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O Fedora é uma boa escolha para iniciantes?

Já conhecemos muitas distros que são focadas e muito boas para usuários iniciantes, mas será que o Fedora também serve à esse propósito?

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

/ por Jedi Fonseca
Como saber qual é a melhor opção de distro para um usuário que está chegando agora no mundo Linux? Nomes como Ubuntu, Linux Mint, Deepin e Manjaro estão entre os mais mencionados na hora de indicar um sistema para o usuário iniciante, mas será mesmo que eles são tão mais fáceis que, por exemplo, o Fedora?


Com o recente lançamento do Fedora 31, várias pessoas questionaram sobre o quão viável é para um usuário iniciante utilizar o sistema. É tão fácil quanto Ubuntu ou Linux Mint? Ou é um sistema apenas para usuários experientes? Bem, é exatamente isso que vamos descobrir a seguir.

Primeiramente é importante esclarecermos que usuários iniciantes não são todos iguais, simplesmente por serem iniciantes. Se pudéssemos conversar com todas as pessoas que estão conhecendo uma distribuição Linux pela primeira vez no dia de hoje, veríamos que são pessoas diferentes, com ideias, intenções e backgrounds diferentes.

A segunda coisa que eu gostaria de lembrá-los, é que quando uma pessoa chega pela primeira vez, vinda de outro sistema, independente de em qual distro ela inicie, haverá uma curva de aprendizagem. Se essa pessoa utilizar o Fedora como a sua primeira distro, ela terá que aprender bastante coisa até ter “dominado” o sistema. Mas se ela começar pelo Ubuntu, também terá que aprender muita coisa. Afinal, é um sistema novo com o qual a pessoa em questão não está acostumada.

Dito isso, vamos dividir este artigo em quatro partes, sendo elas: “instalação do sistema”, “pós-instalação”, “estabilidade vs programas mais atualizados”, e “usabilidade no dia a dia e comunidade”. Desta forma poderemos melhor identificar os pontos fortes e fracos do Fedora para cada tipo de usuário iniciante.

Instalação do sistema


Muitos consideram o Anaconda (Software assistente de instalação do Fedora) como um ponto fraco do sistema, outros acreditam que o software seja excelente, melhor até que, por exemplo, os instaladores do Ubuntu e Manjaro. Eu posso dizer à vocês, caros leitores, que ambos estão certos. É tudo uma questão de perspectiva.

Anaconda. O instalador do Fedora.
O processo de instalação do Fedora ocorre 100% através da interface gráfica, então esqueça qualquer tipo de comparação com, por exemplo, Arch Linux ou Gentoo. Mesmo assim, quando comparado às suas alternativas no Ubuntu e Manjaro, o Anaconda é claramente um instalador menos automatizado. Alguns passos a mais são necessários, para fazer o que em algumas das outras distros pode ser feito com apenas um clique.

Conforme já mencionado, por ser mais intuitivo e automatizado, o instalador do Ubuntu permite que o usuário execute o procedimento com relativamente menos dificuldades, o que acaba sendo a melhor opção para muitas pessoas. Porém, se você é um usuário Windows que já formata e reinstala o sistema no seu próprio computador, faz alterações no registro e outros procedimentos avançados, significa que você já não é mais um usuário básico de computador. Sendo assim, por ser mais manual e não te dar a opção de automatizar muitas coisas, a instalação do Fedora pode ser uma melhor opção, pois esta fará com que você aprenda como o sistema funciona, e saiba realmente o que você está fazendo.

Todavia, ao instalar uma distribuição Linux pela primeira vez, sendo ela Ubuntu, Fedora, ou qualquer outra, será necessário que o usuário aprenda do zero a como executar tal processo de instalação. Dito isso, a diferença na dificuldade entre instalar o Ubuntu ou Fedora pela primeira vez, acaba não sendo tão grande. Com apenas alguns minutos a mais de leitura e pesquisa, qualquer usuário capaz de instalar o Ubuntu com certeza também será capaz de instalar o Fedora, sem maiores dificuldades.

Concluindo, para instalar o Fedora você precisará apenas de alguns minutos a mais de leitura para aprender o procedimento, o que acabará sendo compensado com conhecimento sobre o sistema. Porém, se você for um usuário básico do Windows, que não executa tarefas como formatar, instalar o sistema ou modificar o registro, e também não tem interesse em aprender nada disso, acredito que a automatização da instalação do Ubuntu realmente faça com que ele esteja à frente neste quesito.

Pós-Instalação


Uma das maiores diferenças entre Ubuntu e Fedora quando se trata de pós-instalação, é quanto aos drivers de vídeo em GPUs Nvidia. O Fedora não possui, ao menos de forma nativa, um gerenciador de drivers que permita ao usuário selecionar a versão desejada através da interface gráfica, de forma que, o procedimento deve ser feito através do terminal.

Porém, ao contrário do que muitas pessoas pensam, isso não significa que este seja um procedimento mais difícil. Muitos pensam que o terminal é uma ferramenta complicada, utilizada apenas por hackers e usuários avançados, e que tudo é sempre mais fácil através de cliques via interface gráfica. Bem, eu posso afirmar com "100%" de certeza que isso não passa de um mito.

O terminal é sim uma ferramenta avançada, mas também é um facilitador. Ao contrário do que diz este mito que ficou impregnado nas cabeças das pessoas, especialmente daquelas que não utilizaram uma distro Linux por mais de algumas horas ou poucos dias, o terminal facilita a vida dos usuários de uma forma incrível. Algo que, via interface gráfica demanda vários passos, cliques e janelas abertas, pode ser feito com apenas um simples comando de terminal.

É claro que o ideal é que sempre tenhamos ambas as opções, assim como no Ubuntu, de forma que possamos escolher aquela que melhor nos serve. Mas é importante que vocês tenham em mente que ter que instalar os drivers de vídeo via terminal não é um sinônimo de “ser mais difícil”. Porque de fato, não é.

"Terminal Linux. A temível tela preta comedora de usuários novatos!"
Se você for um usuário de GPU AMD, assim como em qualquer uma das principais distros Linux, no Fedora também você não precisa se preocupar com drivers de vídeo. Está tudo instalado e funcionando automaticamente. Este artigo explica detalhadamente quais são e como funcionam os drivers utilizados pelas GPUs AMD nas distribuições Linux.

Quanto a instalação de programas, é tão fácil quanto no Ubuntu. Além do número enorme de programas disponíveis nos repositórios oficiais do sistema, que você pode encontrar na loja de aplicativos, ou utilizando o DNF (sobre o qual você encontra artigos aqui e aqui), também existem milhares de programas empacotados no formato “.rpm” disponíveis internet à fora. Aos desinformados: pacotes “.rpm” estão para o Fedora, assim como pacotes “.deb” estão para o Ubuntu.

Além disso, no Fedora você também poderá utilizar repositórios de terceiros como o RPM Fusion, e também softwares empacotados em Snap e Flatpak. Como se não bastasse, ainda existem os repositórios copr, que são algo semelhante aos PPAs do Ubuntu. Ou seja, programas disponíveis com certeza não vão faltar.

O Renato do blog FastOS escreveu um artigo de pós-instalação no Fedora que com certeza poderá ajudar muita gente que está chegando agora no sistema.

Estabilidade vs Programas mais atualizados


O Fedora, assim como o Ubuntu, é uma distribuição de lançamentos fixos. Duas vezes por ano é lançada uma nova versão do sistema. Isso faz com que o Fedora sempre tenha pacotes bastante atualizados, mas não tanto quanto o Arch Linux, por exemplo. O quê faz com que o sistema consiga um excelente equilíbrio entre estabilidade e versões recentes dos programas.

À primeira vista, dois lançamentos ao ano parece ser muita coisa para quem quer utilizar sempre a última versão do sistema. Mas não se engane, ter duas novas versões a cada ano não significa que você precisará formatar o seu computador e fazer uma instalação limpa do sistema a cada uma dessas vezes.

Em cada novo lançamento, você pode simplesmente atualizar o seu Fedora para a nova versão, em um procedimento relativamente rápido (o que depende da sua velocidade de conexão com a internet), bastante fácil e seguro. Desta forma você sempre obtém as versões mais recentes de todos os pacotes, mantém o seu sistema seguro, e extremamente estável, simplesmente atualizando.

É claro que o Fedora não é um Debian da vida, mas mesmo assim, nesses 6 meses que tenho o utilizado ininterruptamente, o sistema jamais me deixou na mão.

Usabilidade no dia a dia e comunidade


Uma vez que o seu Fedora esteja instalado e configurado, utilizá-lo e mantê-lo é tão simples quanto qualquer outra distro. Tudo o que você deve fazer é manter o seu sistema atualizado. Como já mencionei anteriormente neste artigo, eu tenho utilizado o Fedora como sistema principal nos últimos seis meses, e o utilizo para fazer tudo o que preciso. Jogar através da Steam, Lutris, produzir conteúdo, e etc.


A versão principal do Fedora utiliza o GNOME Shell, assim como o Ubuntu, e da mesma forma o sistema também possui outros “sabores”. Que chamamos de “Spins”. No site Fedora Spins você pode encontrar versões oficiais do Fedora com outras interfaces gráficas, como KDE Plasma, XFCE, LXQT, MATE, Cinnamon, LXDE e SOAS Desktop.

Caso as DEs que mencionei acima não sejam o suficiente, outras também estão disponíveis para instalação nos repositórios oficiais, como por exemplo, a belíssima DDE (Deepin Desktop Environment).

Outro ponto que pode fazer a diferença para o uso diário de algumas pessoas é o suporte da comunidade, e a facilidade em encontrar informações, tutoriais e soluções de problemas para o sistema. O Ubuntu é a distro mais popular do mundo, com isso, é de se esperar que seja aquela com a maior quantidade de informações online.

Vejo essa situação da seguinte forma: se você for um usuário básico, que utiliza o computador apenas para trabalho, acessar a internet, redes sociais e coisas do tipo, é muito provável que você nunca precise procurar soluções para problemas no Fedora. Se você for um usuário um pouco mais avançado, ou que gosta de jogar, quer rodar jogos não nativos de Linux no seu sistema, e coisas do tipo, é realmente muito fácil encontrar suporte e pessoas dispostas a ajudar, tanto em inglês, quanto em português.

O nosso fórum, o Diolinux Plus, é um excelente exemplo de lugar onde você pode encontrar suporte, não só para o Fedora, mas também para qualquer coisa relacionada a Linux e Tecnologia em geral. Mas não para por aí, caso vocês não conheçam, lhes apresento a Comunidade Fedora Brasil. Uma das razões pelas quais comecei a utilizar o Fedora, e estou nele até hoje, é a incrível colaboratividade e vontade de ajudar o próximo, que possuem os membros dessa comunidade. Tanto no fórum, quanto no canal do YouTube ou Telegram, você encontrará várias pessoas sempre dispostas a ajudá-lo a resolver os seus problemas no Fedora. Então podem ter certeza que, conteúdo online para tirar as suas dúvidas é o que não vai faltar.

Nos vídeos abaixo você confere uma entrevista concedida ao Diolinux pelo líder da Comunidade Fedora Brasil, Cristiano Furtado. Em uma entrevista na qual podemos perceber claramente o quanto a comunidade Fedora, ao menos no Brasil, é voltada a ajudar todos os tipos de usuários, com todos os níveis de conhecimento.



Conclusão


O Fedora não é, e nunca foi um sistema focado em atender o público leigo. Todavia, isso não significa que usuários iniciantes não possam utilizá-lo sem maiores problemas. Segundo as palavras do líder do projeto Fedora, Matthew Miller

O Fedora é uma distribuição focada em desenvolvedores de softwares e usuários avançados, mas tendo em mente que usuários avançados são humanos também.

Por fim, após utilizar o Fedora por seis meses pude perceber que qualquer pessoa chegando agora no mundo Linux pode sim utilizar o Fedora sem maiores problemas. O único ponto no qual realmente acho que as pessoas terão uma curva de aprendizagem um pouco maior quando comparado ao Ubuntu, é na instalação do sistema. O quê, como dito anteriormente, dependendo da pessoa pode ser resolvido com alguns minutos de leitura e pesquisa.

Meu intuito com este artigo não é dizer à vocês se o Fedora é ou não uma boa opção para usuários iniciantes, mas sim passar informações para que vocês mesmo possam tirar as suas próprias conclusões sobre o assunto. E decidirem por si próprios se o Fedora é ou não uma boa opção para vocês.

Você já utiliza, ou tem vontade de conhecer o Fedora? Ou você já tentou utilizá-lo, mas não pôde continuar por causa de algum problema? Conte mais nos comentários.

Você gosta de Linux e tecnologia? Tem alguma dúvida ou problema que não consegue resolver? Venha fazer parte da nossa comunidade no Diolinux Plus

Isso é tudo pessoal! 😉

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