão" de milhões de pessoas que trabalham com tecnologia, pessoas que usam Open Source muitas vezes em outros locais, que não em um dos produtos que trabalham.

Sobre privacidade

Linus comenta que não se preocupa muito com a sua privacidade online, mas admite que isso pode ser um problema considerável para muitas pessoas mais sensíveis a isso. Ele afirma que, como pessoa pública, não acha útil se preocupar demais com esse tipo de coisa, afinal, muita coisa dele já está na internet de forma pública.

Torvalds ainda comenta que a coleta de dados parece não ter volta também, afinal eles (os dados) são necessários para construir melhores produtos personalizados, a grande questão é você poder optar por oferecê-los ou não. Linus comenta que as pessoas dos EUA, de forma geral, ainda não "acordaram" para isso totalmente.

Sobre sua personalidade e o CoC (Código de conduta)

Linus comenta sobre seu comportamento ao responder e-mails da comunidade de desenvolvimento Linux, dizendo que prefere, hoje, evitar de responder algumas coisas e focar na resolução do problema, algo como: falar menos, fazer mais.

Quando questionado sobre sua saída do projeto por conta de desgaste ou por simplesmente ter "trabalhado demais", Torvalds comenta  sobre "não estar cansado do Linux", como muitos pensaram quando ele resolveu "tirar férias" recentemente. Complementou dizendo que foi período estressante, com vários problemas técnicos para serem resolvidos e que as vezes ele precisa de "um final de semana prolongado" apenas para pensar em algo diferente, antes de voltar para a sua paixão.

Em um determinado momento, Greg Kroah-Hartman, que havia ficado no lugar de Linus durante estas "férias" e é um dos braços direitos de Torvalds há vários anos no projeto Linux, une-se à entrevista para debater alguns tópicos.

Greg Kroah-Hartman e Linus Torvalds
Greg Kroah-Hartman (à esquerda na foto) e Linus Torvalds

Ambos comentam sobre as dificuldades dos momentos finais do lançamento de uma versão do Kernel Linux, em sua última versão (na merge window), a resolução de problemas, com mais de 70 patches importantes e coisas do tipo, acabou tornando o momento um pouco mais "tenso" do que o normal, mas comenta também que a semana de lançamento de uma nova versão é "naturalmente conturbada e sempre foi", afirmando que o Linux ainda é o projeto Open Source com maior número de pessoas trabalhando simultaneamente a cada lançamento, mencionando que tem ocorrido um crescimento de pessoas envolvidas no projeto provindas da Índia, Ásia em geral e leste Europeu. 

Não existe um modelo de gerenciamento em massa para uma comunidade Open Source tão grande quanto essa, para muitos, eles são o modelo de inspiração, e mesmo que existam diretrizes de conduta, cada comunidade é diferente, cada pessoa é diferente e isso deve ser considerado e respeitado.

Kroah-Hartman e Torvalds comentam também sobre a inclusão de mulheres no projeto e discutem sobre os motivos delas ainda serem uma minoria, apontando que "não há nenhuma inviabilidade técnica" sobre isso, ou algum tipo de preconceito: "A comunidade Linux em si não barra, em nenhuma circunstância, a inclusão de quem quer que seja, entretanto, há fatores históricos, extra-kernel, que influenciam diretamente nesse tipo de coisa", comentam.

" A questão é  que por muitos anos as mulheres foram desencorajadas a estudar ciência exatas,como matemática por exemplo, bastando olhar para os cursos de tecnologia das universidades, onde a grande maioria ainda são homens", complementam. 

Greg comenta também que parte dessa "culpa", se é que se pode dizer assim, de não haverem tantas mulheres envolvidas no projeto, são das próprias empresas que compõem o quadro de desenvolvedores do Kernel, afinal, "São elas (as empresas) que indicam os desenvolvedores e arquitetos que vão trabalhar no projeto do Linux e não 'o Linux' que aponta os desenvolvedores, se as empresas apontassem mais mulheres, haveriam mais mulheres, além, é claro, das muitas que já participam de forma voluntária, mas não fazem parte do núcleo principal de devs", finaliza.

Torvalds também comenta que o próprio acesso a computadores em determinadas comunidades e regiões do planeta, acesso ao ensino, ou seja, fatores sociais e econômicos, também afetam a adesão de pessoas ao projeto.

Linus complementa o discurso dizendo que se preocupa com o bem estar dos desenvolvedores do Kernel no sentido de qualidade de vida e relacionamento entre as pessoas, reconhecendo que algumas, incluindo o próprio Greg Kroah-Hartman, que o acompanhou na entrevista, podem estar perto daquele momento de "burnout", uma expressão comum em inglês que referencia o momento em que as pessoas ficam estressadas e sobrecarregadas com trabalho ou muitas informações.

Por fim, eles comentam brevemente sobre as polêmicas do novo CoC. Apesar de estarem sempre em busca de aprimoramento, a mudança do código foi feita para sancionar algo que eles já praticavam, ou buscavam praticar, e tinham em mente há anos. A mudança pública apenas deu a oportunidade de "barulhentos fazerem barulho", mas a verdade é que, segundo eles, o comportamento interno da comunidade Linux é diferente do que foi apresentado em alguns websites que tentaram ganhar alguns cliques.

"Somos uma comunidade muito produtiva e altamente técnica, se o relacionamento entre nós não fosse minimamente bom, o resultado final não seria bom como tem sido ao longo dos anos", finalizam.

Competitividade entre softwares Open Source

Os entrevistados comentam sobre as benesses da competitividade entre softwares de código aberto. Como o GCC e o Clang, muitas vezes inspirados uns pelos outros, os projetos melhoram juntos, como Flatpak e Snap, GNOME e KDE etc. Enfatizam que no mundo Open Source a competitividade beneficia a todos, pois as melhorias podem convergir entre os projetos, ao contrário do modelo de software proprietário.

Linus foi indagado sobre o que ele pensa do Sphere OS da Microsoft, dizendo que não é um projeto que ele tem acompanhado muito de perto, mas elogia o trabalho feito da empresa ao fazer uma versão reduzida do Linux para rodar em hardware ainda mais simples. Lamenta que algumas modificações feitas pela Microsoft (neste projeto específico, no caso, o Sphere OS) não possam ser levadas upstream para o Kernel padrão, pois eles basicamente removeram componentes importantes para outros projetos para deixar o Linux mais "enxuto" e atender a sua demanda, mas "é para isso que serve o open source", pondera.

Vale lembrar que a Microsoft é membro Platinum da Linux Foundation e ajuda o projeto de várias formas diferentes, incluindo a sua entrada para a Open Invention Network recentemente.

Hardware compatível com Linux

Quando questionados sobre a dificuldade de incluir suporte a alguns tipos de hardware, Linus comenta que não tem visto muitos drivers e hardwares complexos de trabalhar nos últimos tempos, sendo o Linux capaz de suportar "out of the box" a maior parte do hardware disponível no mundo. Tirando casos específicos, referentes a um driver proprietário que não há como trazer compatibilidade sem fazer engenharia reversa ou algo do tipo, colocando a responsabilidade nas mãos dos fabricantes.

Um exemplo que ele menciona é o de softwares que trabalham algum hardware específico envolvendo inteligência artificial, onde ainda tem sido um pouco problemático para equipe do Linux.

Torvalds ainda comenta que as equipes que desenvolvem drivers open source para placas de vídeo (especialmente Nvidia) devem ter sempre grandes problemas, que ele, particularmente, não tem envolvimento direto, mas que tem ciência, pois são lançados vários novos modelos todos os anos e é difícil acompanhar o fluxo desses produtos especificamente, sobretudo se as especificações não são completamente abertas.

O que você achou da entrevista do posicionamento de ambos? Deixe sua opinião nos comentários e nos vemos no próximo artigo!
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Entrevistamos o CEO da System76 e do Pop!_OS

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segunda-feira, 11 de junho de 2018

A System76 é um dos mais conhecidos fabricantes de computadores no mundo a vender computador apenas com Linux. Durante praticamente todo o passado recente, a companhia utilizou o Ubuntu como padrão de suas máquinas, mas a mudança da Canonical, com o abandono do Unity, a System76 optou por não mais depender tão diretamente do Ubuntu, dando origem a sua própria distro, o Pop!_OS.

System76 e Pop!_OS no Diolinux Entrevista






Para entendermos melhor como foi essa mudança de sistema e os motivos da empresa, assim como os diferenciais do Pop!_OS em relação ao Ubuntu. Para responder as nossas perguntas Carl Richell e Cassidy Bleade, CEO e UX Architect da System76 respectivamente, gravaram um vídeo, confira:


Confira também:

- Artigo no blog sobre o Pop!_OS: http://bit.ly/OqueEsperarDoPopOS

- Diolinux DROP do Pop!_OS: http://bit.ly/PopOSDrop

Até a próxima!
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Uma entrevista inusitada com Dionatan Simioni

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domingo, 27 de maio de 2018

Fazer um título de mim mesmo na terceira pessoa soa mais esquisito para mim do que para você, acredite! Mesmo assim, temos aqui uma oportunidade única de você conhecer um pouco mais sobre mim, sobre a minha trajetória, curiosidades sobre o blog e o canal Diolinux. Vai mudar a sua vida ouvir isso? Provavelmente não... mas ouve aí que é bacana! ;)

Dionatan Simioni Entrevista






O bate-papo descontraído foi feito no canal gNewlinux, onde eu, que geralmente entrevisto as outras pessoas, acabei dando uma entrevista bem bacana falando sobre muito mais coisas do que você imagina.

Agradeço ao Diego, dono do canal, por essa bela oportunidade.

O nosso bate-papo ficou tão longo que mesmo editando ainda ficou incrivelmente grande, e o Diego o dividiu em duas partes, então eu recomendo ouvir enquanto você desenvolve alguma outra atividade, assim, além de aprender mais sobre a minha história, você também não perde a produtividade, certo?

São dois vídeos de aproximadamente 40 minutos cada, confira logo abaixo:




Por fim, fica o convite para você conhecer o canal no qual eu concedi esta entrevista, o Diego é um cara muito gente boa e merece a sua visita com certeza. 


Até a próxima!
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Saiba mais sobre o suporte futuro da AMD no Linux

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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

AMD e Linux são duas coisas que costumavam não se dar muito bem, pelo menos não quando o assunto era "placas de vídeo", mas com o tempo, a postura da empresa mudou de forma radical, tornando-se uma empresa que suporta vários projetos de código aberto.

Linux e AMD






Com o lançamento do Kernel Linux 4.15, nós teremos a inclusão 130 mil linhas de código provindas da AMD, essas melhorias devem melhorar a compatibilidade e performance dos produtos da empresa com o sistema do pinguim.

Para você entender um pouco melhor a relação da empresa com o mundo Linux nós entrevistamos Alfredo Heiss, representante da AMD no Brasil. Na entrevista nós conversamos sobre o suporte a driver para placas de vídeo pelo Kernel e como a empresa trabalha com projetos de código aberto.



Será que finalmente teremos um suporte equivalente ao da Nvidia no Linux? 2018 está só começando e promete muito!

Deixe a sua opinião nos comentários e até a próxima!
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Entrevistamos Galina Goduhina, do projeto ONLYOFFICE (Suíte Office para Linux)

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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Olá meu amigo(a) leitor(a)! Hoje eu tenho o prazer de trazer até você uma entrevista muito bacana que eu tive a oportunidade de fazer com os desenvolvedores do ONLYOFFICE, uma suíte Office diferenciada que tem versões para Linux, Mac e Windows.

Galina OnlyOffice







O Only Office (estilizado como ONLYOFFICE), é uma suíte office que se tornou open source recentemente e possui programas para edição de textos, criação de apresentações e manipulação de planilhas. Eu utilizei ele diversas vezes para abrir formatos da Microsoft, onde o LibreOffice não foi tão efetivo durante o último ano e ele se saiu muito bem na maior parte dos casos.

- Comentei sobre ele pela primeira vez em Novembro do ano passado neste artigo do blog.

Agora, para você conhecer um pouco mais da história deste software tão interessante e útil que tornou-se open source e agora trabalha de forma comunitária com vários recursos profissionais, como suporte para nuvem e servidores com documentos compartilhados e colaborativos, fique com a entrevista com uma das líderes do projeto, Galinda Goduhina.


 Diolinux Entrevista: ONLYOFFICE


Diolinux: Qual a origem do ONLYOFFICE? Poderiam nos contar um pouco da história por trás do programa e da empresa?

Galina:
Começamos o ONLYOFFICE há mais de sete anos. Inicialmente, chamámos ele de Teamlab, e era uma plataforma para gerenciamento de projetos e colaboração interna. Ao mesmo tempo, trabalhávamos em editores de documentos online. Mais tarde, decidimos juntar os projetos. 

A ideia era criar um único espaço de trabalho para todas as tarefas diárias que qualquer empresa enfrenta. E nossos usuários realmente gostaram desta plataforma unida e sentimos um grande apoio da comunidade. Mas também entendemos que nossos editores de documentos eram algo especial para nós, e que encontramos algo realmente especial com esta tecnologia. Temos uma equipe que pode fazer maravilhas.

Diolinux: Qual o diferencial do ONLYOFFICE para outras alternativas do mercado?

Galina: Em primeiro lugar eu devo apontar  a interface em HTML5, nossos editores online são baseados nesta tecnologia. Isso permitiu que nós construíssemos editores online com extrema qualidade para formatação e conversão de documentos, assim como o conjunto de aplicações para desktop.

Conseguimos fazer algo importante na questão de entrada e saída de arquivos. Um arquivo processado no ONLYOFFICE mantém o mesmo estilo, parágrafos, símbolos, espaçamento de linha e assim por diante, em qualquer navegador e em qualquer sistema operacional, e claro, também durante a impressão. Nós adicionamos recursos de formatação que anteriormente só estavam disponíveis em editores de desktop, adicionado a isso, temos a combinação com recursos de colaboração e co-edição de documentos em tempo real através da nuvem.

Agora o "ONLYOFFICE Editors" online possui mais recursos de formatação do que o MS Office online e mais recursos colaborativos que o Google Docs.

Como sempre quisemos criar um aplicativo para desktop - para nos livrarmos das limitações do navegador e trabalhar diretamente com recursos do sistema - isso aconteceu logo em sequência. Quem usar o ONLYOFFICE desta forma terá muito mais velocidade.

A versão para Desktop é chamada de "ONLYOFFICE Desktop Editors" e foi desenvolvida com o mesmo núcleo de código da versão online. Isso significa que elas são plataformas cruzadas e plenamente compatíveis. Como a aplicação nasceu do ONLYOFFICE online, você está trabalhando apenas no "modo offline", permitindo que você conecte-se através do aplicativo instalado em seu computador a uma rede privada, acesse seus arquivos e trabalhe por ali mesmo, sem precisar abrir o navegador para isso. Esta é a nossa grande vantagem sobre o LibreOffice. Além disso, comparado com o Libre, temos definitivamente um melhor suporte para formatos do MS Office.

Diolinux: Por que do interesse em lançar o software para Linux também?

Galina: Tínhamos como objetivo criar uma solução multiplataforma para que as pessoas utilizassem o ONLYOFFICE independente da máquina que possuem e do sistema operacional que preferem. E, claro, a comunidade Linux é muito divertida de se trabalhar. Os usuários Linux são exigentes, muito exigentes, e eles foram nossa força motriz e nossa fonte de inspiração em muitos casos.

Diolinux: Em relação ao público brasileiro. Alguns dos nossos leitores informaram que gostariam que a interface do programa estivesse disponível em português do Brasil, assim como o suporte para acentuação.

Galina:  
Estamos trabalhando na tradução da interface para vários idiomas agora. Qualquer falante nativo pode se voluntariar e se juntar ao time de nossos tradutores. Basta contactar-nos para isso. Quanto a acentuação, há realmente um problema por causa do framework incorporado no Chromium usado como um dos componentes no softwares e infelizmente, teremos de esperar até consertarem-lo. Mas uma boa notícia é que o corretor ortográfico já funciona em seu idioma.Diolinux: Por que da decisão de abrir o código fonte da aplicação? 
Galina: Isso veio naturalmente. Nós percebemos que a segurança de dados é uma questão importantíssima para várias empresas, especialmente quando se trata de documentos. Queremos estar abertos, queremos que as pessoas possam confiar em nós, não somente pela nossa palavra, mas pelo código e transparência também. Além disso, precisamos superar essa barreira que as pessoas tem em mente, essas fortes convicções de que "não há nada além do Microsoft Office", que nada melhor pode ser criado.

Nós escolhemos a licença AGPLv3 para o nosso programa. Isso significa que você pode usar o ONLYOFFICE sem restrições, mas se quiser integrá-lo para sua própria solução você terá de abrir seu código fonte também e distribuí-lo com a mesma licença.

Diolinux: Existe alguma forma do público poder colaborar com o desenvolvimento da aplicação? Como funciona?

Galina: Com certeza! Existem várias maneiras de contribuir com o ONLYOFFICE. Você pode se juntar à nossa equipe de desenvolvedores no GitHub, testar o ONLYOFFICE e relatar problemas através do nosso fórum de desenvolvedores ou no Stackoverflow. O ONLYOFFICE oferece também uma API para que todos possam estender as funcionalidades do software, criando plugins e integrando-o com as suas próprias aplicações e ferramentas, como muitos dos nossos parceiros já fazem, tudo isso ajuda-nos a continuar.

Diolinux: Muito obrigado pela oportunidade de entrevistá-los, por favor deixe uma mensagem final para os nossos leitores.

Galina: Nós do ONLYOFFICE criamos editores de documentos realmente legais para você. Um programa gratuito, aberto e independente de navegador, sistema ou dispositivo. Esperamos poder recebê-los como parte de nossa comunidade! Obrigado pela atenção e tenha um ótimo dia!

Uma opção interessante para você!


Se você gostou do que leu e gostaria de testar o ONLYOFFICE você mesmo, basta acessar o site e fazer o download para o seu sistema ou acessar o editor online mesmo.

Até a próxima!
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Em evento na China, Linus Torvalds comenta sobre o que o motiva a continuar desenvolvendo o Linux

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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Linus Torvalds, criador do Linux e do Git, subiu ao palco nesta semana na LinuxCon + ContainerCon + CloudOpen, em Pequim na China. Ele falou sobre a sua carreira com o Kernel Linux, sobre a popularidade do Git e de como ele vê o futuro do Linux e de seus desenvolvedores.

Entrevista de Linus Torvalds


As entrevistas do Torvalds as vezes parecem se repetir ao longo dos eventos, talvez porque as pessoas costumam perguntas quase sempre as mesmas coisas para ele, mas no fim das contas, a gente sempre consegue extrair algo interessante. Particularmente, me inspiro na postura dele como criador de uma tecnologia tão importante quanto o Linux, Linus pode não ser a melhor pessoa para se conviver em um escritório, mas sabe se focar plenamente em um trabalho.

Torvalds estava na China para participar do evento organizado da Linux Foundation onde várias outras pessoas participaram, ele mesmo dividiu o palco com Dirk Hohndel, um dos líderes em tecnologia Open Source da VMWare.

Linus comentou que acha interessante algo que acontece no desenvolvimento do Linux e que provavelmente acontece no desenvolvimento de qualquer software de código aberto com vários anos de vida.

"Acho interessante quando um código que eu achava que era estável continua a ser melhorado. Há coisas que não tocamos em muitos anos, então vem alguém e faz melhorias, ou vem outra pessoa e cria relatórios de bugs de algo que eu pensei que ninguém mais utilizava. Depois de 25 anos, grande parte da nossa preocupação está em suportar os inúmeros hardwares novos que são lançados a todo momento, mas há uma coisa que apenas o desenvolvimento de código aberto permite, que é alguém se importar com algo que a maior parte de nós considera banal e básico, e à partir do momento que ela se importa com isso, essa pessoa vai nos enviar um patch para melhoria do kernel em pequenos detalhes"

Quando foi indagado sobre o que o motivava, Torvalds foi enfático:

"Eu simplesmente gosto muito do que eu faço. Gosto de acordar e ter um trabalho que é tecnicamente desafiante e interessante sem ser muito estressante para que eu possa fazê-lo por longos períodos, desenvolver o Linux me faz sentir que estou realmente fazendo alguma diferença, fazendo algo significativo não só para mim."

Linus Torvalds também comentou sobre o Git e pausas no trabalho:

"Eventualmente eu tenho dado algumas pausas no meu trabalho. As duas ou três semanas em que eu trabalhei no Git para que o projeto tivesse início são um exemplo disso, mas cada vez que eu faço uma pausa mais longa, eu acabo ficando entediado. Quando me retiro por uma semana, já estou ansioso para voltar. Eu nunca tive a sensação de que preciso de grandes férias para me sentir bem."

Especificamente sobre o Git:

"Eu estou muito surpreso sobre como o Git se espalhou. Obviamente estou satisfeito com ele e com o fato de que tantas pessoas vejam nele uma forma adequada para desenvolvimento distribuído... 

...É curioso pensar que em certos círculos o Git é mais conhecido do que o próprio Linux, talvez dê-se ao fato da própria natureza do Linux, é uma camada escondida. Muitas vezes você está ali com um Android na mão rodando Linux, mas você não reflete sobre isso, com o Git é diferente, quando você está usando o Git você sabe que está usando Git."

Você pode ver a entrevista de Linus Torvalds na íntegra em inglês logo abaixo:


Até a próxima!
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Entrevistamos Chris Lamb, atual líder do projeto Debian

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sábado, 8 de julho de 2017

Atendendo aos pedidos de vocês na entrevista com Hualet Wang, líder do Deepin, vamos continuar falando com os líderes dos projetos e distribuições Linux mundo à fora. Hoje temos nada mais, nada menos, do que líder do projeto Debian, uma das maiores e mais importantes distribuições Linux da história, Chris Lamb, que aceitou o meu pedido e falou sobre coisas muito interessantes à respeito da distro lendária.

Chris Lamb




Temos o prazer de apresentar uma entrevista exclusiva do atual líder do Debian ao blog Diolinux, muitas perguntas foram inspiradas em questões levantadas pelos próprios usuários do Debian no Brasil, vamos ao bate-papo.

Diolinux: Qual o seu nome e qual a sua função dentro do projeto Debian?

Chris: Meu nome é Chris Lamb e eu sou o atual líder do projeto Debian (DPL) e também o atual representante oficial do Debian. Sou conhecido por "lamby" no IRC e @lolamby no Twitter.

O DPL (Debian Project Leader) tem duas funções principais, uma interna e outra externa.  A função externa é relativamente simples de entender, eu represento o Debian pelos outros integrantes, como nesta entrevista onde falo em nome do projeto. Isso também envolve dar palestras e fazer apresentações sobre o Debian em conferências, bem como criar relacionamentos com outras organizações e empresas.

Internamente o líder gerencia o projeto em si e define a sua visão sobre todas as questões em algum grau. O líder deve conversar com os outros desenvolvedores do Debian para ver como eles pode colaborar entre si, removendo qualquer bloqueio potencial para que isso aconteça, para que assim o Debian seja produzido. Umas das tarefas principais do líder do Debian envolve, portanto, a coordenação e comunicação. "Herding cats", como dizem.

Diolinux: Desde quando você atua nesta função?

Chris: Após um período de campanha e de votação de 6 semanas, fui eleito no dia 17 de abril deste ano.

Diolinux: O que fez você querer fazer parte da comunidade Debian?

Chris: Minha primeira experiência com o Debian foi um "acidente feliz". Eu tinha recebido um conjunto de CDs da Red Hat de um serviço chamado "The Linux Emporium", uma empresa do Reino Unido que enviava CDs de distribuições GNU/Linux como um serviço prestado antes de termos a internet mais rápida para fazer downloads. No entanto eu acabei descobrindo que eu não tinha os 12 MB de RAM necessários para executar o instalador do Red Hat. Irritado eu peguei um CD do Debian "Potato" que estava incluído no kit que eu havia recebido (livre de encargos) no meu pedido, uma versão que já está muito desatualizada atualmente, e assim eu conheci o Debian, que funcionou no meu computador.

Avançando alguns anos, minha primeira contribuição para a comunidade foi trivial (um patch para o software de edição musical chamado Lilypond). Eu era um colaborador entusiasmado do Debian e fui infectado pelo vírus da colaboratividade, o que me levou a contribuir mais e mais com outros pacotes, fazendo com que eu passasse de um simples estudante do Google Summer Code para um desenvolvedor oficial do Debian em 2008. Participei da minha primeira DebConf (conferência anual do Debian) em Edimburgo, na Escócia.

Diolinux: Como você definiria o projeto Debian para as pessoas que já usam Linux, mas não o Debian?

Chris: No momento em que escrevo este texto mais de 10% da internet é alimentada pelo Debian. Quantos sites você poderia hoje sem o Debian? Debian é o sistema operacional de escolha de vários projetos, é o prjeto de escolha da estação espacial internacional (ISS), de inúmeras universidades ao redor do mundo, empresas, órgãos governamentais, todos eles confiam no Debian para prestar seus serviços à milhões de usuários em todo o mundo e além dele (literalmente). O Debian é um grande sucesso.

Penso que seria adequado dizer que o Debian tem a reputação de ser uma distro Linux para especialistas, no entanto, isso é um pouco enganador e injusto também, enquanto existem muitas distribuições que estendem o Debian para melhorar a sua interface e interação com os usuários em várias direções (como Ubuntu, Mint, etc), o núcleo subjacente do Debian não deve ser temido.

Nossos esforços são geralmente focados em liberar uma versão estável do Debian a cada 18 meses (ou mais), entretanto, o Debian também mantém uma distribuição para testes (Debian Testing), que talvez possa ser melhor entendido como a "área de testes" para a próxima versão. Há também a versão "instável", que (apesar do nome enganador!) é completamente utilizável como um sistema do dia a dia. É semelhante as distros Rolling Release.

Diolinux: Todos sabemos que os principais objetivos do Debian são dois: Ter um sistema tão estável quanto possível e ser multiplataforma, incluindo o suporte a diferentes tipos de Kernel que não o Linux. Existe alguma outra meta ou objetivo do Debian que foge desta dualidade amplamente difundida? Existe alguma outra meta que você estão trabalhando para cumprir?

Chris: Você tem razão ao salientar que o Debian suporta também outros Kernels não-Linux, especificamente o kernel kfreebsd e você pode estar ciente também de que é possível ter também o (ainda muito experimental) kernel Hurd do projeto GNU.

A diversidade técnica do Debian se estende para além dos kernels, essa variedade significa que nós podemos disponibilizar o sistema para todo o tipo de equipamento, de pequenos dispositivos a grandes, notavelmente temos o Debian como base do Raspian, um dos principais sistemas operacionais para o Raspberry Pi, além de suportar sistemas gigantescos também, com mais de 100 GB de RAM, versatilidade realmente é um ponto forte do Debian.

Outro objetivo além da escalabilidade é oferecer uma múltipla gama de opções de desktop enviroments que você pode optar na hora da instalação, isso não requer que você baixe um sistema para cada uma delas, ou tenha que fazer uma mudança manual posterior (a menos que você queira, claro), tudo isso o Debian já te oferece.

Para todos que se importam com coisas como esta... é perfeitamente possível usar o Debian sem o systemd...  *g* 

Diolinux: Recentemente nós tivemos a informação de que houveram vários problemas e bugs nas ISOs live do Debian, o que é algo realmente incomum, aos poucos os problemas estão sendo solucionados, entretanto, observando as listas de e-mail do Debian nós podemos observar que a problema destas falhas estava muito relacionado a falta de testadores para estas ISOs. Eu gostaria de saber, como o público pode ajudar a debugar o Debian e fazê-lo melhor?

Chris: Claramente o problema com as ISOs live mostra que existem algumas lacunas no nosso processo de desenvolvimento, no entanto, a equipe está introduzindo novas métricas de desenvolvimento, tanto técnicas, quanto não-técnicas, para que isso não aconteça novamente.

Em termos de como a comunidade pode ajudar; testar novas versões betas das ISOS, dos instaladores, é algo que nós sempre apreciamos. Enquanto a atenção para o funcionamento do ambiente de usuário do Debian acaba recebendo muita atenção, eventualmente o instalador tem menos "globos oculares" sobre ele.

Diolinux: Você utiliza apenas Debian ou utiliza outras distribuições e sistemas operacionais? Qual o seu ponto de vista sobre sistemas proprietários?

Chris: Atualmente não uso apenas sistemas operacionais de software livre, mas todos rodam Debian!

Diolinux: Ouvindo os nossos leitores, alguns comentaram que não existe um forma de "fácil acesso" ao desenvolvedores do Debian, não existe um canal claro entre o Debian e o dito "usuário final", isso pode se dever ao fato de realmente isso não existir ou a pura falta de divulgação e informação destes meios. Qual é a melhor forma de se envolver com o projeto? Que tipo de profissionais e entusiastas podem fazer parte da comunidade de desenvolvedores do Debian?

Chris: Existem várias formas para o público começar a participar. Para usuários comuns, existe a página de "Welcome" da Wiki: https://wiki.debian.org/Welcome/Users

Para pessoas interessadas em contribuir a nível de código, basta dar uma olhada aqui: https://www.debian.org/devel/

Mas também é possível observar a nova página de "Guia para mantenedores": https://www.debian.org/doc/manuals/maint-guide/

Diolinux: Como você imagina que o Debian será daqui a 10 anos?

Chris: Primeiramente eu gostaria de me imaginar ainda como um contribuidor ativo do projeto Debian, não necessariamente líder, claro, acredito também que muitos dos desenvolvedores atuais do projeto continuarão nele neste período.

Em termos da "distribuição Debian", acredito que o projeto sempre teve uma tradição bem moldada pela demanda dos usuários e desenvolvedores, bem como pelos esforços gerais e padronização na comunidade de software livre.  Nunca há uma imposição "vinda de cima" em um projeto como o Debian, acredito inclusive que esta é uma das principais razões para as pessoas escolherem o Debian para começar.

Não há razão para pensar que seria algo muito diferente disso em uma década, porém, mudanças sempre podem acontecer e é muito difícil de prever.

Diolinux: Deixe uma mensagem final para os nossos leitores e fãs do Debian no Brasil.

Chris: Eu apenas gostaria de agradecer a todos pela leitura da entrevista.

Finalizando


Eu gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer ao Chris pelo tempo dispensado na entrevista, ela foi toda feita por e-mail em inglês, então eu tive que fazer a tradução e adaptar alguns sentenças, contudo, gostaria de deixar claro que uma das respostas do senhor Lamb acabou ficando um pouco ambígua para mim, pois apensar de entender o que ele disse, não consegui interpretar ela completamente, por isso vou colocar aqui a resposta em inglês da pergunta "Você utiliza apenas Debian ou utiliza outras distribuições e sistemas operacionais? Qual o seu ponto de vista sobre sistemas proprietários?":


"Currently, I not only exclusively use free software operating systems, they are all running Debian!"

Acho que poderia ser interpretado de diversas formas, você pode colocar como você entendeu a questão. No meu entendimento, a resposta pode dizer que ele não usa apenas Linux, mas Windows ou macOS também, mas que quando usa software livre é sempre Debian, ou que ele usa sempre Debian mas não apenas software livre. Se você tiver uma interpretação diferente, compartilhe nos comentários.

Edit: Troquei mais alguns e-mails com o Chris para entender melhor o que ele quis dizer. Ele me falou que quis dizer que "todos os seus computadores e servidores rodam Debian, ainda que não sejam 100% software livre", devido a drivers e programas proprietários que ele usa, ou seja, fica mais pela minha segunda interpretação.

Gostaria de informar que já entrei em contato com Daniel Foré, desenvolvedor do elementary OS, estou aguardando a resposta dele também, pois até o momento ele não respondeu meu e-mail, se vocês puderem importuná-lo no Twitter para que ele responda eu agradeço. 😅

Deixem também sugestões para entrevistas, prometo sempre fazer o possível para conseguir o contato com as pessoas indicadas.

Até a próxima!
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Entrevistamos Hualet Wang, o líder de desenvolvimento do Deepin Linux, a famosa distro chinesa

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

O Deepin é uma distribuição que eu admiro muito, mas por ela ser chinesa, a diferença da linguagem entre os desenvolvedores principais com a nossa, ou até mesmo com o inglês, acaba sendo um fator que atrapalha, pois tudo precisa ser traduzido e certas coisas ficam obscuras, sendo assim, a única forma de sabermos mais sobre o Deepin e tirarmos as nossas dúvidas e as de vocês, leitores do blog, é perguntando diretamente para quem faz o Deepin acontecer.

Deepin Linux entrevista


Levou um certo tempo pra gente se entender 😆, mas agora, eu posso apresentar para vocês em primeira mão no Brasil (e em boa parte do ocidente, acredito) uma entrevista com um membro da equipe do Deepin. Esta distribuição baseada em Linux (Debian) que chama tanto a nossa atenção pela facilidade de utilização e beleza.
O nosso vídeo no YouTube sobre a versão Beta do Deepin já tem mais de 140 mil acessos e muitas pessoas anseiam por mais informações, levantando várias dúvidas sobre o sistema. Eu elaborei uma seleção de perguntas sobre o Deepin para Hualet Wang, que foi muito atencioso respondendo detalhadamente cada uma. A ideia inicial era fazer essa entrevista em vídeo, porém, nem eu falo chinês e nem o senhor Wang sente-se a vontade para falar em inglês (e nem português), então fizemos em texto mesmo, tentando dialogar em inglês. É claro que eu traduzi tudo para você entender melhor, assim você precisa saber mais do que o nosso bom e velho português.

A entrevista sobre o Deepin


Diolinux: Qual o seu nome e qual o seu papel no projeto Deepin?

Deepin: Olá, me chamo 王耀华, mas meu nome em inglês é Hualet Wang. Eu tenho trabalhado profundamente no Deepin nos últimos 4 anos aproximadamente e agora lidero a equipe do Deepin Desktop Enviroment. Faço a codificação do sistema, trabalho com a comunidade e faço o gerenciamento.

Diolinux: Qual o propósito do Deepin? Qual é o objetivo de vocês?

Deepin: O Deepin é desenvolvido principalmente por fãs de software de código aberto, com o objetivo de ser fácil de utilizar para os usuários chineses especialmente. "Linux" de forma geral infelizmente não é amigável para todos, especialmente para os usuários chineses, o Ubuntu ajudou muito a popularizar as distros por aqui, o que foi muito bom, atualmente existem mais e mais fãs do sistema, não só aqui, mas em todo o mundo. O Deepin é a distro em que estamos trabalhando, visando fazer a melhor distribuição Linux possível, é claro, para usuários de todos os tipos, tornando o mais fácil de se utilizar, esse é o principal foco.

Diolinux: Quem desenvolve o sistema operacional? Quantas pessoas estão oficialmente envolvidas com o projeto?

Deepin: O sistema é desenvolvido principalmente por funcionários da Deepin Corp. Wuhan Technology e com a ajuda da comunidade, como qualquer outra distribuição. Atualmente temos cerca de 120 pessoas trabalhando para a existência do Deepin, incluindo programadores, designers, gerentes de produto, tradutores, pessoas da área de marketing, sendo que 1/4 da equipe são pessoas que trabalham na infraestrutura do projeto.

Diolinux: Qual a representatividade do Deepin dentro e fora da China? Quantos usuários vocês tem aproximadamente?

Deepin: Não temos como afirmar a quantidade de usuários exatamente, pois assim como outras distros, nós não exigimos algum tipo de login na central de software ou rastreamos os usuários através de outros componentes, o que nos impede de precisar este número, entretanto, podemos estimar uma boa quantidade, visto que o Deepin já foi baixado  mais de 80 milhões de vezes desde o início do projeto, então acredito que temos muitos usuários, mas não sabemos dizer o o número exato.

Os usuários chineses normalmente veem o Deepin como um sistema para uso doméstico. Um dos mais destacados para uso doméstico, inclusive. Aceitamos esta honra juntamente com a nossa comunidade de usuários. Os usuários de fora da China tendem a ver o Deepin como inovador e criador de software livre, porém, alguns dos próximo passos que almejamos podem até mesmo dar a entender o oposto disso. Somos uma empresa que precisa suportar a sua própria existência e de mais de 100 pessoas empregadas diretamente, por isso, nem tudo poderá ser feito visando somente o colaboração de software livre, alguns de nossos passos futuros podem não ir de todo pelo caminho que a nossa comunidade deseja, mas esperamos que possam nos dar suporte, tempo e paciência.

Diolinux: Uma das maiores preocupações do público do ocidente com o Deepin, e que acaba gerando uma certa resistência, é que existe uma imagem associada a sistemas chineses com espionagem, sistemas com backdoors, em fim. Há desconfiança quanto a segurança e privacidade. O que vocês tem a dizer sobre isso?

Deepin: O Deepin não é patrocinado pelo governo chinês e tem todo o seu código aberto. Eu não sei porque tantas pessoas ainda insistem em algo como isto. Para todos os que tiverem interesse em examinar, tudo o que produzimos, todo o código, está disponível no GitHub, assim como muitas outras distros. Você pode confiar no Deepin sempre, da mesma forma que confia em outras distribuições e outros softwares de código aberto.

Diolinux: Além de buscar chamar a atenção de usuários de Windows e macOS, o Deepin também acaba atingindo usuários "básicos" de distros Linux, como os usuários de Ubuntu e Linux Mint. Quais são os diferenciais do Deepin em relação aos outros sistemas que você acredita que seriam boas razões para os usuários o utilizarem?

Deepin: Quem já testou o Deepin sabe que ele é muito mais do que "fácil de usar", ele é um sistema com interface "clean", mais elegante e com um refinamento maior do que outras distribuições, falando de forma geral. Outro diferencial que podemos apontar é que uma de nossas grandes e maiores filosofias é ouvir os nossos usuários diretamente.

Nós procuramos corrigir rapidamente os nossos problemas e aprender com os outros também de forma rápida, essa é a melhor forma de apresentar aos usuários cada elemento do sistema da melhor forma possível. Atualmente há vários desenvolvedores que enviam links para responder as questões dos usuários praticamente todo dia, com o nosso aplicativo de feedback, incluído no próprio sistema, nossos usuários podem ter respostas dos desenvolvedores diretamente.

Diolinux: Como os repositórios do Deepin funcionam? Vocês empacotam/reempacotam e revisam todos os softwares contidos nele?

Deepin: O Deepin é atualmente baseado no Debian Sid, nós convergimos o repositório do Debian Sid a cada 1 ou 2 meses, resolvemos os eventuais bugs e lançamos os updates. A maior parte dos pacotes permanecem exatamente os mesmos contidos no repositório do Debian durante este processo, apenas pontos críticos para a integridade do nosso sistema, como pacotes do Kernel, Systemd, LightDM entre alguns outros pormenores são mantidos pelos nossos desenvolvedores. 

Uma grande parte dos pacotes que são refeitos são construídos com Qt5 por nós mesmos, pois precisamos compatibilizar os softwares para que não hajam bugs, ou para que haja uma quantidade mínima, o mesmo vale para outros pacotes que usam uma API muito específica.

Diolinux: Uma das facilidades que o Ubuntu e o Manjaro, por exemplo, entregam é o fácil acesso a softwares de fora do repositório através de PPAs e do AUR, permitindo que possamos ter no sistema versões diferentes do mesmo software de forma acessível. Atualmente não temos algo semelhante no Deepin, quais as suas intenções sobre isso, sobre repositórios da comunidade?

Deepin: PPAs e o AUR são obras da comunidade, o máximo que podemos fazer neste sentido é facilitar que a nossa comunidade trabalhe em torno do sistema. Mas atualmente há basicamente duas maneiras pelas quais estamos planejando trabalhar:

1. Deepin Driver Center
2. Suporte aos PPAs

O Deepin Driver Center é como o atual gerenciador de drivers, mas com recursos muito mais promissores, por exemplo, ele possibilita a instalação de diferentes versões dos drivers, o que vai de encontro ao que você tinha comentado. O problema é que este projeto caiu atualmente em hiato por conta de outros projetos de maior prioridade.

Quanto ao suporte para PPAs, como eu havia mencionado, eles são mantidos pela comunidade e cabe a ela compatibilizá-los. Depois que você comentou sobre isso comigo, eu e minha equipe andamos repensando a situação e acho que devemos ajudar mais este segmento, exportando, pelo menos, algumas informações extras, como por exemplo, como o repositório é alterado e quantos pacotes são afetados em uma fusão de repositório. Um serviço de hospedagem de PPA como o Launchpad da Canonical ainda não está no cronograma.

Diolinux: Como funciona o sistema de atualização do Deepin? Os usuários devem ficar preocupados com a questão de segurança do sistema? Eu percebi alguns atrasos em atualizações importantes há algum tempo.

Deepin: Nossas atualizações são praticamente as mesmas do Debian Sid, respeitando aquele período de fusão de 1-2 meses, como comentado anteriormente. Enviamos atualizações de segurança toda semana, alguns usuários ativos mais antigos reclamaram sobre o atraso das atualizações de segurança anteriormente, e esse é de fato um grande problema que está para ser totalmente resolvido, pois agora somos capazes de entregar as atualizações de segurança mais urgentes para os usuários de forma imediata. Portanto, usuários do Deepin não precisam mais se preocupar com eventuais atrasos das atualizações de segurança.

Diolinux: Como os usuários podem ajudar no desenvolvimento do Deepin?

Deepin: A tradução é a primeira coisa e a mais simples de ser feita também, eu acho. Nossas traduções são hosteadas no Transifex, os usuários que estiverem interessados podem participar e nos ajudar a traduzir o Deepin para todos os idiomas. 


Diolinux: O que podemos esperar do Deepin no futuro? Que tipo de recursos devem ser adicionados no sistema?

Deepin: O sistema está entrando em uma fase de maturação que chamamos de "self healing", onde pequenas correções serão mais rapidamente publicadas com as atualizações, juntamente com novos recursos desenvolvidos nos últimos 3 meses. Isso é necessário porque nós fizemos muitas e grandes reconstruções de softwares e movimentos nos últimos anos, precisamos colocar mais esforços na estabilização do sistema e detalhamento, reflexo do que aprendemos com outros sistemas operacionais. A próxima nova características esperada é o suporte a tela de alta definição hiDPI.

Diolinux: Vocês pretendem criar parcerias com fabricantes de hardware como a Xiaomi para lançar computadores com Deepin de fábrica?

Deepin: Até onde eu sei, existem vários fabricantes na China que estão dispostos a trabalhar conosco, mas até o momento não temos nenhuma mensagem oficial de cooperação. Em parte, nós sabemos o motivo. É preciso um melhor suporte de hardware para estes fornecedores para que finalmente possamos encontrar bons parceiros e oferecer aos usuários uma melhor experiência. É algo que pretendemos, mas não temos nada de concreto para apresentar no momento.

Diolinux: Nós temos conhecimento de que o Deepin tem uma versão para servidores também, contudo, gostaríamos de saber se haverá uma versão do Deepin para Raspberry Pi ou semelhantes.

Deepin: A versão para servidores do Deepin existe por conta de negócios que temos e para o nosso uso próprio, como este motivo não se aplica aos embarcados no caso de nossa empresa, provavelmente você não terá uma versão para Raspberry Pi do Deepin ou correlatos, ainda que nosso repositório com suporte para arquitetura ARM esteja ativo e funcional. Usuários são livres para modificar o sistema para essa finalidade se assim desejarem.

Diolinux: O Deepin possui uma central de aplicativos muita rica e variada, talvez a melhor do mundo Linux neste aspecto, além de ter um design agradável, no entanto, ainda existem muitos aplicativos úteis que não são listados na loja, mesmo que estejam nos repositórios, como o Kdenlive, vocês pretendem corrigir isso?

Deepin: Sobre o Kdenlive e outros Apps, o principal ponto é que não há como informar os mantenedores da loja se existem novas versões, certo? A próxima versão do Deepin AppStore terá um novo recurso que os usuários vão gostar chamado "Ask for a new version", que permitirá que os usuários nos informem que desejam uma versão nova ou diferente da aplicação, assim como atualmente existe a opção de "Solicitar inclusão", onde os usuários podem pedir aplicativos para que eles entrem na Deepin AppStore. Acreditamos que isso aumenta a interatividade entre desenvolvedores e usuários e provavelmente vai eliminar, ou ao menos diminuir, este problema.

Sim, a Deepin AppStore é a mais completa loja de aplicativos do mundo Linux, é o que eu acredito. Acho que isso acontece principalmente porque colocamos um grande esforço em sua manutenção. Como eu lhe disse em minhas respostas anteriores, apesar de termos uma boa gama de pessoas trabalhando no Deepin, nós mesmos ainda temos limitações e precisamos do apoio da nossa comunidade para nos ajudar com o trabalho, desta forma todos temos a ganhar, garantimos que nossos desenvolvedores sempre vão trabalhar para criar e disponibilizar as melhores soluções de softwares possíveis.

Diolinux: Muito obrigado pela sua paciência em responder todo este questionário, pode ter certeza que isso vai aproximar os usuários do Deepin de vocês, especialmente os falantes de língua portuguesa. Gostaria que você deixasse uma mensagem final para os nossos leitores.

Deepin: "We, we change!" Este é o nosso lema, o lema da empresa, e de fato, esta é a cultura do Deepin, não temos medo de mudanças e não temos medo de criar, não temos medo de nos espelhar em projetos que já deram certo. Vamos nos esforçar para criarmos a melhor distribuição Linux possível. 

Agradeço a todos os usuários que confiam no nosso trabalho, nunca tínhamos tido tanto apoio como agora. Obrigado pela oportunidade de falar sobre o Deepin em seu blog, espero que eu tenha conseguido ser claro nas respostas, apesar do nosso problema com a linguagem.

Muito obrigado.

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Muitas das perguntas que eu fiz ao simpático Hualet Wang, foram tiradas de fóruns, dos comentários aqui no blog em posts sobre o Deepin, no YouTube, no Facebook e também coisas que eu acabei percebendo. Espero que vocês façam bom proveito das respostas e que tenham tirado todas as dúvidas sobre o excelente Deepin, agora você pode participar comentando a nossa entrevista e colocando o seu ponto de vista sobre as respostas oferecidas.

Você também pode sugerir outras entrevistas, para que possamos correr atrás de quem faz o Linux acontecer ao redor do mundo. 

Você pode saber mais sobre o Deepin clicando aqui.

Até a próxima!
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