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Canonical anuncia que o Ubuntu 18.04 LTS usará o X.org por padrão

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Muitas pessoas pediram pra que eu comentasse esse assunto nos últimos dias. Por conta da minha participação na Campus Party 11, em São Paulo, eu acabei ficando sem tanto tempo pra escrever aqui no blog e os vídeos da semana do canal já tinham sido agendados. Agora que eu consegui um tempinho, vamos dissertar sobre essa questão do Ubuntu 18.04 LTS voltar ao X.org.

Ubuntu 18.04 LTS X.org






O próximo lançamento do Ubuntu será feito em Abril, esta será uma versão especial pois será a primeira LTS a voltar ao GNOME Shell como interface e, como toda a LTS, terá um suporte estendido de 5 anos.

Só para confirmar a minha qualidade de "palpiteiro", eu comentei exatamente sobre essa questão do Ubuntu 18.04 LTS utilizar o X.org ao invés do Wayland em uma das lives do canal no início deste ano, de modo que essa mudança me pareceu normal. Surpresa para mim seria eles manterem o Wayland.

No dia 7 de Janeiro, juntamente com outros youtubers e canais, estávamos comentando sobre o que era esperado para 2018 no mundo Linux e falamos justamente sobre esse assunto X.org vs Wayland. A minha projeção sobre o assunto acontece aos 11 minutos e 20 segundos e vai até 12 minutos e 41 segundos.


A live em si durou mais de duas horas, se você quiser assistir a um compacto de 20 minutos clique aqui.

Pra não ficar só no "eu disse..."


Acho que vale a pena comentar os motivos disso acontecer. Versões LTS do Ubuntu são voltadas para os clientes da Canonical. Essas versões com longo tempo de suporte são as que as empresas e instituições geralmente implementam em seus parques, justamente por não precisar reinstalar o sistema por completo durante um longo período e ainda receber as atualizações de segurança e correções de bugs normalmente.

Essa versão costuma ser a mais estável dos lançamentos do Ubuntu, com pacotes mais testados. Para ser ter uma ideia, as versões LTS do Ubuntu são baseadas em Snapshots dos pacotes do Debian Testing, enquanto a versões intermediárias, como a 17.10 e a futura 18.10, usam pacotes da vertente Unstable do Debian.

Só com essas informações você já deve estar deduzindo o que aconteceu. 

Apesar do Wayland já ser funcional para muitas coisas, ele ainda não consegue ser plenamente funcional em todas as circunstâncias, seja isso um ônus sobre o projeto ou não, visto que por exemplo, o suporte para drivers de vídeo proprietários ainda é precário.

Já imaginou instalar o novo (e brilhante) Ubuntu 18.04 LTS Bionic Beaver na sua (mais brilhante ainda) GTX 1080 Ti e ela não funcionar por conta do Wayland?

É exatamente este tipo de situação que a Canonical quer evitar. O X.org, apesar de precisar de um sucessor, ainda é "um senhor" muito eficaz no que se propõe a fazer e muito estável, logo, é de se esperar que ele seja o padrão na versão que quer entregar estabilidade e funcionalidade, onde a GTX 1080 Ti vai funcionar com toda a sua potência.

Versões intermediárias são de testes!


Bote isso na sua cabeça para não confundir. As versões intermediárias do Ubuntu são aquelas onde as novas tecnologias são testadas, como o Wayland padrão no 17.10.

Versões intermediárias são onde novas formas de fazer as coisas e novos pacotes são colocados em contato com o público. Desse "bolo" todo, o que realmente funcionar vai incorporar as próximas LTS. 

No 17.10 com o Wayland como padrão do Ubuntu, chegaram a conclusão de que é melhor, por questão de estabilidade e principalmente compatibilidade, ficar com X.org.

Mas eu não culpo você por se confundir, a Canonical costuma anunciar as versões intermediárias como "versões estáveis" para o público. O que eu humildemente discordo.

Muitas vezes elas são estáveis, mas ainda assim são muito menos do que as versões LTS. Na minha opinião a Canonical deveria fazer o que outras distros famosas que baseiam no Ubuntu já fazem. 

O sistema "atual" é o LTS, como fazem Linux Mint e elementary OS que mantém todo seu ciclo de desenvolvimento sobre essa vertente.

As ISOs intermediárias poderiam ser lançadas da mesma forma que são hoje (na verdade existem até construções diárias dessas ISOs) para que as pessoas interessadas em ajudar a reportar bugs possam testar os alphas e betas do Ubuntu.

Seria algo como:

྾ 17.04 -. 18.04 Alpha
྾ 17.10 -> 18.04 Beta
྾ 18.04 LTS - Versão final

Talvez isso colocasse a ideia geral para o público. Conta aí nos comentários o que você acha sobre isso.

Wayland não morreu


O Wayland não "morreu" só porque a LTS do Ubuntu não vai usá-lo como padrão, aliás, muito provavelmente ele estará lá na tela de login como opção para quem quiser usar. 

Notícias como estas fazem que a "galera da conspiração" comece a fazer o seu trabalho. Vi alguns comentando algo como: "O Wayland não deu certo", "Wayland foi abandonado", etc, etc.

Você pode acompanhar o desenvolvimento do Wayland e ter informações sobre o seu estágio atual e desenvolvimento pelo próprio site oficial do projeto, de modo que você pode deixar de se basear em "achismos" alheios e ver o que realmente está acontecendo pelos seus próprios olhos.

Além disso, o Ubuntu não é a única distro que está testando o Wayland, e pra falar a verdade, a galera da "Ilha de Man" chegou até atrasada. O projeto Fedora vem testando Wayland como padrão há muito tempo já, mesmo que a Canonical deixasse de usar ele, muita gente ainda está lidando com essa ferramenta. As coisas vão bem além do Ubuntu, apesar de ele ser um dos "players" mais importantes para o mercado.

Assim como eu chutei corretamente a volta do 18.04 LTS para o X.org, vou me dar a oportunidade de dizer que é muito provável que no 18.10 o Wayland volte como padrão e o X.org vire a alternativa novamente. Sabe por quê? Porque as versões intermediárias são de testes e nada melhor do que testar o Wayland exaustivamente antes de colocá-lo como padrão em uma LTS. Esse jogo de "vai e vem" com Wayland e X.org entre LTS e versões "normais" do Ubuntu deve continuar até que o Wayland consiga ser o padrão definitivo.

Até a próxima!
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Canonical confirma: Ubuntu 17.10 virá COM Wayland como servidor gráfico padrão

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Por um momento eu pensei estar lendo o anúncio errado... pois há 20 dias atrás, mais ou menos, os desenvolvedores publicaram um artigo dizendo que estavam em dúvida sobre isso porque o Wayland não estava "funcional o suficiente" ainda, dizendo que iriam optar por deixá-lo como uma sessão alternativa que o usuário pudesse escolher testar no Ubuntu. Bom, eles mudaram de ideia.

Ubuntu 17.10 Wayland




Os desenvolvedores do Ubuntu anunciaram a decisão final sobre o Wayland fazer parte ou não do Ubuntu 17.10 como padrão. E o que foi decidido é que sim, o Wayland será o padrão e o X será a sessão alternativa.

O motivo da mudança


O objetivo da Canonical é usar o Wayland na futura LTS de 2018, as versões LTS do Ubuntu são largamento utilizadas pelos clientes da empresa, além é claro, dos usuários comuns, e isso significa que por ser esta uma versão de longo prazo de suporte, ela deve estar o mais debugada possível.

Por conta disso, os desenvolvedores surpreenderam o público dizendo que vão utilizar o Wayland como padrão justamente para ter um maior feedback para o Ubuntu 18.04 LTS.

Deixa eu ver se entendi...

Certo, deixa eu ver se entendi...

As versões intermediárias do Ubuntu nunca foram sinônimo de estabilidade, afinal, são as ISOs onde a Canonical costuma testar as novas tecnologias que vão vir nas LTS do sistema, então é natural esperar este tipo de medida, onde "coisas experimentais aparecem", porém, o Wayland é algo que as pessoas sabem que ainda não está plenamente funcional, ele não se dá bem com placas Nvidia e vários programas apresentam problemas ao serem executados junto a ele.

A medida, de fato, é interessante para colher dados para a versão LTS, e entender onde o Wayland ainda não funciona direito, fazendo com que o desenvolvimento e evolução dele também seja mais rápido, o que é uma coisa boa.

Podemos chamar o Ubuntu 17.10 de (quase que literalmente) uma versão "beta" do 18.04 que sai em Abril do próximo ano. Bugs acontecem em todos os sistemas, isso nós sabemos, mas essa é a primeira vez que eu vejo o que seria uma "release final" do Ubuntu ser lançada "bugada" de propósito para os desenvolvedores medirem o tamanho no problema.

É engraçado, mas faz sentido. É claro que quem tiver placas Nvidia ou enfrentar problemas com o Wayland poderá mudar para o tradicional (senhor idoso) X.org diretamente da tela de login, fazendo do sistema algo mais estável em alguns aspectos.

Teremos muitas novidades na versão de Outubro do Ubuntu e será uma versão para testadores, claramente. Ao menos, com todas as mudanças que ocorreram neste ano, os desenvolvedores estão preocupados em fazer uma LTS mais aprimorada. Pessoas que dependem do sistema para trabalho e precisam de algo funcional, estável e testado, devem manter-se no Ubuntu 16.04 LTS.

Apesar de controverso, não há como negar que é uma forma eficiente de conseguir novos testadores, só fico preocupado com os usuários que vão testar o Ubuntu pela primeira vez e vão encontrar um sistema com vários problemas a serem corrigidos. A primeira impressão é a que fica, como dizem.

Ainda não formei por completo a minha opinião sobre o assunto, mas eu gostaria de ouvir a sua, então por favor comente o que você acha da decisão através da sessão de comentários logo mais abaixo.

Até a próxima!

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Desenvolvedores do Ubuntu estão em dúvida sobre o Wayland

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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Até pouco tempo os desenvolvedores do Ubuntu estavam dando a entender que o Wayland seria o servidor gráfico padrão da distro, que agora carregará o GNOME Shell como interface padrão, da mesma forma que o Fedora, mas agora eles não estão mais tão seguros disso.

Wayland no Ubuntu




A pretensão inicial era trazer o Wayland como padrão já no Ubuntu 17.10 que sai em Outubro deste ano, esta seria a única forma de poder ir trabalhando em cima dele para poder colocá-lo no lugar no X na próxima LTS de 2018, o Ubuntu 18.04.

É possível que o Ubuntu 17.10 ainda venha com o Wayland como uma sessão alternativa que poderá ser escolhida na tela de login, entretanto, o padrão deverá ser mesmo o tradicional X.org.

Os desenvolvedores Will Cooke e Didier Roche comentaram sobre o caso, dizendo que acreditam que de fato o Wayland ainda não está pronto e que eles não poderiam simplesmente colocar a tecnologia como padrão e "cruzar os braços". O Ubuntu tem uma margem de usuários que varia de 25 a 40 milhões de pessoas somente no Desktop, o que traz uma preocupação extra, sem sombra de dúvidas. São muitas pessoas para deixar na mão e isso certamente tem um peso na escolha.

O Wayland ainda não funciona plenamente em todas as placas de vídeo, especialmente as que precisam de drivers proprietários e ainda pode gerar problemas para o Ubiquity (que é o instalador do sistema) e o Apport, o aplicativo para reportar erros.

Pensando na estabilidade do Ubuntu 18.04 LTS do ano que vem a utilização do X.org me parece mais do que óbvia, mas ao mesmo tempo é bom as pessoas irem testando o Wayland para que ele fique maduro com maior velocidade.

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KDE Neon Developer Edition traz suporte ao Wayland

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

O KDE Neon é uma das distribuições que carregam todo o ecossistema do projeto KDE de maior renome nos últimos tempos, tanto como forma de demonstração, como para utilização das tecnologias por usuários comuns e desenvolvedores. Apesar do projeto KDE não dizer que o Neon é "a distro oficial do projeto", é essa a sensação que nós acabamos tendo por ser o sistema gerado pela comunidade KDE e gerido por todas as diretrizes e projetos dele. No fim das contas, isso não é o mais importante, o importante é que o projeto KDE sempre está procurando melhorar e agora a integração com o "novo" servidor gráfico Wayland promete ser o futuro.

KDE Neon Wayland




O KDE Neon possui duas versões, uma para usuários comuns e outra para desenvolvedores do KDE, sendo que a versão para desenvolvedores é a que costuma trazer as maiores novidades em tecnologias para o Plasma e tudo que o envolve. Nem tudo que entra na versão para desenvolvedores acaba indo para a versão de usuário, é parecido com o que acontece com o Firefox.

A versão mais recente do KDE Neon Developer Edition traz o Wayland instalado por padrão, agora que o Mir está fora de questão para desktops (a Canonical ainda o utiliza em IoT), o Wayland se tornou de fato o sucessor oficial do X (x.org), os desenvolvedores do KDE estão testando o servidor para integrá-lo ao Plasma no futuro.

KDE Neon com Wayland


Isso ajuda os próprios desenvolvedores do Wayland a melhorar o servidor e corrigir bugs, já que existe um sistema no qual os usuários de KDE Plasma já podem utilizá-lo e dar feedbacks.

Ao contrário do Ubuntu 17.10 que planeja utilizar o Wayland por padrão, o KDE Neon está apenas fazendo testes sem promessas, como explicou o líder do projeto, Jonathan Riddell:

"O Wayland está praticamente pronto para usar, mas a razão pela qual não podemos mudar ainda para ele por completo é que algumas placas gráficas ainda tem dificuldade de trabalhar com ele, até mesmo as fontes do sistema podem ter uma diferença por conta da forma com que o Wayland detecta os pixels por polegada. Este é o motivo dos nossos testes, as pessoas que quiserem testar o KDE Neon Developer Edition (na versão instável) poderão selecionar a sessão Wayland na tela de login."

Quem quiser testar estes novos recursos pode baixar a ISO do KDE Neon na versão de desenvolvedores diretamente do site oficial.

Até a próxima!

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Como será o futuro do Ubuntu SEM o Unity?

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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Pois é pessoal, essa foi sem sombra de dúvidas as notícias mais "bombástica", por assim dizer, do ano no mundo Linux. Nós falamos e noticiamos o fim do Unity 8 e do Ubuntu Phone nesta semana e muitas pessoas se interessaram pelo assunto, foram mais de 60 mil acessos apenas neste artigo, mas algo que eu percebi na maior parte dos comentários foi uma dualidade entre pessoas que já não gostavam muito do Unity e/ou preferiam o Gnome e pessoas que gostavam do Unity e ficaram chateadas com a notícia.

O futuro do Ubuntu sem o Unity




Eu vou tentar brincar de "olho de Tandera" com você e te dar a "visão além do alcance", pois o fim do Unity (ou quase) pode mudar os rumos do Ubuntu como conhecemos, então, eu quero falar sobre as possíveis consequências desta decisão.



Uma grande surpresa!


Apesar dos mais pessimistas acharem que o Ubuntu Phone nunca teve realmente chance, para mim, a "causa mortis" do projeto foi ver o que a Samsung fez com o novo Galaxy S8 (não que tenha sido isso mesmo, mas o conceito que o envolve), além da necessidade de focar onde dá lucro. Sei que nem todos se encaixam aqui, mas se você já tentou empreender algum negócio sabe que esse tipo decisão difícil é sumariamente fundamental.

Convergência do Galaxy S8
Samsung Galaxy S8 no modo "convergente"

A Samsung trouxe para o Android a dita "interface convergente", uma marca forte, com Android, o sistema operacional mais utilizado do mundo, trouxe para o mercado exatamente o conceito que o Ubuntu Phone estava brigando para trazer, claro, com algumas diferenças, pois o Ubuntu com Unity 8 tinha a intenção de rodar aplicativos convencionais de Desktop nos Smartphones também, mas quando se olha em sentido prático, realmente o Android sai na frente, não há nem sequer competição.

Ainda assim, o anúncio de Mark Shuttleworth, criador da Canonical, pegou todos de surpresa, até então não havia sequer um indício de que o projeto fosse efetivamente acabar, ao menos, não de forma tão drástica.

Particularmente, como eu já tinha falado neste vídeo, a versão 18.04 LTS, que deve ser lançada daqui a um ano aproximadamente, faria o sucesso ou o fracasso do Ubuntu e do Unity 8, parece que Mark resolveu não apostar.

Desde que foi anunciado, o Unity 8 chamou a nossa atenção, o conceito de convergência, a nova aparência, novas funcionalidades, tudo isso despertou um interesse extremo no sistema.

Com o tempo e promessas adiadas, depois de pouco mais de 3 anos de espera, tivemos os primeiros aparelhos com Ubuntu, mas a versão destkop nunca ficou realmente pronta. Ao mesmo tempo que ansiedade pela nova interface aumentava no Desktop e os esforços eram concentrados nela, o Unity 7, versão utilizada no Destkop até então, acabou deixando de receber grandes upgrades como o Ubuntu teve outrora, deixou de incrementar funcionalidades, algo que é quase fatal para um sistema que busca mais e mais usuários, especialmente domésticos.

Paradoxalmente, o Ubuntu neste meio tempo ganhou mais popularidade do que nunca, tornou-se a distro Linux mais utilizada do mundo depois do Android, virou sinônimo de Linux na internet  e para a indústria, abarcou cerca de 40 milhões de usuários ao redor do mundo apenas na versão Desktop, ainda assim, as versões para servidor, cloud e IoT do Ubuntu fizeram ainda mais sucesso, Dustin Kirkland, gerente de produto da Canonical, chegou a afirmar que juntando todas as plataformas em que o Ubuntu estava presente, mas de 1 bilhão de pessoas eram usuários do sistema, de forma direta ou indireta e o Unity era facilmente reconhecido em fotos mundo à fora.

Realmente, fomos pegos de surpresa.

O Unity realmente acabou?


Neste momento eu gostaria de me atentar para um detalhe que pode ser divisivo e acabar com o Ubuntu da forma que o conhecemos, a distro simples e para usuários comuns no Desktop, então você precisa prestar atenção.

Tirando a Canonical, as outras duas principais empresas que mantém distros Linux de forma direta são a SUSE e a Red Hat, e o que ambas tem em comum? O foco empresarial em servidores e suporte. E o que mais elas tem em comum? Não tem um foco no usuário doméstico. Sacou?

Mark comentou em seu anúncio que o Ubuntu 18.04 LTS voltaria a usar Gnome e que o Unity 8 e o Ubuntu para Smartphones, assim como a convergência e o servidor gráfico Mir, tinham acabado, ainda que ele continuasse acreditando que esse é o futuro, a Canonical provavelmente não estaria nele. Aqui é que entram os detalhes das lacunas deixadas por ele.

Voltar a "usar o Gnome" não significa que o Ubuntu 18.04 LTS vá usar o Gnome Shell necessariamente, tecnicamente isso são coisas diferentes, ou ainda, não quer dizer que o Ubuntu vá ter o mesmo Gnome que o Fedora tem, por exemplo.  

Seria possível a Canonical criar uma interface em cima do Gnome Shell que tenha a mesma funcionalidade do Unity? Até porque ele disse que o Unity 8 tinha acabado, mas não falou nada sobre o 7 ou o que iria acontecer com ele.

Ontem eu estava brincando com o Ubuntu Gnome 17.04 Beta, que ainda receberá um vídeo para o canal, e com algumas extensões e temas eu fiz um "Unity" do Gnome, a usabilidade fica bem parecida até, dá uma olhada na aparência:

Ubuntu 18.04 Fake com GUnity?
Ubuntu 18.04 Fake com GUnity?

Não estou dizendo que é isso que vai acontecer, mas seria coerente pensar desta forma para não impactar os usuários de Unity demais e manter a usabilidade do sistema.

Por outro lado, se a Canonical estiver se tornando uma nova Red Hat ou SUSE eu tenho más notícias pros usuários comuns, me incluindo aqui.

Isso significaria que o Ubuntu para Desktops receberia um Gnome Shell "puro", assim como é o Ubuntu Gnome hoje em dia, e a preocupação com os usuários de Desktop diminuiria, de certa forma, desperdiçando o bom nome no mercado consumidor comum que o Ubuntu tem atualmente, coisa que até agora nenhuma outra distro conseguiu.

O Ubuntu para Desktop será o mesmo Ubuntu para Desktop que nós conhecemos? Ou será algo mais parecido com o Fedora que é um "campo de testes" comunitário do Red Hat Enterprise Linux?

Isso realmente só o tempo nos dirá, confesso que torço para que seja a primeira opção, caso contrário, não vejo mais motivos para usar o Ubuntu como sistema de Desktop indicando-o para qualquer tipo de usuário. Ele vai continuar sendo simples, fácil e tudo mais, como é agora, mas ferramentas facilitadoras e a preocupação com a experiência do usuário de Desktop mais básico não seriam mais preocupação, fazendo do Linux Mint, elementary OS, Deepin e do Manjaro (dependendo da evolução) opções mais interessantes para "arrastadores de mouse".

O que sobrará depois do Unity?


Existem muitas coisas importantes que irão se acabar com o final do Unity, isto é, do Unity 7 especialmente. Podemos lamentar pelo Unity 8, Mir e pelos Ubuntu Phones, mas ainda assim é algo que nós nunca realmente tivemos, então a sensação de perda é muito menor, não se pode dizer o mesmo da versão 7.

Como tanto o Unity 7, como o Unity 8, são projetos abertos, não seria de desacreditar uma continuação por uma comunidade interessada, como aparentemente já está acontecendo com o Unity 8, mas sinceramente, certos recursos do Unity 7 não estão presentes em nenhuma outra distro de forma nativa atualmente.

O HUD por exemplo, a ferramenta que permite que você pesquise dentro dos menus das aplicações apenas pressionando a tecla "Alt" é algo que eu não vi em nenhum lugar, o aproveitamento de espaço que o Unity tem é incomparável, afinal, não é somente "esconder as barras" e pronto, com o Unity além de ter todo o campo de visão você ainda tem todas as ferramentas do sistema a sua disposição, as barras das janelas que se integram com a barra superior e os menus globais são coisas muito boas também. Concentrar as ações no lado esquerdo da tela faz com que você precise mexer menos o mouse também.

Tirando isso, que são recursos que podem se implementados em outras interfaces, talvez no próprio Ubuntu mesmo com Gnome, o que se perde mesmo caso do Unity 7 e seu conceito de usabilidade e aparência deixem de existir completamente, é a grande marca que ele criou.

Veja bem, a maior parte das distros utiliza um ambiente gráfico que outras distros também utilizam, o Gnome do Fedora não é muito diferente do Ubuntu Gnome, do Gnome do SUSE ou do Manjaro, visualmente falando, e isso vale para qualquer outra interface, mas o Unity, além de ter um visual peculiar, remetia diretamente ao Ubuntu, do mesmo jeito que quando você vê uma barra em cima com uma dock embaixo você lembra do Mac, ou um painel inferior com um "menu iniciar" você lembra do Windows (ou do KDE), quando você via um sistema com barra na esquerda você associava ao Ubuntu, abandonar isso é ruim pra marca, ruim pro marketing, ruim pro Ubuntu. 

Para você ter uma ideia, tem gente que acha que qualquer Gnome é o Kali Linux, isso é um problema de falta de identidade mercadológica que fará muita falta pra qualquer sistema que queira atingir o usuário comum... a menos que essa não seja mais a intenção.

O meu receio e o meu anseio


Independente do que aconteça, o meu respeito pelo Ubuntu e pela Canonical continuam. Graças a eles (e talvez ao Google) é que eu posso trabalhar com tudo o que trabalho hoje em dia, eu tenho uma relação enorme de gratidão com o Ubuntu pelo que o Diolinux se tornou, foi falando do Ubuntu que as coisas começaram a acontecer na minha vida, foi quase uma retro-alimentação.

Meu receio é que com o abandono deste projeto (Unity) o Ubuntu deixe de receber incrementos de ferramentas para facilitar a vida do usuário comum. Antigamente, quando a Canonical lançou uma Central de Aplicativos no Ubuntu isso foi revolucionário, quando adicionaram uma opção para instalar drivers facilmente, isso foi igualmente revolucionário, criar o HUD e novas formas de interação foram diferenciais, mas nos últimos anos, desde 2014 aproximadamente, isso deixou de acontecer (muito em parte pelos esforços da equipe de engenheiros sobre o Unity 8), será que isso voltará a acontecer?

Meu anseio é para que sim! Além de torcer para que o sistema volte a ser revolucionário como sempre foi no Desktop, é bom ver que algumas coisas tomaram definição. Com o Mir fora da jogada finalmente o Wayland tem apoio de todas as distros mais famosas e quem sabe ele se desenvolva mais rápido, será mais fácil até mesmo para as empresas que desenvolvem drivers, além disso, os Snaps vieram pra ficar, de todos os projetos que iniciaram por conta da convergência, este foi o que deu mais certo.

Os pacotes Snaps são uma forma simples de distribuir softwares para Linux (isso mesmo, qualquer distro) e podem permitir que mais desenvolvedores tenham interesse em liberar programas para o sistema graças a existência deste padrão. Sei que existe o formato FlatPak também, mas particularmente acho que os Snaps, além de um nome melhor (marketing é tudo), possuem maior facilidade de operação e manuseio, além de já possuir um grande repositório se comparado com a iniciativa concorrente.

O fim do Unity pode significar um recomeço ainda mais forte para o Ubuntu nos Desktops ou a sua despedida de vez, deixando o trono para outras distros derivadas provavelmente.

Vale lembrar que o Unity 7 permanecerá ativo com o Ubuntu 16.04 LTS até 2021 pelo menos, que é quando o seu suporte deve terminar, então, caso você queira continuar usando a interface, você ainda tem bastante tempo desde que mantenha esta versão do sistema sempre atualizada.

Eu continuarei a usar o Ubuntu, talvez com menos intensidade no futuro dependendo do que aconteça, mas o Ubuntu sempre será a distro que consegue sacudir o mundo Linux e o Mark Shuttleworth sempre será o cara que não tem medo de sonhar, tentar, arriscar, errar, voltar atrás e fazer tudo de novo. Talvez falte um pouco dessa gana na gente mesmo, não é?

É como se diz, se você nunca falhou em nada, talvez nunca tenha tentado fazer algo realmente grandioso.

O que você acha de tudo isso? Até a próxima!
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Nvidia vai dar suporte para Vulkan no Mir e Wayland?

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Um post no fórum de desenvolvedores da Nvidia deixou uma dúvida no ar, a empresa estaria pensando em dar suporte para os novos servidores gráficos do Linux?

Nvidia will support Wayland and Mir




Um usuário comentou no fórum da Nvidia que não estava conseguindo usar o Vulkan em sua Titan X enquanto utilizava uma distro Linux que não utilizava o X.org. Até aí tudo bem, o que chamou a atenção foi a resposta dada por um dos membros da Nvidia, dizendo que a próxima versão do Driver vai trazer suporte para o Vulkan em distros que não usam o X como servidor gráfico.

Não ficou claro exatamente se o suporte para o Wayland ou para Mir virá junto, mas tudo indica que estamos começando a dar os primeiros passos neste sentido. Atualmente, tanto um, quanto o outro, só funciona com drivers de código aberto. Vamos ficar de olho no próximo lançamento da Nvidia, pois os novos servidores gráficos, juntamente com a API Vulkan para os games no Linux pode ser um fator decisivo.

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