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5 mitos sobre Linux que afastam novos usuários

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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Todas as coisas que fogem um pouco do público "maistream" comumente são cercadas de mitos, com o Linux nos Desktops não seria diferente. Vamos falar agora de 5 deles que por vezes os novos usuários acabam "ouvindo de alguém" e que eventualmente os afastam dos sistemas baseados neste Kernel.

Mitos sobre Linux






Com 2017 chegando ao final, 2018 vem aí para comemorar nada mais, nada menos, do que o sétimo aniversário do blog Diolinux, quem diria, hein!? Depois de 7 anos, o cenário do Linux nos Desktops mudou muito, talvez até mais do que eu consiga lembrar, mas alguns mitos ainda persistem na cabeça de muitos, vamos falar sobre cinco deles.

1 - Linux é difícil de se utilizar


Esse é sem dúvida um dos maiores mitos, mas vamos por partes.

Acho que com um pouco reflexão você pode ser dar conta que uma afirmação como esta não faz muito sentido. Veja bem, defina para mim o que é "fácil" e o que é "difícil".

Tocar guitarra é fácil ou difícil? Acredito que a resposta seja: depende. Depende do seu conhecimento prévio, se você já sabe tocar violão fica mais simples, se você nasceu com "o dom pra música", provavelmente será mais simples também, ter o hábito também ajuda.

Tenha em mente que "fácil e difícil" são duas coisas complemente relativas e variam de pessoa para pessoa.

O que geralmente acontece para que alguns cheguem a essa conclusão é a falta de instrução prévia, um dos motivos da criação do blog Diolinux (e do canal também) foi justamente este, com isso, o caminho fica mais tranquilo.


A maior parte das pessoas que teve alguma frustração usando Linux são geralmente pessoas que já entendem um pouco de Windows e se sentem perdidas neste novo universo.

Essa sensação de ser bom e de repente ser jogado em um universo onde os seus conhecimentos já não tantos, ainda mais para coisas rotineiras como usar o computador, nunca é boa, é algo natural do ser humano. Uma vez que isso seja identificado, você fica mais apto a superar novos desafios.

Mudanças são complicadas sempre, mas podem valer muito a pena. Conheço várias pessoas leigas em tecnologia (não em Linux exatamente) que usam distros como o Linux Mint em seus computadores diariamente para fazer tarefas comuns, não há como chamar Linux de "difícil" observando-os. No entanto, vale a pena observar a distribuição, existem distros Linux mais adequadas para usuários novatos do que outras, isso pode trazer uma experiência bem diferente, aliada as várias interfaces que o Linux proporciona, certamente algumas são mais intuitivas do que outras.

2 - É preciso usar comandos para fazer tudo no Linux


Não, não é preciso. Mas acho que podemos falar mais sobre isso.

Antes de mais nada, não devemos encarar a possibilidade de operar o sistema operacional via comandos como algo ruim, distros Linux, Windows, macOS, BSDs e outros sistemas, possuem, invariavelmente, a possibilidade de operação via terminal.

Existem milhares de tutoriais pela internet sobre macOS e Windows onde são utilizados comandos, no suporte oficial das empresas muitas vezes são informados comandos, então não se assuste. No Linux você pode realmente fazer de tudo pelo terminal, mas isso não quer dizer que tudo PRECISE ser feito através dele.

Acredito que as vezes essa impressão vem de antigos manuais e artigos espalhados por blogs, internet à fora, e a forma generalista de tratar as distros. Um exemplo: Digamos que eu queira mostrar como instalar o editor de imagens GIMP em distros baseadas no Ubuntu, todas elas pelo terminal terão o mesmo comando, algo como: sudo apt install gimp, no entanto, mostrar um tutorial via interface vai depender da interface, fazer isso no KDE Plasmas, no GNOME, no Cinnamon, no Pantheon, no XFCE, todos tem pequenas diferenças, o que faz com que o processo de fazer um tutorial abrangente seja excessivamente trabalhoso.

Talvez a falta de uma "distro padrão" cause isso, por conta disso, quando um sistema se destaca ou tem foco no desktop, nós geralmente damos mais atenção, e por "nós", eu digo a mídia. Talvez seja importante os blogs e sites populares de Linux começarem a se preocupar em colocar tutoriais que envolvam o ambiente gráfico também, isso vai começar a passar a impressão correta sobre o Linux, onde só se usa o terminal quando se quer. 

Em pleno 2017, mesmo no Linux, usar comandos é para quem quer. Basta escolher uma distro com foco no Desktop e você não terá esse "problema".


Eu realmente não sei de onde vem esse mito, ou melhor, não sei porque ele persiste; de onde vem eu até tenho uma ideia.

Logo no início do desenvolvimento do Linux e de sua evolução, entre 92 e 2004 aproximadamente, a necessidade da utilização do terminal era maior, de fato. Nestes primeiros 10 anos de existência as pessoas que utilizavam Linux geralmente eram entusiastas ou profissionais, como no mundo do servidores o Linux sempre foi uma ótima alternativa e em servidores geralmente não usam ferramentas gráficas (não da mesma forma que em desktops), então as distros acabavam tendo estes traços também.

Os ambientes gráficos ainda estavam começando a se desenvolver também. Mas como tudo, a distros Linux também evoluíram, é um erro tremendo pensar que tudo continua assim, isso seria o mesmo que pensar que o Windows possui as mesmas características dos seus primeiros 10 ou 15 anos de desenvolvimento.

Pra ser sincero, as distros com apelo ao Desktop real começaram a chegar em um ponto interessante em 2010, com o Ubuntu 10.04 e 10.10, Linux Mint 9 e 10, entre outras, com um belo salto de qualidade em 2012, em 2017, ainda há coisas para serem melhoradas (e sempre haverá), mas o ponto atual já pode ser considerado simples para o uso doméstico.

O Kernel Linux está com 26 anos praticamente hoje e muita água já rolou por debaixo dessa ponte, então vamos parar com isso e acabar com esse mito de uma vez por todas.

3 - Linux não tem programas o suficiente


Existem pessoas que vivem de criar barreiras e não pontes, fato. Essas sempre vão procurar algum problema para evitar recomendações, enquanto seria muito simples mostrar as várias opções que existem e quase com certeza, estas iriam atender ao público, ou a maior parte dele.


É complicado listar softwares porque uma lista assim seria quase infinita, mas certamente você encontra muitos aplicativos populares no mundo Linux que são multiplataforma e famosos no mundo Windows também. No mais, eu sempre digo para as pessoas se prenderem à funcionalidade do programa, não ao nome necessariamente.

Exemplo, você não precisa do WinRAR para abrir arquivos .rar, você precisa de um software que faça isso, você não precisa do PowerPoint, você precisa fazer apresentações, e existe uma infinidade de formas para resolver qualquer problema desses, um pesquisa básica no Google vai te revelar as opções (veja o vídeo acima, ele vai ajudar também).

Cada usuário tem necessidade diferentes, então, cabe a você e somente a você, a missão de avaliar se os softwares ou recursos que você quer estão no Linux. Nem sempre ter "um milhão" de opções para um mesmo software é sinal de qualidade, existem dezenas de navegadores de internet, mas a maior parte das pessoas só usa Chrome e Firefox, para citar apenas um exemplo, e ambos estão disponíveis para Linux (assim como Opera, Vivaldi, Chromium, Yandex, e muitos outros).


4 - Linux não tem jogos bons


E mais uma vez caímos no mérito de "bom e ruim", assim como já comentado, isso vai depender mais uma vez do seu gosto e dos games que você curte jogar. Eu conheço muitas pessoas apaixonadas por jogos, mas curiosamente, a maior parte delas lê, assiste e consume conteúdo sobre todos os lançamentos, mas dificilmente joga todos eles, seja pelo preço, ou pelo gosto mesmo, por preferir títulos específicos. Eu sou assim, gosto de ver reviews de todos os lançamentos praticamente, mas raramente jogo todos eles.

Linux possui atualmente uma ampla gama de títulos disponíveis, essa biblioteca é de fato inferior à do Windows, não há como negar, mas dependendo do que você curta jogar, pode ser um sistema para você, sem dúvidas.


Eu jogo muito no Linux (e no Windows também) e posso afirmar que biblioteca é muito bacana já e só tende a crescer, visto que games para Linux começaram a ser lançados em maior massa apenas em 2014 e o primeiro ano, ainda que frutífero, não se compara aos seguintes.

Sempre haverá aquele que vai dizer: "Ah, mas não tem tal jogo", e isso nunca vai ter fim, pois sempre haverá um game que não estará na plataforma, mesmo que Linux venha a ter 90% dos títulos que existem no Windows, ainda dirão que falta aquele ou aquele outro, acho que é tipo de coisa que não poderemos mudar, no entanto, uma nova plataforma para PC concorrente para o Windows faria bem para os consumidores em vários sentidos, concorrência desperta qualidade e seria ótimo poder economizar o dinheiro da licença do sistema operacional e gastar este valor em jogos, não é? É importante que incentivemos este mercado para o nosso próprio bem.

5 - Linux é apenas para servidores, não para Desktops


Quando alguém afirma isso devem escorrer muitas lágrimas dos milhares de desenvolvedores de KDE, GNOME, XFCE, MATE, Cinnamon, Deepin, Pantheon e tantas outras interfaces feitas justamente para operabilidade do sistema no Desktop.

Acho que existe ainda uma grande confusão de "qual é o propósito do Linux", pessoas dizem que o sistema serve para isso ou para aquilo. 

O grande ponto aqui é: Linux não tem um propósito, quem dá o propósito é quem o utiliza para alguma coisa. O Kernel Linux é simplesmente feito para trabalhar com hardware, o que cada projeto que usa o Linux como base fará, dará a utilidade e o foco para ele.

A Google usa para o Android, a Canonical para fazer o Ubuntu, a Amazon usa em servidores, a Microsoft usa para virtualização, a Tesla usa em carros inteligentes e a minha mãe usa pra acessar o Facebook, então dizer que Linux "só" serve para algo em específico seria subestimar a criatividade de milhões de pessoas ao redor do mundo.

Existem muitas pessoas que utilizam Linux em seus desktop corriqueiramente, eu mesmo estou escrevendo este artigo de uma distro agora mesmo.

Alguns outros mitos


Existem mais alguns mitos interessantes para abordarmos aqui, mas como eu já falei deles amplamente em outras oportunidades, vou deixar apenas as referências, espero que você possa conferir.


Atenção ao "ter vírus", isso não significa ser vulnerável equivalentemente, vide o Android, e atenção também para o fato de que popularidade não está relacionada a qualidade de segurança do sistema e o sim ao quanto ele é visado.

- Linux tem problema de suporte a hardware

 Eu participei de um bate-papo bem bacana no canal Peperaio Harware há algumas semanas para falar justamente disso, confira aqui.



Mesmo com todas essas informações, ainda haverão pessoas que não considerarão o Linux para o seu uso doméstico, empresarial ou pessoal e francamente, por mim tudo bem, não vejo problema algum em quem gosta de usar Windows, mas eu realmente acredito que esses mitos não sejam mais bons motivos para tal, simplesmente dizer "eu gosto mais de outro sistema" é melhor do que apontar esses "problemas", o que seria perfeitamente concebível.

Como plataforma, distros Linux geralmente grátis, mais seguras e com várias opções de customização, aparência e usabilidade, ou seja, testar ao menos é só uma questão de curiosidade e internet para fazer o download, praticamente não existem barreiras.

Até a próxima!

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Idosos, exclusão digital e o "Linux com isso"

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sábado, 16 de dezembro de 2017

Nós costumamos falar aqui no blog de muita tecnologia de ponta, são reviews, dicas, tutoriais e muito mais para aqueles que querem uma vida mais fácil em frente ao computador, agilizando assim as suas tarefas diárias; mas acontece que existe uma parcela da população que as vezes passa despercebida.


Inclusão digital para idosos





Engraçado usar este termo, "exclusão digital", quando se fala normalmente no oposto. Esse tema acabou surgindo por acaso em uma conversa com um amigo meu. Ambos somos (ou já fomos) professores de informática básica para pessoas com mais idade e isso acabou dos permitindo ter um percepção muito diferente sobre o mundo da tecnologia.

O idoso sempre teve problemas para se encaixar na "sociedade jovem", mas conforme o tempo passou e a tecnologia se tornou parte intrínseca da nossa vida, as pessoas que nasceram muito tempo antes de computadores serem comuns nos lares acabaram tendo dificuldade para lidar com esse tipo de coisa. Sendo essa uma parcela da sociedade cada vez mais crescente, será que não devemos olhar com mais carinho para ela?

Talvez você já tenha flagrado alguém com "uns carnavais" a mais com dificuldades para utilizar um Smartphone, ou simplesmente não entendendo "o que é o Google", "o Facebook" e ainda achando "mágico" como você pode fazer vídeo chamadas e falar com os entes queridos que moram muito longe. Aos olhos de algumas pessoas que não cresceram com esse mundo, todo esse aparato tecnológico que é comum para maior parte do público deste blog, parece magia, literalmente.

Abaixo você tem um vídeo do canal "Linus TechTips", onde Linus apresenta "o mundo Google" para o seu avô de 91 anos e o resultado é muito tocante, eu realmente fiquei sensibilizado e emocionado com o vídeo, confira:


Como podemos ajudar a incluir essas pessoas em um mundo que muda tão rapidamente? Linux pode ajudar.


A grande questão aqui é a independência. Exato, independência. Essas pessoas muitas vezes acabaram se afastando um pouco da tecnologia, por mais que a achem fascinante, porque tinham dificuldade de entender certos termos e interfaces para se usar alguma coisa, como um e-mail por exemplo.

Isso é algo que eu aprendi tendo contato direto com pessoas dessa idade que buscaram aprender em uma escola de treinamentos (imagina como são as que não tiveram esse ímpeto). Essas pessoas não querem ter "o neto" ao lado o tempo todo para poder realizar tarefas simples, como enviar uma mensagem para alguém, elas querem ser independentes e fazer o que precisam fazer sem precisar do "suporte", ao contrário do que muita gente acha.

Pensar sobre segurança de seus dados, atualizações do sistema e aplicativos, instalar aplicativos, tudo isso não deve ser preocupação de quem é leigo e só quer usar a tecnologia, alguém que só quer se sentir mais integrado com a sociedade. O lado técnico de se usar um computador por exemplo, precisa ser completamente abstraído, ou o máximo possível ao menos.

Neste aspecto, acredite você se quiser, existe uma distro Linux capaz de realizar esse tipo de trabalho (tirando o Android em Smartphones) em computadores, que é o Endless OS.

Endless OS

Ele possui uma interface semelhante a um Smartphone Android, que é algo que provavelmente a maior parte das pessoas está minimamente habituada, baseando-se em Linux o nível de segurança para leigos tende a ser um pouco maior, ele é gratuito e possui muito conteúdo offline, ideal para as pessoas que não tem um acesso pleno à internet, além de possuir os aplicativos tradicionais para comunicação e navegação.

Paciência e inovação


Ao contrário das pessoas que nasceram nas últimas duas décadas, geralmente pessoas com mais idade costumam aprender e apreciar as coisas com mais calma, por conta disso, paciência é um ponto chave.

Várias vezes eu já vi pessoas dizerem que só assistem vídeos no YouTube com a velocidade alterada, 1,5, as vezes 2x a velocidade, nessa horas eu confesso que sinto-me mais velho, ainda sou do tipo que gosta de consumir as coisas como elas foram produzidas, que não tem pressa para aprender, sou aquele tipo que gosta de ouvir álbuns inteiros e não singles. Talvez a gente precise desacelerar um pouco. Se você quiser saber se você tem esse "problema" de mente acelerada, use um método nada científico que eu criei, tente assistir o clássico "2001, uma odisseia no espaço", se você ficar entediado muito rápido, talvez seja o seu caso.

Desacelerar é, inclusive, a principal ferramenta que você tem na hora de tentar ajudar alguém que viveu muito mais do que você a se inteirar nesse mundo "high tech", eu sei que não é pra todo mundo, mas você precisa entender que o simples fato de conseguir enviar uma mensagem a um filho querido pelo WhatsApp pode ser uma grande vitória para que cresceu de forma analógica.

A tecnologia tem a função de facilitar a nossa vida, é natural que ela vá procurar atender quem está no ápice dessa inovação, mas é importante que não esqueçamos de quem nos deu base para tudo o que temos hoje, tornando-a mais simples e acessível em todos os níveis possíveis.

A sensação que se tem é que vivemos num momento de "quebra" da sociedade, que já ocorreu em outros momentos na história, onde podemos separar os que realmente entendem a tecnologia, sabem usar e sabem como funciona, dos que apenas usam e os que ainda estão tentando entender como utilizar em 3 grupos facilmente distintos, quem sabe com paciência, trabalho e inovação, possamos tornar a sociedade mais hegemônica neste sentido.

Esse tipo de uma coisa vai acontecer invariavelmente (algum dia, quem sabe...), afinal, crianças que nasceram depois de 2010 já estão crescendo na era do Streaming e dos Smartphones, logo, os idosos de um futuro próximo serão possivelmente um pouco mais integrados a tecnologia do que os de outrora, no entanto, esse ciclo deve se repetir ainda, mesmo que com um "fade" maior.

E aí, você anda fazendo a sua parte para melhorar esse cenário? Já dizia o Chaves:


Reflita.

Até a próxima!
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Por que os jogos online são tão populares?

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Os jogos online estão mais populares do que nunca e não há sinais de que sua popularidade diminuirá: espera-se que a receita global dos jogos online atinja os 35 bilhões de dólares no começo de 2018. Então, o que é mesmo que atrai tantos jogadores ao mundo dos jogos online?

Jogos Online de Sucesso






Por vezes eu me pego pensando sobre assuntos que já não são discutidos, afinal, é mais do que óbvio que jogos online fazem sucesso. Desde que eu era criança jogar com os amigos no meu Super Nintendo era sempre melhor do que jogar sozinho, com a internet possibilitando essa conexão, era de se esperar o sucesso deste formato, independente da plataforma, mas sobretudo, com a chegada e popularização dos Smartphones.

Mercado próspero


Há tempos que os jogos são o hobby predileto de muitos. Desde o "boom" dos jogos de computador nos anos 1980 e 90, milhões de jogadores fixaram seus olhos na tela, enquanto Sonic, Mario e Crash Bandicoot entravam em suas vidas para acompanhá-los nos anos que se seguiriam.

Ao longo dos anos, a fome por jogos de computador como forma de diversão não desapareceu. A chegada dos jogos online ajudou a indústria a se adaptar às novas tecnologias. Desde então, os jogos online mudaram o panorama dos videogames e contribuíram para o sucesso cada vez maior do setor

A receita dos jogos no Brasil no ano passado chegou a 1,3 bilhão de dólares, segundo previsões. 

No entanto, num mundo onde o entretenimento digital se tornou padrão, qual é o interesse de usar um controle conectado a um computador para bater uma bola com os amigos na Internet, se podemos ir lá fora e bater uma bola de verdade com eles?

Escolha


Com os jogos online, os jogadores têm à sua escolha uma seleção de jogos maior do que nunca. A maioria dos jogos lançados hoje oferecem a opção de jogar online. Jogos como Call of Duty, Halo e FIFA ajudaram redefinir o gênero dos jogos online.

Esses jogos oferecem mais tipos de jogo no ambiente online para que os jogadores aproveitem. Conteúdo para download, modo cooperativo, modos competitivos e muitos outros tipos de jogo tornam a experiência online mais versátil, pelo seu moderno grupo demográfico.

Acessibilidade


Lembra-se da época do modem de conexão discada? De quando era necessário esperar que a mãe desligasse o telefone para usar a Internet? Talvez não, tudo bem. Talvez você não seja tão velho como alguns de nós. Mas se você se lembra, então sabe como era dificultosa a coisa de jogar online há 20 anos.

Quanto o mundo mudou em apenas duas décadas, a banda larga de alta velocidade e os servidores mais confiáveis tornaram os jogos online mais acessíveis para mais jogadores pelo mundo. Isso significa que mais jogadores podem ter acesso aos modos de jogo online. As comunidades de jogos online estão mais povoadas que nunca e esse crescimento contribui para um ambiente virtual mais efervescente.

Fácil de jogar


Sair para jogar pode ser uma questão um pouco diplomática para alguns. Todo o constrangimento de jogar uma partida de futebol com outras pessoas que não jogam tão bem... Ou sair para jogar boliche com quem não sabe muito do assunto. É um problema social.

Os jogos online oferecem uma solução para esse problema, ou desviaram a nossa atenção dele. 

Aprender a jogar bem no Battlefield ou no Overwatch pode ser mais fácil que aprender a ser um bom jogador de futebol ou de boliche. Muitos jogos hoje em dia são do tipo "pegar e jogar", e até o jogador mais inexperiente pode participar. Se você consegue apertar os botões “X” ou “O” e usar os botões direcionais, então pode jogar. Menos necessidade de coordenação e de memória muscular.

A indústria aprendeu muito e mudou. Antigamente os games eram propositalmente extremamente mais complicados que os de hoje por um motivo simples, as suas fichas no fliperama. Um game que viciasse você e fizesse você gastar dinheiro comprando créditos era provavelmente um game bem sucedido. Com o tempo, a forma de lucrar mudou e para bem ou para mal, os jogos mudaram junto, e hoje procuram oferecer experiências diferentes.

Custo


Quando apareceram os jogos online, muitos deles requeriam dos jogadores o pagamento de uma assinatura anual. Infelizmente, os jogos de alguns consoles ainda requerem essa assinatura.  No Xbox e no PS4, os jogadores devem ter uma assinatura para acessar e jogar online.

Mas, felizmente, é muito mais barato do que costumava ser. Os jogos online já não são tão exclusivos como antes. De fato, muitos jogos oferecem uma opção gratuita online. O setor dos cassinos e do pôquer online é apenas um dos muitos que saíram ganhando com a oferta de jogos gratuitos online. 

O campeão do Main Event do World Series of Poker de 2003, Chris Moneymaker, inspirou o "boom" do pôquer depois de ter conseguido a classificação para o campeonato através de um site. Muitos desses sites são de entrada gratuita ou vendem ingressos por muito pouco dinheiro. Num mundo onde tudo custa caro, os jogos online se tornaram uma opção de ótima relação custo/benefício. É mais barato do que ir para Vegas, apesar da experiência provavelmente compensar.

Claro que este é apenas um grande exemplo que movimenta alguns milhões mensalmente, mas jogos que rodam através do browser e promovem essa interação com baixo ou nenhum investimento ajudaram a criar toda uma comunidade de jogadores e um perfil de usuário também, muitos desses podem ser transferidos facilmente para os jogos de Smartphone.

Variedade


Se você joga videogames com frequência, então já está acostumado com a sensação de monotonia ao jogar contra a máquina. Todo mundo é bom no CS:GO jogando contra os bots, já fiz o ditado.

Você pode adivinhar a próxima jogada da máquina, prever o seu comportamento; você tem certeza quase absoluta de que sairá vitorioso. Este nível de previsibilidade não existe nos jogos online e certamente é um dos motivos que instiga os jogadores.

De repente, você é lançado a um mundo onde cada adversário é diferente. O conteúdo personalizado dá mais intensidade a sua experiência de jogo. Você passa a enfrentar adversários que oferecem algo único toda vez que se conecta. Tudo isso faz com que o prazer em jogar "aumente 10 vezes".

Comodidade


Depois de um longo e árduo dia de estudo ou de trabalho, qual é a opção mais atraente? Apenas relaxar no sofá ou na cama jogando online? Parece bom, né?

A comodidade é o principal fator de atração dos jogos online. Alguns podem chamar esta comodidade de preguiça, outros, de relaxamento, fica ao seu encargo. Com a possibilidade de nos comunicarmos com outros jogadores, matamos dois pássaros com uma pedra só. Socializar e jogar se unem numa só atividade. É uma beleza!

eSports


eSports


Curiosamente, estima-se que o setor dos eSports valerá 1,5 bilhão de dólares até 2020, então eu não poderia deixar de mencioná-los.

 Jogos online, como League of Legends, Dota 2, Heroes of the Storm, CS:GO e muitos outros se tornaram um bom negócio para jogadores profissionais de eSports pelo mundo. O Campeonato Mundial de League of Legends de 2017 foi visto por 60 milhões de pessoas, um recorde.

O atrativo dos eSports e o seu crescimento como indústria fez com que mais jogadores se aventurassem online para participar. Calcula-se que a base mundial de jogadores de eSports em 2017 seja de mais de  200 milhões. Uma enorme parcela do número de jogadores online.  E a previsão é de que esse número aumente nos próximos anos. A inclusão dos eSports nos Jogos Asiáticos de 2022 como modalidade valendo medalha é também um reconhecimento da sua popularidade pelo Comitê Olímpico Internacional. O setor dos jogos online está maior do que nunca, mas parece que ainda há muito por vir.

Eu sei que pode soar estranho, mas grande parte dos jogadores do futuro não estão nos consoles e computadores tradicionais, estão nos Smartphones! Começamos a viver com uma geração de pessoas que está tendo o seu primeiro contato com a tecnologia através deles e já existem até alguns jogos competitivos neste universo.

Conforme essa indústria se desenvolve (e como a indústria de Smartphones se desenvolve!) a tendência é que mais e mais vezes tenhamos produtos de jogos neste segmento, alguns dos maiores sucesso da Google Play deste ano são feitos para jogar online contra outros jogadores e isso parece ser somente a ponta do iceberg.

Até a próxima!
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Os Apps mobile como conhecemos estão morrendo?

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sábado, 28 de outubro de 2017

Quando a Apple lançou seu primeiro smartphone em 2007, eles nem imaginavam o impacto que ele teria na indústria móvel. Além de ser o primeiro Smartphone da companhia, esse lançamento também marcou o nascimento do mercado de Apps de terceiros (que, ironicamente, não eram suportados oficialmente pelo dispositivo). Em 2008, tendo testemunhado o sucesso destes “Apps”, a Apple lança oficialmente a sua AppStore e partir daí começa a construir um dos braços dessa industria milionária que hoje o pessoal de Cupertino divide majoritariamente com a Google e o seu Android.

O futuro dos Apps Mobile







Avançando para 2017, nós temos lojas de aplicativos para todas plataformas, oferecendo inúmeros aplicativos para tudo e mais um pouco. Desde aplicativos de qualidade de vida, até de produtividade,  e coisas realmente inúteis, como um aplicativo de ventilador... 😑

As lojas de “apps” tornaram-se repletas à medida que cada vez mais os desenvolvedores de aplicativos tentam ganhar dinheiro com essa moda que emplacou nos últimos anos, Apps para TUDO.

Apesar dessa crescente, de acordo com a empresa de pesquisa “BI Intelligence”, “o boom dos aplicativos móveis acabou”. Hora vejamos... será mesmo? Se realmente for, então o que isso significa para o mercado dos aplicativos? Estarão os “Apps móveis morrendo?" Vamos observar alguns fatos.

O estudo da “BI Intelligence” declara que o volume médio de downloads dos top 15 desenvolvedores de aplicativos, tanto da plataforma da Apple, quanto na da Google, caiu 20% no último ano. Isso se deve a vários motivos aparentes, apesar de a teoria mais popular é a de as pessoas já não procuram aplicativos especializados e preferem escolher 1 aplicativo apenas que tenha várias funcionalidades, ao invés de 5 aplicativos que podem fazer o mesmo, mas com interfaces diferentes e as empresas (algumas ao menos) já sabem disso, veja o que o Facebook vem fazendo com Instagram, WhatsApp e o Messenger, tirando o Instagram que tem um propósito ligeiramente diferente, todos tem basicamente os mesmos recursos, fazendo com que, pelo menos em tese, você só precise de um deles se estiver em busca apenas de funcionalidades.

Um reflexo disso é que vejo cada vez menos pessoas falando em algo que estava na ponta da língua de todos há algum tempo atrás, o Snapchat. Agora o Instagram tem a cada dia mais recursos semelhantes e alguns até a mais, se compararmos. Tá percebendo? Quando as pessoas tiverem que escolher entre um e outro geralmente vão escolher o que tiver mais funcionalidades.

Para agravar esse problema, a experiência web é cada vez melhor e as pessoas conseguem acessar facilmente ao mesmo tipo de conteúdo em seus browsers, enquanto que antes tinham de usar um aplicativo para ter uma experiência confortável. Podemos até mencionar o próprio Facebook aqui como um dos exemplos, conheço muitas pessoas que passaram a acessar a rede do Smartphone através do Browser e não do App, fazendo com que se economize também um espaço na memória interna do aparelho, que já anda bem lotada na maior parte dos casos.

Esse aspecto é algo que a indústria dos cassinos móveis e websites como Casino.org abraçaram, com uma quantidade de jogos populares no mercado que podem ser acessados a partir do browser do seu celular, ultrapassando a necessidade de download e atualizações sem fim por parte do consumidor.

Adicionalmente, muitos dos aplicativos estão repletos de anúncios e, por isso, não é de admirar que as pessoas utilizem o seu browser quando necessitam de fazer algo rápido e eficientemente.

Curiosamente este aspecto de acessar conteúdo na nuvem também está relacionado com outra vertente, a qual não vou me aprofundar neste artigo, que é a dos Chromebooks. Por fim, o último "prego no caixão do mercado dos aplicativos", segundo a pesquisa, é o surgimento de novas plataformas como a tecnologia “wearable” e sem tela, que são dispositivos vestíveis, como Smartwatches e demais, cujos desenvolvedores se focam em simples e intuitivos (e muitas vezes incorporados) aplicativos com funcionalidades básicas e sem o incômodo de anúncios e notificações sem fim, até pela questão de conforto em lidar com este tipo de coisas em telas mínimas ou inexistentes.

Aplicativos vestíveis

Então é isso? Os aplicativos estão mesmo morrendo? No geral, eu diria que morrer é uma palavra muito forte, mas de fato o mercado está mudando. Faça uma reflexão aqui comigo e veja se você não se encaixa também.

Há alguns anos atrás (quando você comprou o seu primeiro Smartphone talvez) era comum você vasculhar e instalar Apps para simplesmente testar ou estender recursos do próprio software que vinha no aparelho. Quer um exemplo? Programas para fotografia.

Atualmente boa parte dos sistemas operacionais já carrega um App de câmera capaz de fazer pequenas edições nas imagens, aplicar filtros e realizar reparos, em alguns casos, quando o hardware permite, esses Apps te dão inclusive acesso ao ajuste manual para que a foto saia exatamente como você quer. Há não muito tempo atrás você iria precisar de Apps de terceiros para ter estes recursos. Hoje você baixa muito menos Apps, só instala o que você realmente gosta e precisa e costuma ser fiel a uma certa gama de Apps que você se acostumou a usar.

No meu caso, eu diria que o tipo de App que tem mais rodízio no meu Smartphone são games, os demais são os mesmos há muito tempo!

Apesar de o número de downloads ter atenuado no último ano (ou seja, não continuou a moda exponencial em que estava), o lucro dos aplicativos viu um aumento de 40% em 2016, indicando que "nem tudo está perdido" e indicando que a forma com que se ganha dinheiro com os aplicativos vem mudando também. Muitas vezes eles vão se tornar pontos de acesso para um serviço que vai ser a real fonte de lucro, como a Netflix por exemplo, que ganha dinheiro não com o App em si, mas com o serviço para o qual o App serve de ponte de interação.

O mundo dos aplicativos está passando por um renascimento, uma evolução. Entregar conteúdo único e principalmente não atrapalhar o usuário com anúncios e distrações, além de trazer funcionalidades realmente úteis parece ser o caminho mais saudável atualmente, além disso, fornecer uma interface simples e que não dependa tanto de atualizações para melhorias pode ser outro caminho interessante.

O que você acha? Você percebeu essa mudança na forma com que os Apps são tratados? Percebeu a mudança na forma com que você utiliza os aplicativos? Deixe seu comentário.

Até a próxima!

Fonte

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O que você ainda não entendeu sobre Linux

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domingo, 4 de junho de 2017

Existe uma grande confusão ainda sobre "o mundo Linux", como a gente chama, e que eu acho necessário desfazer, ou ao menos tentar desfazer. A maior parte de vocês entende que Linux é um Kernel, mas talvez não entendam o que isso realmente significa. O último vídeo do Diolinux Responde, o quadro de perguntas e respostas do canal, recebeu um comentário que me fez querer fazer este material.

Linus Torvalds



Como você pode ver, o comentário na verdade não tem nada demais, eu até concordo com o Thiago, que fez o comentário em alguns pontos, porém, quero aproveitar a forma com que ele colocou a sua opinião para explicar para você o que é Linux realmente.


A intenção por trás disso é fazer com que você entenda quem você deve cobrar num caso como este.

Eu vejo muitos comentários deste tipo por aí:

- Por que Linux não compatibiliza com os programas do Windows?

- Por que Linux não é compatível com programas da Adobe?

- Por que Linux não entra no mercado de celulares?

- Por que Linux não investe em interfaces convergentes?

- Por que Linux não faz drivers para a Razer?

- Por que Linux não faz uma assistente pessoal como a Cortana ou a Siri?

- Por que Linux não faz isso? Por que não cria aquilo?


Acho que deu pra você entender o ponto, será que é  por falta de vontade, competência ou dinheiro ou realmente tem algo mais? 

Será que você não está levantando este questionamento simplesmente pelo fato de você ainda não ter entendido o que realmente Linux é ou qual é a sua área de atuação?

Saber isso é importante, não para que você não cobre "o Linux" para ter as coisas que você queria, mas para que você cobre as pessoas e projetos certos.

Eu acho que uma forma simples de você entender é comparar sistemas operacionais com carros.
Como você já deve ter ouvido falar, Linux é um Kernel, o Kernel é uma parte de um sistema operacional que pode ser considerada o núcleo dele, é onde estão os drivers de dispositivos, é a parte do sistema operacional que faz com que os programas que você usa consigam acessar recursos de hardware, ele é o responsável por fazer com que a musica que você está executando em um player seja transmitida para as caixas de som do seu computador, e este é só um exemplo.

Podemos comparar o Kernel ao motor e a parte elétrica de um carro


O kernel seria um dos componentes principais do carro, no sentido de fazer ele andar, claro, e também seria responsável por fazer o computador de bordo do carro funcionar; quando você aperta um botão para ligar o ar condicionado, o Kernel faria com que ele ligasse.

É isso que o Linux é, um Kernel "apenas", diferente da Microsoft e da Apple que vendem o carro inteiro para você, e entenda como um carro o Windows e o outro carro o macOS, Linux é apenas o motor.

Você não deveria cobrar o fabricante do motor pelo carro não vir com airbag, pelo simples motivo do fabricante do motor não ser o cara que coloca airbag no carro, não é ele quem decide.

Microsoft e Apple tem o monopólico completo de seus sistemas operacionais, do Kernel aos ícones, então a empresa tem a capacidade de modificar absolutamente tudo o que quiser.

Já o Linux, bom... podemos resumir os objetivos de Linus Torvalds, criador do Kernel e líder mantenedor atualmente, juntamente com a sua equipe, em apenas 3 coisas a cada lançamento.

- Otimização

- Limpeza de código antigo (que não deixa de ser otimização)

- Suporte a novos hardwares


Um carro completo, que use o motor Linux é chamado de distribuição, o Android, o Ubuntu, o Debian, o Red Hat, o SUSE são exemplos de carros que usam o motor Linux.

Se o que você deseja é um recurso gráfico, uma ferramenta para o desktop, você deve cobrar os projetos que realizam esse tipo de coisa. Se você quer uma assistente pessoal, cobre as distros e não o Kernel.

Talvez associar o Kernel Linux como o motor e o carro completo como uma distro que usa componentes de vários outros fabricantes independentes faça você entender que uma distro Linux é normalmente criada de forma segmentada. O pneus vem de um fabricante, o volante vem de outro, a transmissão vem de outro, os bancos vem de outro, a carenagem vem de outro, etc...

Então se você quer um recurso novo para o volante do seu carro, além de cobrar a distro, você pode cobrar o fabricante do voltante em si.

Exemplo: Você quer que o leitor de PDF da sua distro tenha suporte a edição de PDF também, você pode cobrar a distro que empacota este software para encontrar uma solução para o problema, ou pode cobrar diretamente a comunidade ou empresa que desenvolve o leitor de PDF.

Uma vez entendida a situação, isso nos leva a outro ponto. Que é a cobrança.

Cobrança

Eu falei muito em cobrar, mas acho que é preciso fazer algumas considerações sobre o assunto.

O que significa "cobrar", do meu ponto de vista, se você quer algo de diferente, vá e entre em contato com os desenvolvedores, ou ao menos tente. Entre no site do projeto, mande e-mails, procure descobrir quem trabalha nele e procure contatos no Linkedin, no Facebook, em blogs pessoais, em fim, quando você realmente quer ajudar a melhorar você provavelmente vai encontrar um jeito. Isso pode até fazer com que você crie uma nova e boa network de contatos.

Outra consideração importante a se fazer é que você tenha a noção de que a maior parte destes projetos é tocada por voluntários e doações, o Debian, o Ubuntu, o Mint, acredito que eles nunca tenham te cobrado para que você pudesse baixar o sistema operacional deles, mesmo que sejam poucos dólares ou reais, você sempre pode baixá-los gratuitamente e pode desfrutar de seus recursos e segurança.

Aí eu vi em algum comentário alguém dizendo que "não é porque alguém nos oferece merda de graça que a gente tem que aceitar".

Não com certeza, não, até porque não é nem uma comparação coerente, especialmente porque ninguém está te obrigando a utilizar nada, se não está do seu agrado, se está ruim, você sempre terá a liberdade de experimentar outra coisa e mudar.

Eu apenas acho que é bom ter a compreensão de como as coisas funcionam, aprender a se colocar no lugar dos outros é um ótimo exercício, e não digo apenas no mundo Linux.

Pegue o seu emprego como exemplo, você trabalharia de graça ou sem saber exatamente quanto vai receber apenas para ajudar as pessoas? É uma pergunta que requer um pouco de reflexão sem dúvida, e eu não vou fechar esse ponto aqui, então você pode usar os comentários para responder se quiser.

Por mais altruísta que você possa ser, acima de tudo você é um indivíduo com necessidades próprias, e nada é de graça. 

Se você tiraria um pouco do seu tempo para criar algo e dar de graça para pessoas eu não sei dizer, mas é exatamente isso que muitas das comunidades Linux fazem, acho que é algo para se pensar... não utilize isso que eu falei como argumento para não cobrar, mas use para cobrar de uma forma mais educada quem sabe, não esqueça que essas pessoas que fazem os programas que você usa, cada um deles, cada ícone, também SÃO PESSOAS como você, com seus próprios problemas e afazeres e muitas vezes fizeram esse programa indispensável para sua vida tirando dinheiro do próprio bolso, ou usando o seu tempo livre, que pra mim é praticamente a mesma coisa.

O que nos leva a outro ponto pra finalizar, não faz sentido você ser contra as pessoas ganharem dinheiro fazendo o que gostam e ajudando outras pessoas. Acho que inconscientemente a gente tem a noção de que quando estamos ajudando não podemos cobrar por isso, mas cobrar uma quantia justa pode ajudar a tornar aquele produto ou serviço ainda melhor e ainda assim a um preço acessível e ajudar ainda mais pessoas e de forma melhor, incluindo quem desenvolve que pode melhorar de vida.

Você provavelmente não acha que seria pagar muito, pagar digamos, uns 10 reais pela distribuição que você mais gosta, muitos talvez até topariam pagar muito mais que isso, mas é muito provável que você nunca tenha doado nem se quer 1 real para o projeto que você cobra de que existam funcionalidades. 

Não é uma desculpa, é uma questão de lógica, você já deve ter ouvido a famosa frase, "não existe almoço grátis", é bem por aí. Claro que essa não é a única forma de ajudar, financeiramente, você pode ajudar simplesmente divulgando também

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Edição de vídeo com Blender, uma ferramenta poderosa e pouco explorada!

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quarta-feira, 3 de maio de 2017

O Blender 3D é uma ferramenta extremamente poderosa e gratuita que você pode utilizar no Windows, no Linux e no macOS, um de seus vastos recursos é a edição e a composição de vídeo, vamos falar um pouco sobre isso.

Blender para edição de vídeo



O texto à seguir foi escrito pelo nosso professor do Diolinux EAD, Júlio César Fernandes Neto, confira:

Olá. É a primeira vez que escrevo para o blog Diolinux, então agradeço ao Dionatan pela oportunidade de conversar com vocês sobre edição de vídeo com Blender.

Nos segmentos dominados por soluções proprietárias, o uso de pirataria se amonta. Mas o uso de pirataria frequentemente é uma tentativa de se manter na zona de conforto. Não há problema algum se você prefere as soluções proprietárias, cada um possui as próprias necessidades. Mas por que não expandir o espectro de alternativas?

A dominância de mercado não possui relação linear com a qualidade de um produto. Sendo assim, muitas pessoas tardam a buscar alternativas que podem lhes livrar de um custo financeiro, ou das dores de cabeça da pirataria.

Confira também: Blender Velvets para edição de vídeo.

Eu produzo vídeos para o YouTube, a série chamada Cosmos de Carlos Sagaz (uma homenagem em forma de paródia para Cosmos, de Carl Sagan). Eu usava o pacote Adobe, mas estava disposto a substituir todas as minhas soluções por alternativas gratuitas, especialmente após o After Effects ter apresentado uma falha que quase deitou a perder cenas nas quais eu já havia investido muito tempo. 

Para minha imensa surpresa, surgiu o Blender.

Blender é um programa de manipulação 3D, e é muito poderoso. A Blender Foundation de tempos em tempos lança curta-metragens feitos com Blender, claro. Um exemplo muito bacana é o curta Sintel, que está disponível no YouTube. Não apenas no YouTube, pois você pode baixar todo o projeto 3D usado, e estudá-lo. Atualmente está em produção o filme Agent 327, o plano é lançá-lo como um longa-metragem nos cinemas.


Blender não é apenas - como se isso fosse pouco - um manipulador 3D. Ele também possui um compositor de vídeo. Isso significa que ele tem potencial no mínimo parelho ao After Effects. Mas há um detalhe adicional muito relevante. After Effects é um compositor 2D, com alguma capacidade 3D. Blender é nativamente 3D, isso significa que ele faz o que a solução da Adobe não faz.

Além de composição, o Blender também possui um editor de vídeo, que é meu ponto neste artigo. O compositor tem por finalidade a criação de efeitos digitais sofisticados, enquanto a premissa de um editor é simplesmente criar uma sequência temporal para o vídeo (inclusive importando as cenas feitas no compositor), adicionar transições e efeitos que sejam simples o bastante para não exigir um compositor. O editor de vídeo do Blender apresenta RGB parade e outros tipos de gráficos que nos ajudam muito a controlar cor e contraste. Também é possível adicionar máscaras e efeitos animados via keyframes e camadas de ajuste, apenas para exemplificar alguns atributos presentes no Blender que são considerados avançados. Sem falar as meta strips, que possuem fim semelhante às Sequences no Premiere.

Montei acampamento no compositor do Blender por ele ter idiossincrasias que me agradaram muito, como os atalhos nativos e a maleabilidade da linha de tempo. Também fiquei surpreso com a estabilidade do programa, coisa que não senti em minha experiência com Kdenlive.

Há uma série de fatores, subjetivos e objetivos, que nos fazem escolher tal ou qual solução. Deixo então, como palavras finais neste artigo, um convite para que experimentem o Blender como seu editor de vídeo e, quiçá, como seu manipulador 3D.

E se você está pensando: "Poxa, seria bacana um curso sobre isso!" Bom, você não perde por esperar, fique ligado no blog e no canal Diolinux nos próximos dias.

Até a próxima!
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Mark Shuttleworth dá mais detalhes sobre o Gnome no Ubuntu 18.04 LTS e critica os críticos

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domingo, 9 de abril de 2017

Logo depois do anúncio feito por Mark Shuttlworth de que o Unity estava sendo descontinuado pela Canonical, tanto o Unity 8, quando o 7, assim como o Ubuntu para Smartphones e Tablets, a comunidade Ubuntu começou a debater o assunto, especialmente sobre a volta do Gnome, em sua conta no Google Plus ele conversou com os usuários do Ubuntu e explicou os motivos que o levaram a isso e o que podemos esperar do Ubuntu 18.04 LTS e versões futuras.

Mark Shuttleworth - Canonical Ubuntu




Um dos pontos que eu tinha levantado em um post recente era se o Ubuntu 18.04 LTS que foi prometido com a interface Gnome realmente iria trazer um Gnome Shell puro, semelhante ao que o Ubuntu Gnome atual nos traz ou se iria implementar novas funcionalidades ou até mesmo entregar um shell diferente para o Gnome.

Eu disse que caso isso acontecesse realmente - entregar o GNome puro - seria uma forma da Canonical dizer que o Desktop ficou em segundo plano e que as implementações para facilidade do usuário comum de desktop ficariam à cargo do Gnome mesmo, isso pra mim significa, mais do que uma troca de interface, a morte de um objetivo, que é um Desktop mais fácil por parte da Canonical, uma vez que este trabalho seria delegado.

Lendo os argumentos e comentários de Mark Shuttleworth eu consegui perceber várias coisas e tirar algumas dúvidas aparentes e é isso que vou compartilhar com você. Já quero adiantar que enquanto eu lia os comentários dele eu pensava: "Realmente concordo com tudo, mas não deixa de ser uma pena."

O fim do Ubuntu como o conhecemos?


O Ubuntu 18.04 LTS voltará ao Gnome, voltará ao Gnome Shell e será exatamente como o Ubuntu Gnome atual, ou seja, a Canonical de certa forma irá prover apenas o "back end" do sistema, sendo que toda a interação com o usuário ficará ao encargo do Gnome Destkop Enviroment, para obem ou para o mal. Como Mark comentou, a futura LTS do Ubuntu será "All Gnome".

Ele comentou que a intenção é apoiar mais fortemente o projeto Ubuntu Gnome e não criar nada que compita com qualquer outro ambiente ou no caso, com o Gnome puro, ele pareceu estar muito cansado de tentar criar algo diferente e ser criticado, e acabou falando mais sob estes temas.

Gnome e KDE poderiam ter participado ativamente do projeto de convergência


Apesar do Gnome voltar a ser o padrão, Mark disse esperar que a equipe de desenvolvimento da DE leve em consideração algumas ideias criadas para o Unity. Ele deu a entender algo que eu nunca tinha ficado sabendo e que nem tinha ouvido falar.

Segundo seus comentários, antes de iniciar o projeto de convergência com o Unity 8, ele teria procurado desenvolvedores do Gnome e KDE para trazer esta ideia de convergência onde poderiam trabalhar juntos, nos dois projetos eles disse que foi "grosseiramente rejeitado", ou seja, ele queria inicialmente trabalhar com uma destas interfaces para trazer o Desktop convergente para as distros GNU/Linux, mas não houve diálogos muito grandes, segundo ele.

No caso do Gnome a Red Hat mesmo deu a entender algo como: "Quem é você para dizer o que o Gnome tem que ser sendo que você não está colaborando com código", Mark comentou que achava até justa a posição, apesar de grosseira, e no caso do KDE, disse que não houve avanço neste sentido por conta do "medo" do líder do projeto na época que não parecia ser uma pessoa segura o suficiente para entender um projeto desta magnitude.  Claro, não sabemos realmente o que aconteceu, mas eu realmente não sabia que havia acontecido essa tentativa, o que me faz pensar no que aconteceria se um deles estivesse à favor, talvez o Ubuntu tivesse abandonado o Unity muito antes e adotado Gnome ou KDE Plasma, mas como isso não aconteceu, a Canonical resolveu bancar e levar o projeto sozinha até onde foi possível.

O que posso dizer? Independente do que aconteceu, admiro pessoas que batem no peito e realizam as coisas, admiro muito mais do que as que só falam e, literalmente, "cagam" regras.

Para aqueles que amam o Unity 7


Com um corte de praticamente metade dos funcionários, o Unity 7 como o conhecemos será mantido no repositório "universe" provavelmente, pelas informações de Mark, a Canonical não iria mais tocar o projeto, mas como qualquer outro projeto de código aberto, as pessoas interessadas estão convidadas a trabalhar sob ele e aprimorá-lo.

Isso significa que se você gosta do Unity 7 poderá utilizá-lo no Ubuntu 18.04 LTS, mas terá de instalá-lo por conta própria pois, pelo menos por enquanto, devido a notícia ser recente também, não existe qualquer iniciativa de criar um flavor oficial do Ubuntu com Unity.

O Mir não será utilizado no ambiente Gnome, mas a empresa pretende manter ele em desenvolvimento discreto, visto que ele já é muito bem utilizado em diversos projetos de Internet das Coisas, onde funciona muito bem, assim como os Snaps, que são uma forma muito simples e funcional de distribuição de software.

Problemas com a comunidade, especialmente os defensores de Software Livre


Essa é uma parte que eu me identifiquei pensando, "você não está sozinho", claro, guardadas as devidas proporções.

O ódio que o Ubuntu gerou dentro da comunidade de Software Livre é algo que ele disse que não entendia. Quando ele tentou criar uma nova interface marcante - que atingiu seu objetivo, diga-se de passagem, para o bem ou para o mal, o Ubuntu foi amplamente reconhecido visualmente por conta do Unity - criou um servidor gráfico novo (Mir), criou novos formatos de pacotes a comunidade ficou furiosa.

"Eu tentei criar coisas novas, coisas boas e as dei para comunidade totalmente de coração e código aberto sem custo algum e fui recebido com crítica imensas!

O conjunto de 'festa do ódio' em relação ao Mir confundia a minha mente, o Mir é um software livre e que faz algo que é invisível para o usuário muito bem. Mas as discussões em torno dele se tornaram tão irracionais quanto brigas políticas ou por mudanças climáticas, onde estar de um lado significaria obrigatoriamente ser contra qualquer outra iniciativa livre fazendo mais parecer que as pessoas tinham que escolher um lado e ser leal a ele sem entender que todos os projetos de código aberto podem trabalhar e aprender juntos.

Existe um grande problema na comunidade de Software Livre quando você percebe que existem membros que preferem odiar outras pessoas que trabalham muitas vezes com as mesmas coisas e objetivos, pessoas que escolhem odiar a amar o que alguém que se importa o suficiente para levar o seu trabalho como o sentido de sua vida e torná-lo disponível gratuitamente no intuito de levar a tecnologia para todos.

Todo esse ódio que aguentamos nos últimos anos, especialmente sobre o Mir, fez com que eu mudasse a minha opinião sobre a comunidade de Software Livre, questionando o que a palavra 'comunidade' significa para essas pessoas.

Eu costumava pensar que era um privilegio poder servir as pessoas que adoravam tanto quanto eu o que era servido, mas agora acho que muitos membros da comunidade de Software Livre são apenas pessoas anti-sociais que amam odiar o que é mainstream. Quando o Windows era mais popular do que qualquer outra distro Linux as pessoas focavam seu ódio nele, racionalmente, o Windows faz muitas coisas bem e merece o respeito por aqueles que o odeiam simplesmente por não estar no lado que eles mais gostam."

Eu mesmo não consegui entender pessoas comemorando o fim de um projeto como o do Ubuntu Phone ou o Unity, comemorando o fracasso de uma empresa que investiu em software livre deste a sua criação como se fosse um inimigo caindo.

Provavelmente são pessoas que nunca tentaram fazer algo desde tamanho devido ao seu pensamento estreito. O código pode ser aberta, mas a mente nem tanto.

Pessoas dizendo que "agora sim poderiam considerar usar o Ubuntu", apenas porque o Gnome voltaria a ser a interface padrão, como se o Ubuntu Gnome não existisse desde 2013 e o Gnome Shell pudesse ser instalado nele desde SEMPRE. Hipocrisia? Me diga você.

Quem precisa se preocupar com Microsoft e Apple quando a própria comunidade consegue ser mais tóxica do que qualquer manobra de mercado de uma das gigantes da tecnologia?

Alguns usuários de Linux (ops, GNU/Linux), gostam realmente de se sentir no clubinho dos especiais, talvez ele até realmente sejam, mas não da forma com que imaginam, if you know what i mean.

"Quando o Ubuntu se tornou Mainstream o foco do ódio mudou um pouco e recaiu sobre nós com muito mais força do que qualquer um gostaria, quando a Canonical se tornou mainstream o  ódio irracional recaiu sobre nossos projetos. Eu vi os mesmos "muppets" que reclamavam da dualidade de mercado que Android e iOS possuíam dizendo que eles precisam de uma concorrência e em seguida dizerem o quão terrível foi a Canonical estar investindo neste mercado (usando software livre!), então foda-se essa merda."

E este foi o desabafo feito por ele, só queria dizer que eu realmente entendo o que se passa. Com toda a modéstia que me cabe e toda a que você conseguir interpretar perante um texto, acredito que a maioria dos queridos leitores e leitoras não consiga imaginar o que significar estar "no mainstream", popularidade tem dois lados, um bom e um ruim e é preciso ter cabeça fria para lidar com críticas estúpidas, mas cansa, ô se cansa, por vezes você se pega perguntando até onde pode chegar a estupidez de julgamento de pessoas que nunca nem se quer te viram pessoalmente.

Pegando carona no depoimento de Mark Shuttleworth, eu sei o que significa tentar empreender sem apoio, sei o que é ver os ditos "líderes das comunidades" simplesmente não entenderem o que você está fazendo e te acusarem de todo o tipo de atrocidades, ainda que em sentido prático, é possível que tenhamos feito mais coisas boas paras as pessoas que eles mesmos.

Esquecem que gostamos e defendemos as mesmas coisas, talvez de formas diferentes, mas para algumas pessoas realmente "pensar diferente" significa inimizade, ódio, ser um adversário a ser combatido, mais do que qualquer outra pessoa que realmente tem ideias contrárias e sabe se lá o que mais. Isso me lembra mais intolerância religiosa do que programas de computador.

Mark deu a entender que o objetivo da Canonical é entregar o melhor software que for possível dentro do mercado onde eles são mais fortes e além disso, com o tempo abrir o capital da empresa para investidores e por isso projetos como o Unity que ainda não deram lucro não poderiam estar presentes e servir de argumento para convencer investidores a trabalhar com eles, por isso do corte de custos e do foco.

O Ubuntu acaba se tornando mais um "Fedora .deb", como eu vi um de vocês comentarem no nosso grupo no Facebook, e com objetivos semelhantes inclusive.

Mark parece estar simplesmente cansado de ter que lidar com pessoas que nunca foram além do seu mundo especial. Assim como um certo alguém que eu conheço.

O texto dele (e o meu) tem muitas generalizações, então certamente não são todos que se encaixam nestes parâmetros, falando por mim pelo menos, posso dizer que me sinto privilegiado de ter construído um público mais tolerante, compreensivo e otimista, que pensa de forma prática e objetiva, que compartilha do meu sentimento de poder levar tecnologia (de qualquer tipo) de forma acessível para quem estiver interessado, se não fosse por vocês eu já teria desistido. Por sorte eu amo o que faço.

Então, para o pesar de alguns "Xaatos", até a próxima! ;)
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Deepin - Distros Linux da China e como elas podem se dar bem no ocidente

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quinta-feira, 16 de março de 2017

O mercado chinês é diferente, não há contestação. Ele é diferente para os consumidores, ele é diferente para os empreendedores, para empresas que queiram disponibilizar os seus serviços por lá, é, a China é diferente! Vamos conversar um pouco sobre a "forma chinesa" para criar soluções na tecnologia, especialmente desktop, especialmente baseados em Linux.

Tecnologia Chinesa




Não há como negar que a rigidez política para produtos e empresas estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, acaba por gerar um mercado diferente dentro da China. Empresas como Apple, Microsoft, Google, Facebook e tantos outros gigantes da tecnologia não são impedidos de operar no país, mas uma série de leis e burocracias faz com que a sua operação seja muito mais complicada e sumariamente desestimulada e limitada.

Isso em parte vem da vontade do Governo Chinês de ser independente tecnologicamente, não posso culpa-los por isso, acho até que há um aspecto positivo no meio dos abusos cometidos para que isso ocorra, o grande problema é realmente o motivo pelo qual a China quer deter a sua tecnologia. Mas com a minha intenção não é falar de política e de como o Governo chinês age por lá, então, deixamos isso para outra oportunidade.

O engraçado é que apesar de "não ir com a cara" das empresas do ocidente, fica muito claro ao observar os produtos de fabricação chinesa o quanto eles são inspirados em soluções da Apple, da Microsoft e da Google, claro, com a sua própria pegada.

Apesar da China não ter tanto interesse em importar tecnologia, o contrário não é verdadeiro, muitas empresas gigantes de tecnologia produzem seus componentes lá, especialmente pelo baixo custo que isso gera e também por conta dos grandes centros de tecnologia, além disso, empresas Chinesas como a Xiaomi, Alibaba, Baidu, Huawai, Lenovo, Asus, Acer, etc, marcaram o seu nome do mercado ocidental (para o bem ou para mal) de forma irreversível, tornando-se multinacionais de sucesso. Influenciando também as produtoras de tecnologia do ocidente a ponto de ficar difícil de dizer "quem copia quem" hoje em dia.

Ainda assim, mesmo para as empresas chinesas, apresentar soluções para o público chinês e para o público ocidental é diferente, os produtos tem características, especialmente visuais eu diria, diferentes, e principalmente me parece valer uma regra: "Não precisa revolucionar se for bom, o objetivo não é reinventar a roda, é polir ela e dar aos consumidores o que eles querem."

Aí que entram as distros Linux da China


O próprio governo chinês possui uma distribuição oficial com leves inspirações nas versões mais antigas do macOS da Apple, isso falando visualmente, contudo, ainda que ela seja a "distro oficial do país", estatísticas mostram que tirando órgãos que são controlados diretamente pelo governo, são poucos os usuários que aderiram a ele.

Sabemos que o governo chinês tem um forma muita abrupta de dizer para as pessoas o que elas podem ou não acessar e há vários relatos de que há um monitoramento constante, por isso, sistemas de código aberto, onde é possível observar à partir do código fonte se existem backdoors deixados propositalmente fazem sucesso, especialmente do público especializado ainda que boa parte dos usuários chineses continuem utilizando Windows XP. O rastreamento pode ocorrer de diversas formas diferentes e não precisa estar atrelado ao sistema operacional, mas digamos que seja uma preocupação a menos, caso você possa ver o código.

Além do Linux ser um atrativo, outra característica que as distros chinesas tem são as suas interfaces que agregaram valores de vários sistemas diferentes, sendo eles proprietários ou não, dois ótimos exemplos que podemos comentar são o Ubuntu Kylin com a sua UKUI, lembrando a usabilidade do Windows, e o Deepin, que tem uma interface "que morfa" (igual os Power Rangers), e pode lembrar tanto o macOS, quanto o Windows.



O interessante das distribuições da China, é que você pode até dizer que falta originalidade em algumas coisas, mas se tem uma coisa que elas fazem bem é solucionar problemas. Querendo ou não, a "falta de medo" de criar ou reimaginar algo que já existe acaba lapidando os conceitos à cerca da experiência de usuário.

O Deepin é um ótimo exemplo: 

"- Será que os usuários preferem um visual Windows ou macOS, ou algo completamente diferente?" 
" - Não sei, coloca os dois!"

Você pode observar o comportamento de resolução de problemas sem medo de mudar do Deepin em vários aspectos ao longo da vida da distro, ela já teve várias interfaces diferentes até decidir criar uma própria, já foi baseada no Ubuntu, hoje é no Debian, já teve lançamentos periódicos, hoje é Rolling Release, já usou ícones extremamente coloridos (muito populares na China), hoje dá a opção de ícones flat também, seguindo um design mais "tradicional" dos dias atuais.

Os usuários querem programas de forma fácil?

Que tal pegar todos os pacotes e colocar tudo em um repositório só? Feito. O Repositório do Deepin é tão rico de aplicações úteis como o AUR do Arch e os PPAs do Ubuntu juntos e ainda é compatível com pacotes .deb, tudo isso em uma interface onde você simplesmente tem que clicar, nada mais.

Realmente, eles não tem vergonha de repetir e reimaginar o que já deu certo, o resultado disso é uma empresa crescente na China e um sistema que começa a chamar atenção fora dela.

Longe do Deepin ser perfeito ou o ideal para você, ou mesmo o Ubuntu Kylin, mas o que chama a atenção é que a produção de tecnologia chinesa já está a sua volta e talvez você ainda não tenha percebido, computadores e componentes da Asus, Acer, Lenovo? Todos chineses.

A postura das distribuições da China de atender ao público sem se preocupar com o "olha, eles estão copiando isso ou aquilo", acaba por trazer (talvez) exatamente o que o público (ou a maior parte dele) deseja, facilidade e beleza. O que dizer do WPS Office?

Acho cedo ainda pra dizer que o Deepin é A DISTRO para desktop, mas eles estão no caminho e vale a pena ficar de olho.
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